Atlas da História

Sahelanthropus tchadensis

c. 7,2 a 6,8 milhões de anos atrás (datação da unidade com o crânio: Lebatard et al. 2008) · África Central

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Hominíneo do fim do Mioceno, conhecido por um crânio quase completo, mandíbulas e dentes achados no deserto de Djurab, no Chade, a cerca de 2.500 km do Vale do Rift. A unidade com os fósseis tem de 6,8 a 7,2 milhões de anos. Seu modo de locomoção e sua posição na árvore dos hominíneos seguem em debate.

Como se chegou a 7 milhões de anos

Os fósseis vêm de uma unidade de arenito do deserto de Djurab, rica em restos do grande antracotério Libycosaurus. A fauna associada já apontava cerca de 7 milhões de anos: é mais antiga que a de Lukeino, no Quênia (c. 6 milhões), e parecida com a da base da Formação Nawata, em Lothagam. Lebatard et al. (2008) mediram a razão entre o berílio-10 e o berílio-9 em 28 amostras da unidade e obtiveram uma idade que, nas barras de erro, fica entre 6,8 e 7,2 milhões de anos. Os autores afirmam que isso fixa uma referência para os primeiros estágios da evolução dos hominíneos e para calibrar o relógio molecular. (Lebatard et al. 2008)

O que o crânio e os dentes mostram

Brunet et al. (2002) apresentaram seis espécimes de Toros-Menalla, entre eles um crânio quase completo e fragmentos de mandíbula, e descreveram um mosaico de traços ancestrais e derivados. Em 2005, a mesma equipe publicou novos dentes e mandíbulas de três localidades vizinhas: um canino inferior sem o complexo de afiação típico dos macacos africanos, dentes pós-caninos com raízes de morfologia ancestral e esmalte de espessura intermediária. Para os autores, esses traços diferem dos de chimpanzés e gorilas e sustentam a posição da espécie perto da divisão entre as linhagens humana e do chimpanzé. (Brunet et al. 2002; Brunet et al. 2005)

Andava sobre duas pernas?

A resposta depende do osso e de quem o lê. Macchiarelli et al. (2020) descrevem um fêmur parcial achado em 2001 no mesmo local do crânio, reconhecido como de primata só em 2004; consideram que pertence a um hominíneo e, provavelmente, a Sahelanthropus, mas que o indivíduo não era um bípede habitual. Daver et al. (2022) analisam um fêmur e duas ulnas de TM 266: leem o fêmur como coerente com bipedalismo habitual e as ulnas como sinal de escalada frequente, o que sugeriria bipedalismo já há cerca de 7 milhões de anos junto com vida arborícola. Ambos os grupos tratam o osso como de um hominíneo, mas divergem sobre o que ele faz com a espécie. (Macchiarelli et al. 2020; Daver et al. 2022)

A pesquisa em duas pontas do Sahel

O material vem da Missão Paleoantropológica Franco-Chadiana, que trabalha na região de Toros-Menalla. Entre os autores dos artigos de 2002, 2005 e 2022 há pesquisadores da Universidade de N'Djamena, no Chade, ao lado de equipes de Poitiers e de outras instituições francesas e norte-americanas. A distância de 2.500 km até o Vale do Rift levou Brunet et al. (2002) a propor que os primeiros membros da linhagem humana tinham distribuição mais ampla do que se supunha, e a divergência com a linhagem do chimpanzé seria mais antiga do que a maioria dos estudos moleculares indicava. (Brunet et al. 2002; Brunet et al. 2005; Daver et al. 2022)

Fontes

  1. Brunet, M.; Guy, F.; Pilbeam, D.; Mackaye, H. T. et al. (2002). "A new hominid from the Upper Miocene of Chad, Central Africa". Nature 418: 145–151. DOI 10.1038/nature00879. Acessar
  2. Brunet, M.; Guy, F.; Pilbeam, D.; Lieberman, D. E. et al. (2005). "New material of the earliest hominid from the Upper Miocene of Chad". Nature 434: 752–755. DOI 10.1038/nature03392. Acessar
  3. Lebatard, A.-E.; Bourlès, D. L.; Duringer, P.; Jolivet, M. et al. (2008). "Cosmogenic nuclide dating of Sahelanthropus tchadensis and Australopithecus bahrelghazali: Mio-Pliocene hominids from Chad". Proceedings of the National Academy of Sciences 105(9): 3226–3231. DOI 10.1073/pnas.0708015105. Acessar
  4. Macchiarelli, R.; Bergeret-Medina, A.; Marchi, D.; Wood, B. (2020). "Nature and relationships of Sahelanthropus tchadensis". Journal of Human Evolution 149: 102898. DOI 10.1016/j.jhevol.2020.102898. Acessar
  5. Daver, G.; Guy, F.; Mackaye, H. T.; Likius, A. et al. (2022). "Postcranial evidence of late Miocene hominin bipedalism in Chad". Nature 609: 94–100. DOI 10.1038/s41586-022-04901-z. Acessar

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