Poço de Messel: um lago vulcânico do Eoceno
c. 47 milhões de anos atrás (Franzen et al. 2009; UNESCO) · Europa Ocidental e do Norte
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
O Poço de Messel, na Alemanha, é um antigo lago em cratera vulcânica, com xisto betuminoso com fósseis do Eoceno. Os fósseis incluem esqueletos inteiros, penas, pele e conteúdo estomacal, e entre eles há um primata de cerca de 47 milhões de anos.
Um lago aberto por uma explosão
Messel é um depósito de lago de maar, isto é, de uma cratera aberta por explosão vulcânica. A bacia se formou nessa explosão e o lago ficava cercado por uma floresta paratropical; a UNESCO descreve cerca de 190 metros de xisto betuminoso. Franzen et al. situam a fauna no início do Eoceno médio, em um intervalo chamado MP11, com idade radiométrica calculada de cerca de 47 milhões de anos, medida num fragmento de basalto de uma chaminé vulcânica sob o depósito. A UNESCO fala de 47 a 48 milhões de anos. (Franzen et al. 2009; UNESCO, lista nº 720)
Mais de mil espécies, de esqueletos a estômagos
Segundo a UNESCO, Messel tem mais de mil espécies de plantas e animais, de esqueletos articulados a penas, pele, pelos e conteúdo do estômago. O sítio é citado por estudos sobre a evolução da ecolocalização em morcegos e por dados sobre a evolução de primatas, aves e insetos. A inscrição como Patrimônio Mundial é de 1995, pelo critério de que é o melhor sítio para entender o Eoceno, época em que os mamíferos se firmaram nos principais ecossistemas terrestres. (UNESCO, lista nº 720)
O primata Darwinius masillae
Em 2009, Franzen, Gingerich, Habersetzer, Hurum, von Koenigswald e Smith descreveram Darwinius masillae, esqueleto de um jovem primata morto à beira do lago. Ele foi coletado em 1983 por particulares e vendido em duas partes. A menor foi restaurada, em parte com partes fabricadas, e foi para um museu particular nos Estados Unidos; a maior foi parar no Museu de História Natural da Universidade de Oslo. Antes disso só se conheciam oito fragmentos de primatas em Messel, sítio onde os primatas são raros. (Franzen et al. 2009)
Da mina ao patrimônio
Messel foi uma mina de xisto betuminoso, e a mineração terminou no fim dos anos 1960. Em 1971, o poço foi proposto como aterro de lixo, o que aumentou a prospecção científica e a preocupação pública. O governo do estado de Hesse comprou a área e a protegeu como monumento cultural. A gestão é compartilhada entre o governo, a Sociedade Senckenberg e uma organização sem fins lucrativos criada em 2003, segundo a UNESCO. (UNESCO, lista nº 720)
Fontes
- Franzen, J. L.; Gingerich, P. D.; Habersetzer, J.; Hurum, J. H. et al. (2009). "Complete Primate Skeleton from the Middle Eocene of Messel in Germany: Morphology and Paleobiology". PLoS ONE 4(5): e5723. DOI 10.1371/journal.pone.0005723. Acessar
- UNESCO World Heritage Centre, "Messel Pit Fossil Site", lista nº 720. https://whc.unesco.org/en/list/720/ (dados abertos data.unesco.org, consultados em 07/10/2026) Acessar
Na mesma região
- Homo heidelbergensis c. 609 mil a 299 mil anos atrás (mandíbula de Mauer, Wagner et al. 2010; crânio de Kabwe, quando incluído na espécie, Grün et al. 2020)
- Neandertais c. 430 mil a 40 mil anos atrás (Sima de los Huesos, Arsuaga et al. 2014; fim do Musteriense na Europa, Higham et al. 2014)
- Caverna de Chauvet c. 32.000–30.000 anos AP (UNESCO)
- Os caçadores-coletores do início do Holoceno europeu (c. 9750–6050 a.C.) mudaram a vegetação? A leitura de Nikulina e outros (2025) e a hipótese de baixo impacto c. 11.700–8000 anos cal AP (antes de 1950), que Nikulina e outros (2025) chamam de Holoceno inicial; em ano astronômico, −9750 a −6050. As simulações usaram janelas de 10.200 a 8200 anos cal AP (−8250 a −6250). Registro de interpretação, não de um fato de data única
- Fim do Dryas Recente e início do Holoceno (c. 9700 a.C. cal.): a definição do marco em gelo da Groenlândia e seus registros na Europa c. 11.700 anos b2k (antes de 2000 d.C.), erro máximo de contagem de 99 anos (2σ), segundo Walker e outros (2009); em ano astronômico, −9700 (9701 a.C.). O Dryas Recente termina no mesmo ponto: Crombé e outros (2024) o datam de c. 12.850 a c. 11.650 anos cal AP
- Star Carr (North Yorkshire, Inglaterra): as estruturas com esteios mais antigas conhecidas na Grã-Bretanha, c. 9300–8760 a.C. cal. c. 9300–8760 a.C. (anos calendários calibrados): a estrutura central esteve em uso em 9300–9200 a.C. cal. e a estrutura oeste foi construída em 8945–8760 a.C. cal. (95% de probabilidade), segundo Bates e outros (2024); em ano astronômico, −9299 a −8759. Não são os limites da ocupação do sítio, só as datas citadas das estruturas