Primeiros Jogos Olímpicos e a lista dos olimpionikes (tradicionalmente 776 a.C.): Ifito, Corebo e a disputa entre Élida e Pisa, segundo Pausânias e Estrabão
tradicionalmente 776 a.C. (a data consta no Wikidata, P571, e na conversão das olimpíadas feita pelos editores da tradução de Pausânias; nenhuma fonte antiga lida dá o ano em número) · Europa Mediterrânea
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Pausânias conta que os Jogos Olímpicos, em honra a Zeus em Olímpia, foram restabelecidos por Ifito, rei da Élida e contemporâneo de Licurgo, depois de uma interrupção de duração incerta, e que na primeira série ininterrupta de olimpíadas a única prova foi a corrida a pé, vencida por Corebo de Élis. As provas foram acrescentadas aos poucos, e o ano de 776 a.C. para a primeira olimpíada é a convenção moderna, não um dado das fontes antigas lidas. A presidência dos jogos foi disputada entre Élida e Pisa, e Estrabão registra que os pisatas organizaram jogos próprios depois da 26ª olimpíada.
Ifito e o recomeço dos jogos
Segundo Pausânias, Ifito, da linhagem de Oxilo e contemporâneo de Licurgo, o legislador dos lacedemônios, organizou os jogos e restabeleceu o festival e a trégua olímpica, depois de uma interrupção de duração incerta. A Grécia estava então desgastada por lutas internas e peste, e a pitonisa de Delfos teria ordenado que Ifito e os eleus renovassem os jogos. Ifito também levou os eleus a sacrificar a Héracles como deus. Pausânias nota que a inscrição de Olímpia chama Ifito de filho de Hemão, enquanto a maioria dos gregos o dizia filho de Praxônides e os antigos registros de Élis davam o pai de mesmo nome. (Pausânias. Descrição da Grécia (Description of Greece))
Como o programa de provas cresceu
Pausânias afirma poder provar que o festival foi retomado aos poucos: quando começou a tradição ininterrupta das olimpíadas, havia só a corrida a pé, vencida por Corebo de Élis, que não tem estátua em Olímpia, mas cujo túmulo fica na fronteira da Élida. Na 14ª festa entrou a corrida dupla, vencida por Hipeno de Pisa; no 18º festival se lembraram do pentatlo e da luta, vencidos por dois lacedemônios; na 23ª, o boxe, vencido por Onomasto de Esmirna; na 25ª, a corrida de carros, e depois o pancrácio e a corrida de cavalos. As provas de meninos foram criadas pelos próprios eleus. Os números de festa são os de Pausânias; os anos a.C. que aparecem no texto das edições são dos editores. (Pausânias. Descrição da Grécia (Description of Greece))
Mulheres: a proibição e as vencedoras
Pausânias conta que, pela lei da Élida, as mulheres surpreendidas assistindo aos jogos, ou do outro lado do Alfeu nos dias proibidos, eram lançadas do monte Tipeu. Ele diz que só uma foi apanhada, Calipateira (alguns dão o nome Ferenice): viúva, disfarçou-se de treinador para levar o filho Pisirodo a competir. Quando ele venceu, ela pulou o cercado dos treinadores e a roupa se abriu, revelando seu sexo, mas foi poupada pela memória do pai, dos irmãos e do filho, todos vencedores em Olímpia; desde então os treinadores passaram a entrar despidos. Pausânias também registra que a vencedora proclamada na prova de carro de parelha de potros foi Belístique, mulher do litoral da Macedônia (o relato é indireto: “diz-se”). (Pausânias. Descrição da Grécia (Description of Greece))
Fontes
- Pausânias. Descrição da Grécia (Description of Greece), livro 5 (Élida I): passagens sobre Ifito e o restabelecimento dos jogos, a origem dos jogos segundo os antiquários de Élida, a lista de provas por festival, os juízes (hellanodikai) e a lei sobre as mulheres; livro 4, passagens sobre as guerras messênias que citam olimpíadas. Tradução inglesa de W. H. S. Jones e H. A. Ormerod (Cambridge, MA: Harvard University Press, Loeb Classical Library), pela edição digital do Perseus Project (Universidade Tufts), repositório PerseusDL no GitHub. As glosas de datas a.C. no texto lido são dos editores, não de Pausânias. https://raw.githubusercontent.com/PerseusDL/canonical-greekLit/master/data/tlg0525/tlg001/tlg0525.tlg001.perseus-eng2.xml (baixado e lido em 29/10/2026). Acessar
- Estrabão. Geografia (Geographica), livro 8, cap. 3 (Élida e Pisatida): parágrafos sobre o templo de Zeus em Olímpia e sobre os jogos dos pisatas. Tradução inglesa de Hans Claude Hamilton e William Falconer (Londres: Henry G. Bohn, 1854–1857), pela edição digital do Perseus Project (Universidade Tufts), repositório PerseusDL no GitHub. https://raw.githubusercontent.com/PerseusDL/canonical-greekLit/master/data/tlg0099/tlg001/tlg0099.tlg001.perseus-eng4.xml (baixado e lido em 29/10/2026). Acessar
Na mesma região
- Pentecôntero: o navio longo de cinquenta remos em uma fileira, tipo básico da marinha grega do século VIII a.C., e os usos que Heródoto lhe dá pelo menos desde o início do séc. VIII a.C. como tipo básico de navio de guerra grego (Ducin); a construção do tipo é datada do fim do séc. VIII a.C. por Davison, citado por Ducin; ainda em uso nos séculos V–IV a.C. e depois
- Fundação de Roma (tradicionalmente 753 a.C.): o relato de Lívio, as datas de Dionísio de Halicarnasso e a tese de Carandini tradicionalmente 753 a.C. (21 de abril, no P585 do Wikidata); Dionísio de Halicarnasso a põe no 1º ano da 7ª olimpíada e outros autores antigos dão datas diferentes
- Os Trabalhos e os Dias, de Hesíodo (séc. VIII a.C.?): as duas Lutas, a justiça e os senhores “devoradores de presentes”, nas palavras do poema séc. VIII a.C. (aprox.); o Wikidata (P571) dá 800 a.C. com precisão de século. Heródoto 2.53 diz que Hesíodo e Homero viveram não mais de quatrocentos anos antes dele
- Pitecusa e Cumas (séc. VIII a.C.): os primeiros assentamentos gregos na baía de Nápoles, segundo Estrabão e a necrópole de San Montano séc. VIII a.C. (a tumba 168 da necrópole de Pitecusa é da segunda metade do séc. VIII a.C., segundo Valerio; Estrabão não dá ano e o item do Wikidata não tem data)
- Homero: o poeta a quem a tradição grega atribui a Ilíada e a Odisseia, o "velho cego de Quios" e o que os textos lidos dizem e não dizem sobre ele sem data segura (Heródoto: cerca de 400 anos antes dele); o atlas ancora no séc. VIII a.C. (c. 750 a.C., com folga de um século) porque as inscrições de Pitecusa e do Dípilon, de c. 740–720 a.C., já usam a dicção épica
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