Apocalipse de Pseudo-Metódio (c. 692): a conquista árabe lida como profecia em siríaco
c. 692, no reinado de ʿAbd al-Malik (685-705), segundo o verbete de Brock; antes se datava mais cedo no século VII · Mesopotâmia e Levante
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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O Apocalipse de Pseudo-Metódio é uma obra siríaca, atribuída ao bispo Metódio de Olímpia (morto em 312) mas composta no fim do século VII, que lê a história do mundo como resposta à ascensão do islã. Segundo Brock, a datação hoje aceita é por volta de 692, no reinado de ʿAbd al-Malik. Ela foi logo traduzida para o grego e o latim e teve grande influência no Ocidente medieval.
A obra e sua estrutura
Segundo Brock, os sete primeiros capítulos cobrem a história até a reconstrução do Templo, em 538 a.C., apoiados no texto bíblico e nas tradições da Caverna dos Tesouros. Alexandre Magno entra em ligação com Gog e Magog e recebe uma genealogia que o une à linhagem real da Etiópia, de Roma e de Bizâncio, para explicar o Salmo 68:31 ('Cuxe se entregará a Deus'), que o texto aplica ao último imperador bizantino. O motivo vem, diz Brock, do Romance de Juliano. O texto é atribuído a Metódio de Olímpia, mártir de 312, mas, para o verbete, foi composto no fim do século VII. (Brock)
Datação e circulação
A obra foi datada antes no início do século VII. Brock diz que hoje se pensa em cerca de 692, no governo de ʿAbd al-Malik (685-705). Ele afirma que o texto foi traduzido logo para o grego e depois para o latim, onde teve grande influência na Europa medieval. Cita também um texto apocalíptico fragmentário ligado a Edessa. As edições críticas citadas são a siríaca de Reinink (CSCO 540-541, 1993) e as formas mais antigas do grego e do latim de Aerts e Kortekaas (CSCO 569-570, 1998); o verbete não oferece mais detalhes. (Brock)
Os ismaelitas e o deserto
Segundo Grypeou, Pseudo-Metódio e Pseudo-Efrém abrem suas narrativas com quase as mesmas palavras: 'Um povo surgirá do deserto'. Em Pseudo-Metódio, os árabes são identificados com Ismael e opostos à terra cultivada. O texto os pinta como inumanos, com cenas de violência contra mulheres grávidas e crianças, que Grypeou compara às descrições de Gog e Magog na literatura siríaca anterior. Ela observa que tais imagens eram estereótipos antigos sobre nômades do deserto. O texto prevê quatro desastres que antecedem a tirania final: morte, destruição, ruína e desolação. (Grypeou)
O Último Imperador e a volta a Yathrib
Em Pseudo-Metódio, segundo Grypeou, a libertação virá com a figura messiânica do 'rei dos gregos', o Último Imperador, que dormia e sairá com grande ira. Ele devastará o deserto de Yathrib e fará os ismaelitas voltar para sua terra, e seus filhos tomarão as regiões do deserto e matarão à espada quem restar na Terra Prometida. Depois haverá paz: os cativos voltarão para casa, as igrejas serão renovadas e as cidades reconstruídas. A autora vê nisso a restauração da ordem política que as conquistas teriam perturbado. Ela cita à parte o Apocalipse de João, o Pequeno, em que um rei do Norte devasta os exércitos muçulmanos. (Grypeou)
Fontes
- Brock, Sebastian P. 'Methodius, Apocalypse of Pseudo-'. Gorgias Encyclopedic Dictionary of the Syriac Heritage: Electronic Edition (e-GEDSH), Beth Mardutho: The Syriac Institute. Lido em 31/10/2026 em gedsh.bethmardutho.org (página do verbete).
- Grypeou, Emmanouela (Universidade de Estocolmo). 'The Abomination of Desolation: Eastern Christian Apocalyptic Literature and the Symbolic Construction of Islam'. Collectanea Christiana Orientalia, v. 20, 2023, p. 57-71. Lido em PDF em 31/10/2026.
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