Mullissu-mukannišat-Ninua, rainha de Assurnasirpal II (Túmulo III de Nimrud)
rainha no reinado de Assurnasirpal II (883-859 a.C., segundo Hussein); nascimento e morte não constam nas fontes lidas; túmulo achado em julho de 1989 · Mesopotâmia e Levante
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Mullissu-mukannišat-Ninua foi rainha de Assurnasirpal II e filha de Ashur-nirka-da'inni, copeiro-chefe do rei. É conhecida pelas inscrições de seu túmulo, o Túmulo III, achado em julho de 1989 sob o Palácio Noroeste de Nimrud (Kalhu) pela equipe do arqueólogo iraquiano Muzahim Mahmoud Hussein. Segundo Hussein, o sarcófago dela tinha sido saqueado, e os caixões de bronze da câmara externa guardavam enterramentos do séc. VIII a.C., entre eles o da rainha Hama.
Onde e como o Túmulo III foi achado
Segundo Hussein, no fim de julho de 1989 a equipe escavou ao sul da sala 49 do Palácio Noroeste e abriu a sala 57, com piso de tijolos cozidos e entulho de 4 m. No norte havia muitas tabuletas de argila crua, com registros de negócios de funcionários dos reinados de Adad-nerari III e Tiglath-pileser III. Sob o piso, a 70 cm, apareceu uma abóbada de tijolos cozidos. Os tijolos inscritos de Assurnasirpal II e Salmanasar III usados na construção indicam, segundo ele, que o túmulo foi feito no reinado do segundo rei ou ao menos terminado por ele. A entrada ao sul era fechada por duas lajes de pedra calcária. (Hussein)
A inscrição que a identifica
Segundo Hussein, cinco linhas cuneiformes na tampa do sarcófago identificam o túmulo como o de Mullissu-mukannišat-Ninua, rainha de Assurnasirpal, mãe(?) de Salmanasar e filha de Ashur-nirka-da'inni, copeiro-chefe do rei, e trazem maldições contra quem perturbasse o enterro. Uma tabuleta de mármore quase idêntica foi achada num nicho da escada da câmara externa. Radner acrescenta que o cargo de copeiro estava entre os principais da corte. (Hussein; Radner)
Os caixões de bronze na câmara externa
Hussein descreve na câmara externa três caixões de bronze do tipo banheira, dois deles um sobre o outro, encostados nas portas da câmara principal, atrás de uma parede de tijolos rebocada. Como estavam ali, os ladrões que saquearam o sarcófago não entraram na câmara externa, o que mostra que o saque veio depois dos enterramentos. Objetos inscritos remontam ao reinado de Adad-nerari III, mas a menção do general Samshi-ilu, que serviu sob reis até 745 a.C., sustenta para ele uma datação do séc. VIII a.C. O segundo caixão trazia bens de uma rainha, Hama, e ele conclui que o Palácio Noroeste seguia ocupado por mulheres da realeza. (Hussein)
Rainhas enterradas no palácio
Segundo Robson, quatro túmulos abobadados, sob as salas MM, 49, 56 e 57, abrigaram mulheres da realeza e seus bens mais preciosos ao longo de cerca de 150 anos. As inscrições identificam, em ordem cronológica, Mullissu-mukannišat-Ninua (mulher de Assurnasirpal e mãe de Salmanasar III), Yaba (mulher de Tiglath-pileser III), Hamaya (mulher de Salmanasar IV), Banitu (mulher de Salmanasar V) e Ataliya (mulher de Sargão II). Radner afirma que Assurnasirpal II mudou a corte de Assur para Kalhu, e o palácio de 200 m por 130 m abrigava, no setor privado, as mulheres da família real. (Robson; Radner)
Fontes
- Hussein, M. M. Nimrud: The Queens' Tombs. Tradução e edição inicial de M. Altaweel; edição e notas de M. Gibson. Bagdá/Chicago: Iraqi State Board of Antiquities and Heritage / Oriental Institute of the University of Chicago, 2016. ISBN 978-1-61491-022-0 (conferido na folha de rosto). Cópia lida: https://archive.org/details/nimrud.-the-queens-tombs Acessar
- Radner, K. "Kalhu, Tiglatpileser's royal residence city". Assyrian Empire Builders, University College London, 2024. http://oracc.museum.upenn.edu/saao/aebp/essentials/cities/kalhu/ Acessar
- Robson, E. "Assurnasirpal's Northwest Palace". Nimrud: Materialities of Assyrian Knowledge Production, The Nimrud Project at Oracc.org, 2019. http://oracc.museum.upenn.edu/nimrud/ancientkalhu/thecity/northwestpalace/ Acessar
Na mesma região
- Estela do Banquete de Assurnasirpal II: a refundação de Kalhu e o banquete de dez dias reinado de Assurnasirpal II, 883–859 a.C. (RIAo e Lendering); o texto lido não data a consagração do palácio
- Marfins de Nimrud: móveis e placas entalhados por oficinas do Mediterrâneo e da Síria chegada a Kalhu de Assurnasirpal II (883 a.C.) a Sargão II (705 a.C.), segundo Herrmann; a data de fabricação de cada peça não se deduz do local do achado
- Conquista de Bīt-Adini e de Tīl-Barsip por Salmanasar III, segundo as inscrições assírias (c. 858–856 a.C.) c. 858–856 a.C. (1º ao 3º ano de reinado de Salmanasar III, com reinado iniciado em 858 a.C. segundo a RIAo; Kurkh e o obelisco divergem na ordem dos anos)
- Marcas alfabéticas de montagem em Kalhu: os exemplos mais antigos de escrita alfabética na Assíria (reinado de Salmanasar III) reinado de Salmanasar III (858-824 a.C., segundo Herrmann e Hussein); a fonte lida não data cada marca
- Obelisco Negro de Salmanasar III e o pagamento de Jeú, "filho de Omri" c. 858–824 a.C. (período de composição, segundo a RIAo; a legenda de Jeú não traz ano no trecho lido)
- Batalha de Qarqar (853 a.C.), segundo o Monólito de Kurkh e o Obelisco Negro 853 a.C. (6º ano de reinado de Salmanasar III, segundo o Obelisco Negro; reinado iniciado em 858 a.C. segundo a RIAo; Wikidata: 853 a.C.)