Atlas da História

Pentecôntero: o navio longo de cinquenta remos em uma fileira, tipo básico da marinha grega do século VIII a.C., e os usos que Heródoto lhe dá

pelo menos desde o início do séc. VIII a.C. como tipo básico de navio de guerra grego (Ducin); a construção do tipo é datada do fim do séc. VIII a.C. por Davison, citado por Ducin; ainda em uso nos séculos V–IV a.C. e depois · Europa Mediterrânea

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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O pentecôntero (pentēkontoros) era um navio longo de remos, com 25 remos de cada lado em uma só fileira e uma tripulação de cerca de 60 homens. Segundo Ducin, os gregos o usavam como navio de guerra básico pelo menos desde o início do séc. VIII a.C., e as imagens de navios longos na cerâmica geométrica e as menções de Homero a navios de 50 remos mostram o tipo. Heródoto o põe nas viagens longas dos focenses até Tartessos, na fuga deles diante dos persas e na expedição de Bato a Cirene.

O tipo e suas medidas

Segundo Ducin, o navio de guerra básico dos gregos desde o início do séc. VIII a.C. era o pentecôntero (πεντηκόντορος), de 25 remos por lado, também chamado "monócroto" porque os remos ficavam em uma só fileira. Sua estimativa é de bem mais de 30 m de comprimento, até 35–37 m, de 4,5 a 5 m de boca, calado inferior a 90 cm e 60 homens no total. O triacontoro, de 30 remos, seria 7 a 9 m mais curto, com boca parecida, e o de 20 remos (eicosoro), menor ainda. (Ducin)

Imagens, versos e o esporão

Ducin cruza as descrições de Homero, onde há navios de 20, 50 e até 100 remos, com as imagens de navios longos na cerâmica geométrica. Entre elas, mostra dois formatos: navios abertos, sem coberta, e navios com meias-cobertas na popa e na proa. Ducin, que cita Doorninck em nota, diz que o esporão aparece já plenamente formado na cerâmica do séc. IX a.C., e pode ter surgido por volta de 1000 a.C. ou pouco depois. Lembra que Homero não menciona o triacontoro, que ele julga característico do séc. VIII a.C., e diz que o navio de 118 remos de Homero seria exceção. (Ducin)

Nos relatos de Heródoto

Heródoto (1.163) afirma que os focenses foram os primeiros gregos a fazer longas viagens marítimas, e que o faziam em navios de cinquenta remos, não em cargueiros redondos; assim chegaram a Tartessos, cujo rei Argantônio os recebeu. Quando Harpago cercou Foceia, eles lançaram seus navios de cinquenta remos, embarcaram filhos, mulheres, bens móveis e as estátuas dos templos e partiram para Quios. No livro IV, no relato de Cirene, os tereus enviam Bato, com dois navios de cinquenta remos, à Líbia. Em 7.36 e 7.184, navios de cinquenta remos ajudam a sustentar a ponte de Xerxes e entram na conta da tropa naval persa. (Heródoto. The Histories (Histórias))

Do pentecôntero ao birreme

Ducin escreve que os navios de 30 e 50 remos tinham um defeito: o casco muito longo, fraco para a força das ondas e do combate, e instável de través, podia chegar a quebrar no meio. Por isso os construtores teriam passado a duas fileiras de remos em níveis diferentes, o que encurtou o casco e deu mais manobra, e ele cita Plínio, para quem os primeiros a ter navio de duas fileiras foram os erétrios. Navios de uma só fileira continuaram em uso, segundo muitos estudiosos, até o séc. III ou II a.C., mas os de 50 remos do período já seriam de duas fileiras (dícrotos). (Ducin)

Fontes

  1. Ducin, Stanisław. "The development of typology of warships in the Greek and Roman world throughout the eighth to first centuries BC". Res Historica, vol. 29, 2010, pp. 33-51 (Uniwersytet Marii Curie-Skłodowskiej, Lublin; publicado antes em Ancient Shipbuilding, org. R. Karotky, Odessa, 2004, pp. 89-101). https://bazhum.muzhp.pl/media/texts/res-historica/2010-tom-29/res_historica-r2010-t29-s33-51.pdf, consultado em 29/10/2026 Acessar
  2. Heródoto. The Histories (Histórias), livro I (cap. 163 e o relato da fuga dos focenses que o segue), livro IV (relato da fundação de Cirene) e livro VII (cap. 36 e 184). Trad. A. D. Godley. Cambridge, MA: Harvard University Press; Londres: William Heinemann, 1920-1925 (Loeb Classical Library). Perseus Digital Library (Tufts University), consultado em 29/10/2026. https://raw.githubusercontent.com/PerseusDL/canonical-greekLit/master/data/tlg0016/tlg001/tlg0016.tlg001.perseus-eng2.xml Acessar

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