Atlas da História

Naufrágio e motim do Batavia (Houtman Abrolhos, 1629)

jun. 1629 (naufrágio, segundo o Australian National Maritime Museum); a página lida não data o fim dos assassinatos · Austrália / Sahul

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Em junho de 1629, o navio-almirante Batavia, da Companhia Holandesa das Índias Orientais (VOC), encalhou num recife perto da ilha Beacon, no arquipélago Houtman Abrolhos, no oeste da Austrália. Segundo o Australian National Maritime Museum, cerca de 100 das cerca de 340 pessoas a bordo morreram no encalhe e 125 foram assassinadas depois, sob o comando de Jeronimus Cornelisz, vice de Pelsaert; 70 inocentes foram resgatados. O caso faz parte dos contatos holandeses com a costa oeste australiana, que seguiam a rota de Brouwer.

A viagem e o motim planejado

Segundo o Australian National Maritime Museum, a VOC enviou o Batavia, seu navio-almirante, em outubro de 1628, de um porto holandês à colônia que hoje é Jacarta. O museu fala em cerca de 340 pessoas a bordo, entre marinheiros, oficiais, soldados e gente que ia começar a vida na colônia, numa frota de oito navios e com prata em moedas. O capitão era Ariaen Jacobsz e o comandante da frota, Francisco Pelsaert, mas os dois se odiavam. O vice de Pelsaert, Jeronimus Cornelisz, fugia da Holanda por ser perseguido como herege, e o museu diz que ele não acreditava em céu nem inferno. Cornelisz e Jacobsz tramaram um motim para eliminar Pelsaert e tomar a carga. Numa tempestade perto do Cabo da Boa Esperança o Batavia se separou da frota. (Australian National Maritime Museum)

Beacon Island, junho a setembro de 1629

Numa noite de tempestade de junho de 1629, o Batavia encalhou num recife perto da ilha Beacon, e o museu diz que cerca de 100 das 340 pessoas morreram. Como as ilhas ao redor não tinham água nem comida, Pelsaert, Jacobsz e cerca de 40 pessoas remaram uns 3.000 km até a colônia para pedir socorro. Em Beacon Island, Cornelisz tomou o comando dos sobreviventes, desarmou-os e mandou matar quem via como rival ou fraco. Segundo o museu, 125 pessoas foram assassinadas, e ele e seus homens estupraram mulheres. Um grupo de 22 soldados comandados por Wiebbe Hayes, enviado a outra ilha, achou água e comida, repeliu dois ataques e prendeu Cornelisz no terceiro. Quando o navio de socorro chegou, Hayes avisou a tripulação. Cornelisz e seus mais próximos foram enforcados; outros 16 foram levados a Batávia e executados; dois acusados de crimes menores foram deixados na costa australiana. Setenta sobreviventes inocentes embarcaram no navio de resgate. (Australian National Maritime Museum)

A rota de Brouwer e a costa australiana

Ariese (2012) situa o Batavia numa história maior. A VOC tornou obrigatória, em 1616, a rota de Brouwer, em que os navios viravam para nordeste depois de certa distância, e os que não viravam a tempo corriam o risco de topar com a costa oeste da Austrália. O Eendracht, de Dirk Hartog, chegou ali em 1616 por acidente e pregou uma placa de estanho com inscrição num poste, na ilha que hoje leva o nome dele. Outras viagens se seguiram, como as de Abel Tasman em 1642 e 1644 e a de Willem de Vlamingh em 1696. Os objetivos eram mapear a costa por segurança e avaliar o comércio com a população aborígene, e as viagens voltaram a Amsterdã relatando que não havia nada de interesse comercial. (Ariese 2012)

Como o caso voltou à memória

O museu conta que os diários de Pelsaert foram publicados em 1647, que o naufrágio só foi encontrado em 1963 e que uma expedição de cinco anos, a partir de 2014, achou túmulos e objetos nas ilhas. Ariese (2012) acrescenta que, em 1840, o agrimensor britânico John Lort Stokes, a bordo do Beagle, encontrou destroços nos Abrolhos e deu nomes de ilhas e canais em referência ao Batavia e ao Zeewijk, e que livros como os de Mike Dash (2009) e Peter FitzSimons (2011) viraram best-sellers na Austrália. A tese critica a forma como as galerias do Museu de Austrália Ocidental apresentam essa história. (Australian National Maritime Museum; Ariese 2012)

Fontes

  1. Australian National Maritime Museum, "The Batavia shipwreck disaster", história publicada em 12/09/2024 (sem autor indicado na página). https://www.sea.museum/2016/06/04/barbarism-and-brutality-surviving-the-batavia-shipwreck. Texto integral lido em 03/11/2026 (HTML baixado, extraído em texto bruto). Acessar
  2. Ariese, Csilla E. (2012). "A Series of Firsts – Australian & Dutch Representations of the Dutch East India Company (VOC)". Dissertação de mestrado em Estudos Internacionais de Museus, Universidade de Gotemburgo (Escola de Estudos Globais), supervisão de Anita Synnestvedt; cópia no repositório da Universidade de Leiden, https://hdl.handle.net/1887/23581. Capítulos sobre a VOC na Austrália e a redescoberta dos naufrágios lidos em 03/11/2026 (PDF, texto bruto). Acessar

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