Atlas da História

Primeira Frota (início da colonização britânica da Austrália)

partida em 1787 (Wikidata); data de chegada não verificada · Austrália / Sahul

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Onze navios que saíram da Grã-Bretanha para fundar a colônia penal que se tornou o primeiro assentamento europeu na Austrália. Para a historiografia da fronteira, marca o início da tomada das terras aborígenes e da resistência a ela.

De Botany Bay a Port Jackson, janeiro de 1788

Segundo Moyal (2017), a frota tinha dois navios da Marinha Real, o Sirius e o Supply, seis transportes fretados e três navios de carga; partiu da Grã-Bretanha em 13 de maio de 1787 e fez escalas no Rio de Janeiro e no Cabo. Os números variam conforme a fonte: Moyal fala em cerca de 1.500 pessoas, com uns 775 condenados e 50 crianças, e Heiss (2013), em 717 condenados e 290 fuzileiros, mulheres e crianças. Arthur Phillip chegou a Botany Bay em 18 de janeiro de 1788, julgou a baía pobre em água doce e, a partir do dia 21, examinou Port Jackson, onde escolheu a enseada que chamou de Sydney Cove, junto a uma nascente. Em 25 de janeiro os onze navios estavam reunidos no porto; no dia 26 a bandeira britânica foi hasteada e a posse do território tomada em nome do rei Jorge III. Moyal observa que nenhum condenado, nenhuma mulher e nenhuma criança estava na cerimônia. Heiss lembra que a posse foi declarada sem nenhuma menção aos donos anteriores da terra, embora os despachos de Phillip registrassem o forte vínculo dos aborígines de Sydney com ela. (Moyal 2017; Heiss 2013)

Os Eora e seus clãs na chegada dos navios

Pelos vocabulários da época, os habitantes da costa de Sydney se chamavam Eora (yura), que quer dizer "gente". Eram ligados por parentesco e por uma língua comum, falada do rio Georges e de Botany Bay, ao sul, até Pittwater, ao norte, e Parramatta, a oeste. Os clãs levavam o nome do lugar que habitavam ou de um totem, com o sufixo -gal, e reuniam de 20 a 60 pessoas; casavam-se com gente de clãs vizinhos. No rio Parramatta viviam os Wangal, os Wallumedegal e os Burramattagal; Colebee era chefe dos Cadigal, do porto. Bennelong dizia a David Collins que a ilha de Me-mel, perto de Sydney Cove, tinha sido de seu pai (Smith 2009). Ao entrar em Botany Bay, o cirurgião George Worgan viu homens armados de lanças nas rochas da margem sul, que gritavam e apontavam para os navios. Em fevereiro de 1788, Phillip calculou que viviam de 1.400 a 1.600 pessoas em Port Jackson, Broken Bay e Botany Bay (Moyal 2017). Heiss (2013) lembra que James Cook e Joseph Banks supuseram em 1770 um interior vazio e um povo que fugiria e abandonaria a terra. (Smith 2009; Moyal 2017; Heiss 2013)

Ordens de conciliação e homens capturados

As instruções de Jorge III, de abril de 1787, mandavam Phillip abrir contato com os nativos e "conciliar seus afetos". Como desde fevereiro de 1788 nenhum aborígine entrava no povoado, Phillip mandou capturar alguns. Arabanoo foi levado à força de Manly Cove em 30 de dezembro de 1788 e morreu de varíola em maio de 1789, depois de ajudar a cuidar de duas crianças doentes, Nanbarry e Boorong. Em novembro de 1789, Bennelong e Colebee foram amarrados e levados de barco a Sydney Cove; Colebee fugiu em 12 de dezembro. Bennelong buscou encaixar Phillip no sistema de parentesco de seu povo, chamando-o de "pai" (Smith 2009). As leituras desse período divergem. Moyal (2017) descreve 1788 como ano de contato e acomodação, citando a "primavera de confiança" de Inga Clendinnen, mas cita também Grace Karskens: por baixo das histórias de encontro havia a intenção firme de fundar uma colônia e tomar a terra, sustentada por armas. Smith (2009) lembra que os oficiais se viam como superiores aos Eora, embora deixassem registros indispensáveis para a história aborígine de Sydney. (Smith 2009; Moyal 2017)

Resistência e guerra na bacia de Sydney

Para Anita Heiss, escritora wiradyuri, os Gadigal e outros povos locais desmentiram Cook e Banks ao emboscar os condenados enviados ao mato para trabalhar. David Collins foi o primeiro oficial a reconhecer uma luta dura pela terra, e houve muitos atos de resistência contra a ocupação e a destruição dos sistemas sociais, religiosos e jurídicos aborígines. A pesca, o corte de árvores e a caça de cangurus pelos colonos esgotaram recursos e trouxeram fome no inverno; muitos montes de conchas foram queimados para fazer cal. Em 1790, quando o guerreiro bidjigal Pemulwuy feriu com uma lança um homem da fronteira que matava aborígines, Phillip ordenou uma expedição punitiva de 50 soldados para matar dez homens e capturar dois, que não capturou ninguém. A partir de 1800, o governador King autorizou os colonos a atirar em qualquer aborígine que vissem (Heiss 2013). Bennelong, depois de voltar da Inglaterra em 1795, retomou a vida tradicional, liderou um clã de cerca de cem pessoas ao longo do rio Parramatta e morreu em 1813 como ancião respeitado (Smith 2009). (Heiss 2013; Smith 2009)

Fontes

  1. Reynolds, H. (1976). "The other side of the frontier: Early aboriginal reactions to pastoral settlement in Queensland and Northern New South Wales". Historical Studies 17: 50–63. DOI 10.1080/10314617608595537. Acessar
  2. Wikidata Q1419429 (P585 1787; descrição 'to found the penal colony'); consultado via API em out. 2026
  3. Smith, K. V. (2009). "Bennelong among his people". Aboriginal History 33: 7–30. DOI 10.22459/ah.33.2010.01. Acessar
  4. Heiss, A. (2013). "First Contact". Sydney Barani, City of Sydney. https://www.sydneybarani.com.au/sites/first-contact/ (consultado em 07/10/2026). Acessar
  5. Moyal, A. (2017). "Arthur Phillip: 1788. The Foundation Year". Australian Dictionary of Biography, Australian National University. https://adb.anu.edu.au/essay/21/text34967 (consultado em 07/10/2026). Acessar

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