Atlas da História

Praça Naqsh-e Jahan (Meidan Emam), Isfahan

início do séc. XVII (UNESCO); o Wikidata dá 1598 · Irã e planalto iraniano

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Praça pública de Isfahan construída pelo xá Abbas I, da dinastia safávida, no início do século XVII. Mede cerca de 560 por 160 metros, é cercada por arcadas de lojas em dois andares e tem um grande edifício em cada lado: a Mesquita Real, a Mesquita do Xeque Lotfollah, o pavilhão de Ali Qapu (entrada da área do palácio) e o pórtico de Qeysariyeh. Para a UNESCO, foi o principal monumento da vida social e cultural persa sob os safávidas.

Painel de azulejos
Painel de azulejos policromados na técnica cuerda seca, atribuído pelo museu a Isfahan. Esse tipo de revestimento colorido é característico da arquitetura safávida da cidade, época da praça Naqsh-e Jahan. Painel de azulejos, oficinas persas, provavelmente de Isfahan, primeiro quarto do séc. XVII. CC0 1.0 (domínio público). Ver no acervo

Uma nova capital para o xá Abbas I

Isfahan foi a terceira capital safávida, depois de Tabriz, sede até a década de 1540, e de Qazvin, que a substituiu até o fim do séc. XVI. Segundo Gürkan Anar (2024), Abbas I fez de Isfahan a capital nos anos 1590 e a remodelou com novos eixos e bairros: a avenida Chahar Bagh, novos caravançarais e os bairros de Nova Julfa e Abbasabad, construídos para grupos de mercadores de Julfa e de Tabriz levados à força para a cidade por sua experiência no comércio. A nova praça não nasceu no centro antigo. O coração tradicional de Isfahan era a praça de Harun-e Velayet, ao lado da antiga Mesquita da Sexta-Feira, e a autora mostra como o projeto de Abbas transferiu a vida comercial e cerimonial para um espaço novo, ligado à área do palácio. (Gürkan Anar 2024)

Duas fases de obras, dos anos 1590 aos 1630

Quase todos os pesquisadores, com exceção de Blake, que defende uma construção única depois de 1602, distinguem duas fases, e Gürkan Anar (2024) segue essa leitura. Na primeira, dos anos 1590 a 1602–03, o xá mandou reformar as lojas em volta da praça antiga e, ao mesmo tempo, planejou um novo bazar coberto (Qeysariyeh) e a nova praça. Pelas observações de Galdieri, essa primeira praça era mais larga, cercada de arcadas cegas de um só andar, com lojas abertas apenas para um corredor interno. Na recepção descrita pelo cronista Natanzi em 1595, as paredes estavam rebocadas, caiadas e pintadas. Na segunda fase, de 1602–03 aos anos 1630, ganharam forma os grandes edifícios: o portal da mesquita de Lotfollah ficou pronto em 1603–04, a inscrição da cúpula é de 1616–17 e o mihrab de 1618–19; a entrada monumental do Qeysariyeh foi concluída em 1616–17; os três andares superiores do Ali Qapu, o canal de água e as árvores também são dessa fase. A Mesquita Real, começada em 1611, foi o último edifício. (Gürkan Anar 2024)

Pólo, mercado e cerimônias da corte

A UNESCO lembra que a esplanada servia a festas, passeios, execuções públicas, partidas de pólo e reunião de tropas, e que centenas de lojas funcionavam em volta dela. Gürkan Anar (2024) reúne relatos de viajantes: no centro havia um mastro de c. 18 m, usado em competições, e nas extremidades colunas de mármore de c. 2,5 m serviam de gols no pólo. Ao nascer e ao pôr do sol, músicos tocavam nas sacadas sobre o portal do Qeysariyeh, onde ficava também a casa da moeda; uma pintura acima desse portal mostrava uma batalha contra os uzbeques, talvez, segundo Ritter, a vitória de 1598 perto de Herat. No Ali Qapu, a soleira de pórfiro verde veio do santuário do imã Ali em Najaf, e quem a cruzasse escapava da punição. O viajante Herbert contou ali 31 canhões de latão e 12 peças de ferro sem reparo; Tavernier falou depois em 70. Do terraço (tâlâr) do Ali Qapu, ligado à sala do trono, o xá recebia embaixadores, segundo a UNESCO. (UNESCO, lista nº 115; Gürkan Anar 2024)

Mesquita da corte ou mesquita de sexta-feira?

A Mesquita do Xeque Lotfollah é quadrada, coberta por uma cúpula, sem pátio nem minaretes, e foi girada 45° em relação à praça para ficar voltada para a qibla, a sudoeste; a Mesquita Real também tem o eixo desviado em direção a Meca. A UNESCO a descreve como mesquita privada da corte real. Gürkan Anar (2024) discute outra leitura: o xá trouxe de Qazvin, em 1594, o xeque Lotfollah, o único grande sábio imamita da época que considerava obrigatória a oração de sexta-feira durante a Ocultação do imã, e o edifício teria sido pensado para essa oração, usado com essa função por pouco tempo. A autora relaciona a praça a uma doação pia (waqf) de 1604–05 que destinava metade do aluguel das lojas aos sayyids husseinitas de Medina e metade aos de Najaf, desde que fossem imamitas. (UNESCO, lista nº 115; Gürkan Anar 2024)

Fontes

  1. UNESCO World Heritage Centre, "Meidan Emam, Esfahan", lista nº 115. https://whc.unesco.org/en/list/115/ (dados abertos data.unesco.org, consultados em 07/10/2026) Acessar
  2. Babaie, S. (2008). Isfahan and its Palaces: Statecraft, Shi'ism and the Architecture of Conviviality in Early Modern Iran. Edinburgh University Press. DOI 10.1515/9780748633760. Acessar
  3. Gürkan Anar, D. (2024). "Nakş-ı Cihan Meydanı: Mekân, Mimari ve Kronoloji". Belleten 88(313): 771–810. DOI 10.37879/belleten.2024.771. Acessar

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