Atlas da História

Orrorin tugenensis

c. 6 milhões de anos atrás (Richmond e Jungers 2008; Almécija et al. 2013) · África Oriental

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Hominíneo candidato do fim do Mioceno, conhecido por fósseis da Formação Lukeino, no Quênia, com cerca de 6 milhões de anos. O fêmur BAR 1002'00 é a peça central de um debate sobre bipedalismo e sobre se a espécie pertence mesmo à linhagem humana.

O fêmur BAR 1002'00 e o bipedalismo

O osso mais discutido de Orrorin é um fêmur do Quênia, catalogado como BAR 1002'00. Richmond e Jungers (2008) o compararam com fêmures de macacos, de Australopithecus, de Paranthropus e de Homo: ele difere dos de macacos e de Homo e se parece mais com os de australopitecos e Paranthropus, e os autores concluem que a espécie era bípede, com uma mecânica do quadril compartilhada com os australopitecos. Segundo eles, esse complexo teria surgido cedo na evolução humana e durado quase 4 milhões de anos, até as mudanças do quadril em Homo, no fim do Plioceno. (Richmond e Jungers 2008)

Uma forma entre macacos e australopitecos

Almécija et al. (2013) lembram que o fêmur foi descrito de início como muito parecido com o humano e que análises posteriores mostraram um padrão de australopiteco. Porém, o trocanter maior projetado para o lado, o trocanter menor voltado para dentro e um terceiro trocanter também aparecem em macacos do Mioceno. Com morfometria geométrica, num grande conjunto de antropoides, eles colocam Orrorin entre os macacos do Mioceno e os australopitecos no espaço de formas, e sugerem que as semelhanças do fêmur entre os grandes macacos atuais seriam derivadas e convergentes. (Almécija et al. 2013)

Quem faz parte da linhagem humana

A condição de hominídeo de Orrorin tem sido posta em dúvida desde o início. Haile-Selassie (2001) descreveu fósseis de 5,2 a 5,8 milhões de anos do Médio Awash, na Etiópia, ligados a um ambiente de mata e atribuídos a Ardipithecus. Para o autor, eles seriam a evidência definitiva mais antiga do grupo e levantam perguntas adicionais sobre o status de Orrorin, descrito no Quênia e datado em cerca de 6 milhões de anos. Richmond e Jungers (2008) tratam o fêmur como bípede, mas não mais próximo de Homo do que de Australopithecus. (Haile-Selassie 2001; Richmond e Jungers 2008)

Lukeino e a apresentação da espécie

O material de Orrorin vem da Formação Lukeino, no Quênia, como indica o título do artigo de Senut et al. (2001), 'First hominid from the Miocene (Lukeino Formation, Kenya)'. Almécija et al. (2013) o descrevem como um dos hominíneos putativos mais antigos, de cerca de 6 milhões de anos. A equipe de Senut inclui pesquisadores franceses (CNRS, Museu Nacional de História Natural e Collège de France), e o artigo também tem como coautor Kiptalam Cheboi (nome completo no Crossref), sem afiliação listada no OpenAlex. (Senut et al. 2001; Almécija et al. 2013)

Fontes

  1. Senut, B.; Pickford, M.; Gommery, D.; Mein, P. et al. (2001). "First hominid from the Miocene (Lukeino Formation, Kenya)". Comptes Rendus de l'Académie des Sciences - Series IIA - Earth and Planetary Science 332(2): 137–144. DOI 10.1016/s1251-8050(01)01529-4. Acessar
  2. Richmond, B. G.; Jungers, W. L. (2008). "Orrorin tugenensis Femoral Morphology and the Evolution of Hominin Bipedalism". Science 319(5870): 1662–1665. DOI 10.1126/science.1154197. Acessar
  3. Almécija, S.; Tallman, M.; Alba, D. M.; Pina, M. et al. (2013). "The femur of Orrorin tugenensis exhibits morphometric affinities with both Miocene apes and later hominins". Nature Communications 4: 2888. DOI 10.1038/ncomms3888. Acessar
  4. Haile-Selassie, Y. (2001). "Late Miocene hominids from the Middle Awash, Ethiopia". Nature 412: 178–181. DOI 10.1038/35084063. Acessar

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