Atlas da História

Protesto do Tabaco no Irã

1890–1892 (concessão em 1890; boicote nacional em dez. 1891) · Irã e planalto iraniano

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Movimento nacional contra a concessão, dada em 1890 a um súdito britânico, do controle sobre o cultivo, a venda e a exportação do tabaco iraniano. Comerciantes, clérigos xiitas e reformistas protestaram em várias cidades; depois de uma fatwa emitida em nome do marja Mirza Hasan Shirazi, o boicote de dezembro de 1891 foi observado em todo o país, e o governo cancelou a concessão.

Concessões anteriores e o monopólio do tabaco

Keddie lembra que, no início da década de 1870, a oposição já cancelara uma concessão ampla dada ao barão Julius de Reuter, mas que em 1888 o governo britânico usou a reivindicação de indenização de Reuter para forçar o xá Naser al-Din a reinstalar partes do acordo, entre elas o direito exclusivo do Banco Imperial da Pérsia de emitir cédulas. O monopólio do tabaco, concedido em 1890 depois da terceira viagem do xá à Europa, foi mantido em segredo até o jornal Akhtar o criticar no fim daquele ano. Era um produto já cultivado e usado em todo o país, consumido em narguilés por homens e mulheres e também exportado, o que ampliou o alcance da oposição. (Keddie 2013)

Quem se opôs e por quê

Segundo a autora, os comerciantes perdiam lucros com o comércio do tabaco; as pessoas comuns resistiam a entregar tanto controle sobre a vida e o sustento a estrangeiros; os ulama desgostavam da presença crescente de estrangeiros e de seus costumes; e muitos viam na concessão um passo rumo ao controle estrangeiro do país. O clero xiita, com laços familiares e ideológicos com as classes do bazar, aderiu também pela indignação com o fato de uma companhia cristã estrangeira controlar o comércio. Os protestos usaram manifestações de massa, muitas vezes dirigidas por clérigos, e a recusa a vender tabaco à companhia; o primeiro grande protesto ocorreu em Shiraz. (Keddie 2013)

A fatwa, o boicote e o cancelamento

Jamal al-Din "al-Afghani", exilado no Iraque otomano em 1891, escreveu ao marja Hajj Mirza Hasan Shirazi pedindo que denunciasse a venda do Irã aos europeus. Uma fatwa foi emitida em nome de Shirazi, que a confirmou quando sua autoria foi questionada: enquanto a concessão existisse, o uso e o comércio de tabaco contrariavam a vontade do Imã Oculto. O boicote começou em Isfahan, espalhou-se e, em dezembro de 1891, foi observado até pelas esposas do xá e por não muçulmanos, segundo os relatos que Keddie resume. Quando o governo tentou acabar só com o monopólio interno, uma manifestação em Teerã terminou com mortos por tiros do governo e foi seguida de protestos ainda maiores; o governo cancelou toda a concessão, ficando com uma grande dívida de indenização à companhia. (Keddie 2013)

Herança: aliança e métodos

Keddie vê no movimento a origem de uma aliança tática entre modernizadores (babis, laicos e nacionalistas), comerciantes ameaçados pelo domínio econômico ocidental e parte dos ulama, aliança que reapareceria em 1905–1911. O movimento também experimentou métodos reutilizados depois: panfletos, manifestações de massa e contato por telégrafo entre as cidades iranianas e os santuários xiitas do Iraque. Nos anos seguintes, o Estado comprou parte dos ulama com subsídios e deteve a concessão de monopólios a estrangeiros, mas, para a autora, a autocracia aliada ao imperialismo tornava inevitável novo ciclo de resistência. (Keddie 2013)

Fontes

  1. Keddie, N. R. (2013). "Iran: Nonviolent Revolts, 1890–1906". In: Bartkowski, M. J. (org.), Recovering Nonviolent History: Civil Resistance in Liberation Struggles. Boulder/Londres: Lynne Rienner, cap. 8, pp. 143–158. PDF aberto em nonviolent-conflict.org (ICNC).

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