Amido em cálculo dentário de Ñanchoc (Peru): abóbora, amendoim, feijão e pacay na dieta de c. 8600 anos atrás
c. 8600 cal AP (c. 6650 a.C.), conversão dada pelos autores para "cerca de 8000 anos 14C AP"; os dentes foram associados a datas entre 8210 ± 180 e 6970 ± 60 anos 14C AP, que são idades de radiocarbono não calibradas e não valem como ano de calendário · Andes
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Em 2008, Piperno e Dillehay examinaram grãos de amido presos ao cálculo de 39 dentes humanos de quatro sítios do vale de Ñanchoc, no norte do Peru. Segundo os autores, os amidos de feijão (Phaseolus), amendoim (Arachis), polpa de abóbora (Cucurbita moschata) e pacay (Inga feuillei) aparecem de forma rotineira em dentes associados a datas de 8210 a 6970 anos 14C AP, o que indicaria sistemas de produção de alimentos eficazes por volta de 8000 anos 14C AP (c. 8600 cal AP). O método registra partes de plantas que quase nunca se preservam, mas não data cada dente nem mede quanto da vida de cada pessoa o cálculo representa.
Leia sobre isto
O vale e suas fases
Segundo Piperno e Dillehay (2008), a cultura pré-cerâmica de Ñanchoc é conhecida por 46 sítios no vale de Ñanchoc, afluente do vale do Zaña, a 500 m de altitude, na encosta ocidental baixa dos Andes. Casas de 13 estruturas escavadas, de ~10.100 a 5500 anos 14C AP, deram macrorrestos de plantas cultivadas, plantas silvestres coletadas e ossos de animais, o que os autores leem como economia mista de espectro amplo numa floresta tropical seca. Nas fases Paijan tardio e Las Pircas (10.000–7000 anos 14C AP) o cultivo se fazia perto de pequenas casas circulares permanentes; na fase Tierra Blanca (7000–5000 anos 14C AP), aparecem enxadas de pedra, mós maiores, canteiros, pequenos canais de irrigação e montículos públicos. (Piperno e Dillehay 2008)
O que o cálculo dentário guardou
Os autores estudaram 39 dentes humanos de ocupações Las Pircas em quatro sítios, a maioria isolados e vindos de pisos de casa selados. Eles vêm de um mínimo de seis a oito indivíduos, de ambos os sexos, mais três esqueletos completos. Amidos de sementes de Phaseolus e de Inga feuillei, da polpa de Cucurbita moschata e de nozes de Arachis estiveram presentes de forma rotineira em muitos dentes. Os autores dizem que esse método documenta plantas e partes delas que normalmente não se preservam, e que o conjunto traz evidência arqueológica antiga, antes não detectada, de feijão Phaseolus e de Inga feuillei, uma árvore frutífera importante. (Piperno e Dillehay 2008)
Como ler as datas
As datas associadas aos dentes vêm de osso humano, de cascas de amendoim carbonizadas e de carvão dos mesmos pisos: de 8210 ± 180 a 6970 ± 60 anos de radiocarbono (14C) antes do presente. Esses números não são anos de calendário. Na discussão, os autores dizem que, por volta de 8000 anos 14C AP (cerca de 8600 anos calendáricos AP), já havia um sistema agrícola com cultivos de sementes, hortaliças, árvores e raízes nas encostas ocidentais dos Andes peruanos. Eles também afirmam que povoados grandes e concentrados só aparecem nas Américas depois de 5000 anos 14C AP, e que muitos grupos andinos ainda viviam, entre 10.000 e 8000 anos 14C AP, como forrageadores marítimos e terrestres, em pequenos grupos móveis. (Piperno e Dillehay 2008)
Fontes
- Piperno, Dolores R.; Dillehay, Tom D. (2008). "Starch grains on human teeth reveal early broad crop diet in northern Peru". Proceedings of the National Academy of Sciences 105(50): 19622–19627. DOI 10.1073/pnas.0808752105 (resolve em doi.org). Texto baixado de https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC2604935/ em 29/10/2026. Acessar
- Watling, Jennifer; Shock, Myrtle P.; Mongeló, Guilherme Z.; Almeida, Fernando O.; Kater, Thiago; De Oliveira, Paulo E.; Neves, Eduardo G. (2018). "Direct archaeological evidence for Southwestern Amazonia as an early plant domestication and food production centre". PLOS ONE 13(7): e0199868. DOI 10.1371/journal.pone.0199868 (resolve em doi.org). Texto completo baixado pela API do Europe PMC, PMC6059402, em 29/10/2026. Acessar
Na mesma região
- Wilamaya Patjxa (altiplano de Puno, Peru): a jovem sepultada com um kit de caça e o debate sobre a divisão sexual do trabalho (c. 7000 a.C.) c. 8980–8730 cal AP (c. 7030–6780 a.C.), faixa calibrada de duas datas diretas de colágeno ósseo do indivíduo 6, segundo Haas e outros (2020)
- Mumificação artificial chinchorro (Arica e Camarones) c. 5450 a 890 a.C. (UNESCO)
- Abóbora, amendoim e algodão no vale de Ñanchoc (Peru): horticultura nas encostas andinas há cerca de 10.000 anos cerca de 10.000 anos atrás, segundo o resumo de Dillehay et al. 2007; sementes de abóbora com datação direta de 9240 ± 50 anos 14C AP (sem calibração publicada nos textos lidos)
- Caral c. 2627–1977 a.C. (datas calibradas)
- Chavín de Huántar (Peru): rapé de vilca e tabaco inalado por tubos de osso na Galeria 3, em depósitos de c. 800–350 a.C. c. 800–350 a.C. (faixa dos depósitos de uso da Galeria 3, segundo modelo bayesiano de Rick et al. 2025); a galeria foi selada por volta de 500 a.C. e escavada em 2017–2018
- Huaca Prieta: ocupação antiga do litoral peruano presença humana intermitente de c. 15 mil a 8 mil anos atrás, antes do monte; as camadas sob o monte vão de 15.217 a 10.158 cal AP (Dillehay et al. 2017)