Atlas da História

Revolução Iraniana

jan. 1978 a fev. 1979 · Irã e planalto iraniano

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Revolução de 1978–1979 que derrubou a monarquia iraniana, com Ruhollah Khomeini como figura central.

Petróleo, inflação e êxodo rural

Sheikhzadegan (2018) parte do golpe de 1953, que desmontou o partido Tudeh e a Frente Nacional e deixou a oposição laica sem organização. A renda do petróleo saltou de 2,5 bilhões de dólares em 1972 para 5,1 bilhões em 1973 e 18,7 bilhões em 1974; em 1976 o petróleo respondia por 97,5% das exportações de mercadorias. O custo de vida subiu de 100 em 1970 para 160 em 1975 e 190 em 1976. A população passou de 18,9 milhões em 1956 para 33,7 milhões em 1976, e a urbana de 5,9 para 15,8 milhões (de 31% para 47% do total), com a reforma agrária acelerando a migração para as cidades. A campanha do governo contra a especulação afastou o bazar. O autor cita ainda a pressão do governo Carter, que levou a uma abertura política em 1976, e a doença do xá. (Sheikhzadegan 2018)

Do artigo de jornal ao ciclo dos quarenta dias

Em 7 de janeiro de 1978 o jornal Ettelaat publicou um artigo que atacava Khomeini, então no exílio. Estudantes dos seminários de Qom protestaram e a polícia abriu fogo. No quadragésimo dia, data de luto na tradição xiita (arbaʿin), houve manifestações em Tabriz, e daí em diante cada repressão gerou nova cerimônia quarenta dias depois, num ciclo que espalhou o protesto pelo país, segundo Sheikhzadegan (2018). Em 6 de outubro de 1978 Khomeini se instalou em Neauphle-le-Château, perto de Paris, e suas mensagens chegavam ao Irã pelo serviço persa da BBC, ouvido em rádios de ondas curtas, e por fitas cassete. A greve da imprensa, de 6 de novembro de 1978 a 16 de janeiro de 1979, terminou com o Ettelaat chamando Khomeini de "emam". (Sheikhzadegan 2018)

Uma coalizão diversa em torno de Khomeini

O movimento reuniu correntes muito diferentes. Sheikhzadegan (2018) destaca Ali Shariati, formado na Sorbonne e leitor de Fanon, que difundiu a ideia dos mostazafin (os oprimidos), e as guerrilhas dos Mojahedin, fundados em 1965, e dos Fadaʾiyan, de 1971. Khatuntsev (2024) estuda o Movimento de Libertação do Irã, de Mehdi Bazargan, aliado ao clero moderado na organização dos protestos; segundo o autor, Bazargan tentou manter a primazia do grupo apesar da popularidade crescente de Khomeini e chegou a buscar o apoio do exército contra a ala radical do clero, tese que é dele. Sternfeld (2014), que vê a revolução como uma das mais populares do séc. XX, apoiada por todas as classes e confissões, examina a participação dos judeus de Teerã por meio da Sociedade de Intelectuais Judeus Iranianos e do Hospital Beneficente Sapir. (Sheikhzadegan 2018; Sternfeld 2014; Khatuntsev 2024)

Da queda do xá à república islâmica

Depois da saída do xá, liberais da Frente Nacional e do Movimento de Libertação foram incorporados ao governo provisório. Em março de 1979 um referendo aprovou a república islâmica, e em dezembro outro referendo aprovou a constituição baseada no velayat-e faqih, a tutela do jurista islâmico. Sheikhzadegan (2018) registra a mobilização dos pobres urbanos a favor do novo regime, a ocupação da embaixada dos EUA em novembro de 1979 e o silenciamento do aiatolá Shariatmadari. O título do artigo resume a pergunta do autor: se aquela foi uma revolução social feita em nome de uma religião. (Sheikhzadegan 2018)

Fontes

  1. Abrahamian, E. (2008). A History of Modern Iran. Cambridge University Press. DOI 10.1017/cbo9780511984402. Acessar
  2. Sheikhzadegan, A. (2018). "A social revolution in the name of a religion? The Islamic Revolution of 1978/79 in Iran". sozialpolitik.ch 1/2018. DOI 10.18753/2297-8224-99. Acessar
  3. Sternfeld, L. (2014). "The Revolution's Forgotten Sons and Daughters: The Jewish Community in Tehran during the 1979 Revolution". Iranian Studies 47(6): 857–869. DOI 10.1080/00210862.2014.948744. Acessar
  4. Khatuntsev, E. V. (2024). "The role of the Movement for the Liberation of Iran in the Islamic Revolution 1978–1979". Vestnik RGGU. Seriia Politologiia. Istoriia. Mezhdunarodnye otnosheniia n. 5: 162–176. DOI 10.28995/2073-6339-2024-5-162-176. Acessar

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