Atlas da História

Pitecusa e Cumas (séc. VIII a.C.): os primeiros assentamentos gregos na baía de Nápoles, segundo Estrabão e a necrópole de San Montano

séc. VIII a.C. (a tumba 168 da necrópole de Pitecusa é da segunda metade do séc. VIII a.C., segundo Valerio; Estrabão não dá ano e o item do Wikidata não tem data) · Europa Mediterrânea

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Segundo Estrabão, eretrios e calcídios povoaram Pitecusa, a ilha hoje chamada Ísquia, próspera pela fertilidade do solo e por minas de ouro, mas abandonada por discórdias internas e depois por terremotos e erupções. Em frente, Cumas teria sido fundada por Hípocles de Cumas e Megástenes de Cálcis e seria, para ele, o assentamento grego mais antigo da Itália e da Sicília. Na necrópole de Pitecusa, escavada por Giorgio Buchner, a tumba 168 reuniu 27 peças de cerâmica da segunda metade do séc. VIII a.C., entre elas a taça de Nestor.

Cumas segundo Estrabão

Na descrição da Campânia, Estrabão chega a Cumas depois de Vulturno. Diz que foi o assentamento mais antigo de calcídios e cumeus, e que os chefes da expedição foram Hípocles de Cumas e Megástenes de Cálcis. No começo a cidade prosperou, assim como a planície flégrea, onde a mitologia pôs a luta dos gigantes, segundo ele porque a fertilidade da terra provocara disputas por sua posse. Depois os campanos dominaram a cidade, e Estrabão acrescenta que ainda ali se veem traços do gosto grego nos templos e nas leis. (Estrabão. Geografia (Geographica))

Pitecusa segundo Estrabão

Defronte do cabo Miseno ficam Prócida e Pitecusa. Estrabão escreve que Pitecusa foi povoada por uma colônia de eretrios e calcídios, muito próspera pela fertilidade do solo e pelas minas de ouro. Os moradores a abandonaram por discórdias internas e foram por fim expulsos por terremotos e por erupções de fogo, mar e águas quentes. Os colonos que o rei de Siracusa, Hierão, enviou depois também a deixaram, com a cidade que haviam construído, e a ilha passou aos napolitanos. Estrabão liga o mito do gigante Tifão, que jaz sob a ilha e faz jorrar chamas quando se vira, a essas erupções. (Estrabão. Geografia (Geographica))

A necrópole de San Montano

Segundo Valerio, a necrópole do vale de San Montano, em Lacco Ameno, na ilha de Ísquia, foi escavada por Giorgio Buchner (1914-2005); a tumba 168 apareceu em outubro de 1954, ao fim da terceira campanha, e a campanha de junho de 1955 trouxe novos fragmentos. Era uma tumba em túmulo, de cremação, de um menino de 12 a 14 anos, cujo enxoval foi cremado com ele. A kotyle de Rodes que ficou conhecida como taça de Nestor tem 10,3 cm de altura e 15,1 cm de boca e é atribuída ao Geométrico Tardio II, segunda metade do séc. VIII a.C. Ela guarda uma inscrição métrica em alfabeto euboico, em dialeto jônico. A inscrição é tratada em registro próprio. (Valerio)

Fontes

  1. Estrabão. Geografia (Geographica), livro 5, cap. 4 (Campânia): parágrafos sobre Cumas e sobre Prócida e Pitecussa. Tradução inglesa de Hans Claude Hamilton e William Falconer (Londres: Henry G. Bohn, 1854–1857), pela edição digital do Perseus Project (Universidade Tufts), repositório PerseusDL no GitHub. Lidos em texto bruto os trechos sobre Cumas, Pitecussa, Prócida e as ilhas do mar Tirreno (a numeração por parágrafo não foi conferida). https://raw.githubusercontent.com/PerseusDL/canonical-greekLit/master/data/tlg0099/tlg001/tlg0099.tlg001.perseus-eng4.xml (baixado e lido em 29/10/2026). Acessar
  2. Valerio, Francesco. “Coppa di Nestore”. Axon [online], vol. 1, n. 1, jun. 2017, pp. 11-18 (verbete n. 12). Università Ca’ Foscari Venezia. DOI 10.14277/2532-6848/Axon-1-1-17-1. https://edizionicafoscari.it/media/pdf/article/axon/2017/1/art-10.14277-2532-6848-Axon-1-1-17-1_cVVTB1Q.pdf (baixado e lido em 29/10/2026). Acessar

Na mesma região