Marfins de Nimrud: móveis e placas entalhados por oficinas do Mediterrâneo e da Síria
chegada a Kalhu de Assurnasirpal II (883 a.C.) a Sargão II (705 a.C.), segundo Herrmann; a data de fabricação de cada peça não se deduz do local do achado · Mesopotâmia e Levante
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Os marfins de Nimrud são milhares de placas, caixas e peças de móveis achadas em Kalhu, capital assíria, mais de 6.000 no total segundo Horry e Robson. A maior parte foi entalhada por artesãos de reinos do litoral nordeste do Mediterrâneo e da Síria e chegou como tributo e butim, enquanto uma produção assíria menor usou contornos incisos numa superfície plana. Móveis complexos eram montados com várias peças de marfim, folheadas a ouro e incrustadas de vidro e pedras, e letras alfabéticas em lugares discretos indicavam onde encaixar cada parte.
Material e entalhadores
Segundo Horry e Robson, o marfim vinha quase certamente do Egito e da Núbia, em presas de elefante e dentes de hipopótamo, e os anais de Assurnasirpal registram tributo em ébano, buxo e marfim de hipopótamo dos reis de Tiro, Sídon, Biblos e Arwad, e em leitos, cofres e tronos de marfim de Ahunu, de Bit-Adini. Para Herrmann, populações inteiras de elefantes devem ter sido abatidas, o elefante sírio se extinguiu no séc. IX a.C. e muito do marfim teria sido fornecido por comerciantes fenícios que exploravam o elefante africano. Segundo Herrmann, a maior parte veio de reinos neo-hititas, arameus, fenícios e de outros do Levante, que produziam marfim quase em massa. (Horry; Herrmann)
Montagem, douração e incrustação
Segundo Horry e Robson, além de peças feitas de um só bloco, os artesãos montavam móveis grandes, como cadeiras e camas, e marcas alfabéticas minúsculas em lugares discretos ajudavam os montadores. As peças mais luxuosas levavam incrustações de vidro colorido e pedras semipreciosas ou folha de ouro. Herrmann cita a placa da leoa, com flores incrustadas de lápis-lazúli e cornalina e hastes folheadas a ouro, e a Pixíde do Banquete, cujas incrustações eram de marfim tingido, fixadas com pinos e cola; para ela, essas técnicas distintas ajudam a identificar oficinas. Os assírios, ao contrário, incisavam contornos em superfície plana, sem relevo alto. (Horry; Herrmann)
Grupos de estilo
Segundo Herrmann, reconheceu-se no início do séc. XX dois grandes grupos, o "fenício" ou "levantino", com forte dívida com a arte do Egito, e o "norte-sírio", ligado às esculturas do sudeste da Anatólia e do norte da Síria, mais forte e menos elegante; depois se reconheceu um grupo "intermediário" ou "sírio". O que separa os grupos são proporções, estilo e técnica de entalhe, fixação e decoração, mais que o tema. Uma hipótese de trabalho dela é que os grupos refletem as linguagens artísticas dos reinos da época; o grupo "flame and frond" se liga aos ortostatos de Tell Halaf (Bit Bahiani), e, pelos anais assírios, a produção desse reino teria ocorrido entre o séc. X e meados ou fim do IX a.C. (Herrmann)
Depósitos e escavações
Segundo Horry e Robson, a maior parte do marfim nunca foi usada: butim e tributo, em peças brutas ou acabadas, foram despojados do ouro e guardados nas salas V e HH do Palácio Noroeste e nas salas SW 7, 11, 12 e 37 do Forte Salmanasar, e saqueadores jogaram peças em poços das áreas femininas do Palácio Noroeste em 612 a.C. Layard achou marfins em 1845, Mallowan a partir de 1949, a equipe de Oates no Forte Salmanasar no fim dos anos 1950 e início dos 1960, Said al-Iraqi no poço AJ em meados dos anos 1970, Muzahim Mahmoud em 1992 e a equipe italiana de Paolo Fiorina em 1987-89. (Horry)
Fontes
- Horry, R. A. e Robson, E. "The Nimrud ivories: forgotten treasures". Nimrud: Materialities of Assyrian Knowledge Production, The Nimrud Project at Oracc.org, 2019. http://oracc.museum.upenn.edu/nimrud/livesofobjects/ivories/ Acessar
- Herrmann, G. "The Age of Ivory: The Nimrud Project". Publicação da British Academy, p. 27-31 (o PDF lido não traz o ano; o número vizinho é de c. 2005). https://www.thebritishacademy.ac.uk/documents/621/09-herrmann.pdf Acessar
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