Atlas da História

Sítios arqueológicos da Ilha de Meroé (Reino de Kush)

séc. VIII a.C. a séc. IV d.C. (UNESCO) · África do Norte

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Paisagem semidesértica entre o Nilo e o Atbara que foi o coração do Reino de Kush, potência do séc. VIII a.C. ao IV d.C. cujos governantes chegaram a dominar o Egito por quase um século. Em Meroé, Naqa e Musawwarat es-Sufra restam pirâmides, templos, reservatórios de água e vestígios de produção de ferro.

Estátua de rei kushita ajoelhado
Estátua de bronze com folha de ouro de um rei kushita ajoelhado, do período em que governantes de Kush dominaram o Egito (25ª dinastia). Mostra como os reis de Kush adotaram e recriaram a iconografia faraônica. Estátua de rei kushita ajoelhado, autoria não registrada, c. 721–664 a.C.. CC0 1.0 (domínio público). Ver no acervo
Jarro esférico com quatro faixas de decoração pintada
Jarro de cerâmica pintada do período meroítico, produzido na Núbia. A cerâmica fina decorada é um dos traços mais característicos da cultura material do reino de Kush em Meroé. Jarro esférico com quatro faixas de decoração pintada, autoria não registrada, 100 a.C.–300 d.C.. CC0 1.0 (domínio público). Ver no acervo

Cidade real, templos e reservatórios

Segundo a UNESCO, Meroé foi a residência principal dos governantes de Kush, e a partir do séc. III a.C. a maioria dos enterros reais passou a ser feita ali, em cemitérios de pirâmides. Musawwarat es-Sufra e Naqa, no interior semidesértico, eram centros religiosos; seus grandes reservatórios de água também guardam informação sobre o clima antigo. A arquitetura e a arte combinam traços egípcios, gregos, romanos e cuxitas, o que a UNESCO liga à posição da região num corredor de trocas entre a África ao sul do Saara e o Mediterrâneo. (UNESCO, lista nº 1336)

Mais de mil anos de produção de ferro

Jane Humphris e Thomas Scheibner (2017) obtiveram 97 datas por radiocarbono em montes de escória de Meroé e arredores. A produção de ferro durou mais de mil anos: pode ter começado já na época da 25ª dinastia, em meados do séc. VIII a.C., certamente florescia a partir do séc. VI a.C. e se estendeu até o período que os autores chamam de transição. Um dos montes estudados recebeu escória por cerca de 600 anos; em Hamadab, 3 km ao sul, a atividade só começou em meados do séc. III d.C. O combustível era carvão de Acacia nilotica, e o minério vinha de cerca de 9 km a nordeste da cidade. Em 1912, Sayce chamou Meroé de Birmingham da África antiga, e por muito tempo se supôs que a metalurgia teria se espalhado dali pelo Nilo; para os autores, essa hipótese de difusão hoje não se sustenta. (Humphris e Scheibner 2017)

Saques, entulho e proteção do sítio

A UNESCO registra os danos acumulados desde o séc. XIX: a caça ao tesouro de Ferlini, nos anos 1830, e os montes de entulho deixados por escavadores estrangeiros que vieram depois. A rodovia entre Cartum e Port Sudan aparece entre as pressões sobre o bem. A gestão cabe à autoridade sudanesa de antiguidades e museus (NCAM), que também autorizou as pesquisas de Humphris e Scheibner; um decreto de 2003 protege a área, inscrita na Lista do Patrimônio Mundial em 2011. (UNESCO, lista nº 1336; Humphris e Scheibner 2017)

Fontes

  1. UNESCO World Heritage Centre, "Archaeological Sites of the Island of Meroe", lista nº 1336. https://whc.unesco.org/en/list/1336/ (dados abertos data.unesco.org, consultados em 07/10/2026). Acessar
  2. Török, L. (1997). The Kingdom of Kush: Handbook of the Napatan-Meroitic Civilization. Brill. DOI 10.1163/9789004294011; ISBN 9789004104488. Acessar
  3. Humphris, J.; Scheibner, T. (2017). "A New Radiocarbon Chronology for Ancient Iron Production in the Meroe Region of Sudan". African Archaeological Review 34(3): 377–413. DOI 10.1007/s10437-017-9267-x. Acessar

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