Sítios arqueológicos da Ilha de Meroé (Reino de Kush)
séc. VIII a.C. a séc. IV d.C. (UNESCO) · África do Norte
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Paisagem semidesértica entre o Nilo e o Atbara que foi o coração do Reino de Kush, potência do séc. VIII a.C. ao IV d.C. cujos governantes chegaram a dominar o Egito por quase um século. Em Meroé, Naqa e Musawwarat es-Sufra restam pirâmides, templos, reservatórios de água e vestígios de produção de ferro.
Cidade real, templos e reservatórios
Segundo a UNESCO, Meroé foi a residência principal dos governantes de Kush, e a partir do séc. III a.C. a maioria dos enterros reais passou a ser feita ali, em cemitérios de pirâmides. Musawwarat es-Sufra e Naqa, no interior semidesértico, eram centros religiosos; seus grandes reservatórios de água também guardam informação sobre o clima antigo. A arquitetura e a arte combinam traços egípcios, gregos, romanos e cuxitas, o que a UNESCO liga à posição da região num corredor de trocas entre a África ao sul do Saara e o Mediterrâneo. (UNESCO, lista nº 1336)
Mais de mil anos de produção de ferro
Jane Humphris e Thomas Scheibner (2017) obtiveram 97 datas por radiocarbono em montes de escória de Meroé e arredores. A produção de ferro durou mais de mil anos: pode ter começado já na época da 25ª dinastia, em meados do séc. VIII a.C., certamente florescia a partir do séc. VI a.C. e se estendeu até o período que os autores chamam de transição. Um dos montes estudados recebeu escória por cerca de 600 anos; em Hamadab, 3 km ao sul, a atividade só começou em meados do séc. III d.C. O combustível era carvão de Acacia nilotica, e o minério vinha de cerca de 9 km a nordeste da cidade. Em 1912, Sayce chamou Meroé de Birmingham da África antiga, e por muito tempo se supôs que a metalurgia teria se espalhado dali pelo Nilo; para os autores, essa hipótese de difusão hoje não se sustenta. (Humphris e Scheibner 2017)
Saques, entulho e proteção do sítio
A UNESCO registra os danos acumulados desde o séc. XIX: a caça ao tesouro de Ferlini, nos anos 1830, e os montes de entulho deixados por escavadores estrangeiros que vieram depois. A rodovia entre Cartum e Port Sudan aparece entre as pressões sobre o bem. A gestão cabe à autoridade sudanesa de antiguidades e museus (NCAM), que também autorizou as pesquisas de Humphris e Scheibner; um decreto de 2003 protege a área, inscrita na Lista do Patrimônio Mundial em 2011. (UNESCO, lista nº 1336; Humphris e Scheibner 2017)
Fontes
- UNESCO World Heritage Centre, "Archaeological Sites of the Island of Meroe", lista nº 1336. https://whc.unesco.org/en/list/1336/ (dados abertos data.unesco.org, consultados em 07/10/2026). Acessar
- Török, L. (1997). The Kingdom of Kush: Handbook of the Napatan-Meroitic Civilization. Brill. DOI 10.1163/9789004294011; ISBN 9789004104488. Acessar
- Humphris, J.; Scheibner, T. (2017). "A New Radiocarbon Chronology for Ancient Iron Production in the Meroe Region of Sudan". African Archaeological Review 34(3): 377–413. DOI 10.1007/s10437-017-9267-x. Acessar
Na mesma região
- Pirâmide de Quéops c. 2560 a.C. (Wikidata)
- Mesquita de al-Azhar (Cairo fatímida) fundada em 970 (UNESCO) ou 971 (Wikidata)
- Rotas transaarianas: caravanas de ouro, sal, livros e pessoas entre o Magrebe e o Sahel séc. XII ao séc. XIX (UNESCO; Ngom, 2018); antecedentes desde o séc. VIII
- Ibn Battuta 24 fev. 1304 – c. 1368/69 (Gibb 1929)
- Sultanato de Senar (Funj) c. 1500/1505–1821
- Canal de Suez: construção 1859–1869 (inauguração em 17 nov. 1869)