Atlas da História

Revolução Constitucional Persa

1905/1906 – 1911 · Irã e planalto iraniano

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Movimento que levou à primeira Constituição do Irã cajar, assinada entre o fim de dezembro de 1906 e 1º de janeiro de 1907 (30 de dezembro na tradição; 1º de janeiro de 1907 em Martin 1992), e se estendeu até 1911. Mulheres, intelectuais, clérigos e comerciantes participaram ativamente; Dezhamkhooy (2023) mostra que as mulheres criaram estratégias próprias de resistência, como a recusa ao consumismo e o esforço para reavivar a economia.

Dívidas, alfândegas e protestos no bazar

O Estado cajar entrou no séc. XX endividado. Martin (1992) registra empréstimos russos de 2 milhões de libras em 1900 e de 1 milhão em 1902, e uma reforma das alfândegas, dirigida pelo belga Naus, que elevou a receita de 200 mil libras em 1898 para 600 mil em 1904, à custa dos comerciantes. Entre 1900 e 1905 os mercadores protestaram várias vezes, e a guerra russo-japonesa agravou a falta de receita. Em novembro de 1905 os mujtahids Behbahani e Tabatabaʾi selaram um acordo de ação conjunta; em dezembro, dois comerciantes de açúcar foram punidos com bastonadas, e cerca de 2 mil pessoas se refugiaram (bast) no santuário de Shah ʿAbd-al-ʿAẓim. O governo cedeu em janeiro de 1906 com a promessa de uma "casa de justiça" (ʿadālat-ḵāna). (Encyclopaedia Iranica)

Do refúgio na legação britânica ao Majles

Em julho de 1906, depois da morte de um estudante religioso (talaba), os ulemás deixaram Teerã rumo a Qom, em 15 de julho. A partir de 19 de julho, comerciantes e artesãos se abrigaram no jardim da legação britânica; em 2 de agosto eram cerca de 14 mil, com uma tenda para cada corporação e uma cozinha comum. Dali saiu o pedido de uma assembleia nacional eleita. O primeiro-ministro ʿAyn-al-Dawla caiu em 29 de julho; um decreto de 5 de agosto foi recusado por vago, e o de 10 de agosto concedeu o majles-e šūrā-ye mellī. O regulamento eleitoral, inspirado no modelo belga e assinado em 8 de setembro, previa 156 deputados, 60 deles por Teerã, eleitos por classes: corporações, comerciantes, proprietários, ulemás e príncipes cajares. Em Teerã votaram poucas centenas de eleitores por classe. O Majles abriu em 7 de outubro de 1906, e a lei fundamental foi assinada e apresentada, segundo Martin (1992), em 1º de janeiro de 1907, pouco antes da morte do xá. (Encyclopaedia Iranica)

Anjomans, jornais e o golpe de 1908

Com o novo xá, Mohammad-ʿAli, a disputa passou para a lei suplementar. O artigo que previa a igualdade de todos perante a lei, sem distinção de credo, enfrentou a oposição do xeque Fazlollah Nuri, e uma cláusula proposta por ele virou o artigo 2; Nuri fez seu próprio bast a partir de 21 de junho de 1907, e a lei suplementar foi ratificada em 7 de outubro de 1907. Nesse intervalo multiplicaram-se as associações (anjomans) e os jornais, como Majles, Ḥabl-al-matīn, Ṣūr-e Esrāfīl e Mosāwāt. Em junho de 1908 a Brigada Cossaca, comandada por oficiais russos, bombardeou o Majles, e Malek-al-Motakallemin e Mirza Jahangir Khan foram executados. O anjoman de Tabriz resistiu sob Sattar Khan e Baqer Khan, com a ajuda de revolucionários do Cáucaso; em 1909 houve revolta em Rasht, e forças vindas do norte e tropas bakhtiaris saídas de Isfahan tomaram Teerã em 13 de julho. Nuri foi executado e o xá, deposto, deu lugar ao filho, Ahmad. (Encyclopaedia Iranica)

Mulheres, escolas e a recusa do voto

Afary (1999) mostra que a participação feminina tinha antecedentes: Qorrat-al-ʿAyn tirou o véu em Badasht em 1848, Bibi Khanom Astarabadi escreveu o Maʿāyeb al-rejāl, e mulheres do harém aderiram ao boicote do tabaco. Entre 1906 e 1911, mulheres boicotaram tecidos estrangeiros e contribuíram para o banco nacional. A lei eleitoral de setembro de 1906 não lhes deu voto, embora deputados como Taqizadeh e Wakil-al-Raʿaya as apoiassem. De agosto de 1906 a abril de 1910 abriram-se em Teerã 50 escolas para meninas, sem verba do governo. Surgiram sociedades femininas, como a Anjoman-e āzādī-e zanān (1907), da qual participaram duas filhas de Naser-al-Din Shah. Nuri e Shushtari emitiram uma fatwa contra as escolas de meninas, e alunas foram atacadas; as ativistas responderam com cartas de protesto nos jornais e gastaram dotes e heranças na causa. Vieram depois revistas próprias, como Dāneš (1910–11) e Šekūfa (1912–17). (Encyclopaedia Iranica)

Minorias, Shuster e o ultimato de 1911

A nova lei eleitoral de 1909 reservou uma cadeira para cada minoria religiosa: judeus, zoroastristas, armênios e assírios. O Segundo Majles abriu em 15 de novembro de 1909. O assessor financeiro americano Morgan Shuster chegou a Teerã em 12 de maio de 1911 e tentou salvar as finanças persas, mas, segundo Martin (1992), sua indiferença à opinião estrangeira irritou os russos e suas reformas o puseram em choque com a velha burocracia cajar. A Rússia respondeu com um ultimato em 29 de novembro de 1911, com prazo de 48 horas, que levou à ocupação anglo-russa; o mandato do Segundo Majles terminou em 24 de dezembro de 1911. (Encyclopaedia Iranica)

Fontes

  1. Afary, J. (1996). The Iranian Constitutional Revolution, 1906–1911: Grassroots Democracy, Social Democracy, and the Origins of Feminism. Columbia University Press. ISBN 9780231103503.
  2. Dezhamkhooy, M. (2023). Women and the Politics of Resistance in the Iranian Constitutional Revolution. Springer Nature Switzerland. DOI 10.1007/978-3-031-28097-9; ISBN 9783031280962. Acessar
  3. Encyclopaedia Iranica, "Constitutional Revolution ii. Events" (V. Martin, vol. VI, fasc. 2, p. 176–187, 1992). https://www.iranicaonline.org/articles/constitutional-revolution-ii/ (consultado em 07/10/2026). Acessar
  4. Encyclopaedia Iranica, "Feminist Movements i. Introduction, ii. In the Late Qajar Period" (J. Afary, vol. IX, fasc. 5, p. 489–491, 1999). https://www.iranicaonline.org/articles/feminist-movements-i-ii/ (consultado em 07/10/2026). Acessar

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