Atlas da História

Movimento Bábi (babismo)

1844 – 1850 (anos do Báb; o movimento continua depois, nos ramos azali e bahá'í) · Irã e planalto iraniano

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Movimento religioso xiita de expectativa messiânica surgido em Xiraz (Irã) em 1844, em torno de Sayyid Ali Muhammad Shirazi, o Báb ("porta" para o Imã Oculto). Segundo Keddie, a prisão e a execução do Báb em Tabriz, em 1850, provocaram levantes duramente reprimidos. Na década de 1860, a maioria dos seguidores passou à fé bahá'í; os azalis, fiéis ao ensino original, seguiram hostis aos cajares e ao clero.

Raízes xeiquistas e a reivindicação de 1844

Segundo Quinn, o Báb (1819–1850) nasceu numa família xiita de comerciantes no início do período cajar, quando muitos contemporâneos esperavam a proximidade de acontecimentos messiânicos e apocalípticos. Entre eles estavam os xeiquis, seguidores de Shaykh Ahmad al-Ahsa'i (m. 1826); o Báb foi inicialmente xeiqui e discípulo de Sayyid Kazim Rashti (m. 1843), sucessor de al-Ahsa'i. Nos anos 1840 reivindicou ser o qa'im ou mahdi esperado e fundou uma religião com que esperava mudar o mundo e inaugurar uma era de paz e justiça. Para o relato de Afnan, a reivindicação foi comunicada em 1844 a Mulla Husayn Bushrui, primeiro adepto do Báb. (Quinn 2010)

Repressão, levantes e a divisão do movimento

Keddie escreve que, por séculos, os principais ulama defenderam o quietismo político diante dos safávidas e dos primeiros cajares, mas que, no meio do século XIX, o movimento bábi se tornou ameaça séria ao poder real e ao clero. Em 1850, a prisão e a execução do Báb provocaram levantes babis duramente reprimidos. Os seguidores do ensino original, chamados azalis, ficaram ativamente hostis aos cajares e aos ulama. Nos anos 1860, Baha'u'llah, meio-irmão do sucessor do Báb, declarou-se o profeta anunciado e criou a religião bahá'í, seguida pela grande maioria dos babis. Segundo Keddie, babis, em particular azalis, e bahá'ís influenciaram reformistas iranianos e tiveram papel de destaque na campanha constitucional de 1906. (Keddie 2013)

Fontes

  1. Keddie, N. R. (2013). "Iran: Nonviolent Revolts, 1890–1906". In: Bartkowski, M. J. (org.), Recovering Nonviolent History: Civil Resistance in Liberation Struggles. Boulder/Londres: Lynne Rienner, cap. 8, pp. 143–158. PDF aberto em nonviolent-conflict.org (ICNC).
  2. Quinn, S. A. (2010). Resenha de Afnan, M. H., The Genesis of the Bábí-Bahá'í Faiths in Shíráz and Fárs (trad. e anot. A. Rabbani; Leiden: Brill, 2008). American Journal of Islam and Society 27(2): 107–109. DOI 10.35632/ajis.v27i2.1330. Acessar

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