Atlas da História

Xuanzang

c. 600/603 – 664 (Deeg 2019; Hwui Li, trad. Beal 1911) · Leste Asiático, Sul da Ásia, Ásia Central e Interior

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Monge budista chinês que partiu para a Índia a pé, via Ásia Central, em busca de textos, estudou em Nalanda e voltou a Chang'an em 645 com centenas de manuscritos. O relato Datang xiyu ji e a biografia escrita por seu discípulo Hui Li são fontes centrais para a Ásia Central e a Índia do século VII.

Formação e decisão de partir

Segundo a Vida escrita por Hui Li, discípulo de Xuanzang, ele nasceu perto de Kou-shih, na província de Honan, e se formou no budismo em mosteiros de Luoyang e do sudoeste. Ao estudar traduções chinesas divergentes, concluiu que precisava consultar os textos na Índia. A Vida diz que, aos 26 anos, ele decidiu ir; o pedido de licença foi negado e ele partiu mesmo assim, em 630 pela cronologia de Beal. Deeg (2019) lembra que o nascimento oscila entre 600 e 603, o que muda a conta da idade. (Hwui Li (Shaman) 1911; Deeg 2019)

A rota para o oeste

O relato descreve a travessia da fronteira em Guazhou, do deserto com a ajuda de um guia e dos postos de vigia, e a estada em Gaochang, cujo rei o tratou como irmão e lhe pediu que voltasse e ficasse três anos no reino. Seguiu por Kucha e pelo desfiladeiro de Muzart, entrou no mundo turco-sogdiano, visitou Samarcanda, Balkh e Bamiyan e atravessou o Hindu Kush. A Vida narra ataques de bandoleiros e reis que o retiveram, o que sugere que a viagem dependeu da hospitalidade de governantes locais. (Hwui Li (Shaman) 1911)

Anos de estudo na Índia

Na Índia, a Vida menciona dois anos na Caxemira, viagens por lugares ligados ao Buda, como Varanasi e Bodh Gaya, e a estada em Nalanda, onde teria estudado com Silabhadra. Ao final, o rei Harsha reúne uma assembleia em Kanyakubja. Deeg (2020), da Universidade de Cardiff, propõe tratar a descrição que Xuanzang faz da fundação de Nalanda como lenda de fundação, a comparar com inscrições e textos indianos, e não como prova direta nem como invenção. (Hwui Li (Shaman) 1911; Deeg 2020)

Retorno, traduções e uso moderno

A Vida registra a chegada à capital ocidental na primavera de 645, depois da passagem por Khotan, onde escreveu ao imperador. Xuanzang dedicou os anos seguintes a traduzir textos para o chinês, em Chang'an e Luoyang, até a morte em 664. Deeg (2019) mostra que, no século XIX, as traduções de Julien e Beal fizeram do seu relato a base para localizar sítios budistas na Índia, o que consolidou a imagem dele como fonte quase infalível, que o próprio Deeg convida a ler com mais cautela. (Hwui Li (Shaman) 1911; Deeg 2019)

Fontes

  1. Hwui Li (Shaman) (1911). The Life of Hiuen-Tsiang. Trad. S. Beal, com prefácio de L. Cranmer-Byng. Londres: Kegan Paul, Trench, Trübner (ed. popular). Texto integral em archive.org, identificador lifeofhiuentsian030569mbp.
  2. Deeg, M. (2019). "The Historical Turn: How Chinese Buddhist Travelogues Changed Western Perception of Buddhism". Hualin International Journal of Buddhist Studies 1(1): 43–75. DOI 10.15239/hijbs.01.01.02. Acessar
  3. Deeg, M. (2020). "How to Create a Great Monastery: Xuanzang's Foundation Legend of Nālandā in Its Indian Context". Hualin International Journal of Buddhist Studies 3(1): 228–258. DOI 10.15239/hijbs.03.01.07. Acessar

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