Jabir ibn Hayyan e o corpus de alquimia a ele atribuído: o que o Fihrist e Berthelot permitem dizer
séc. VIII ou IX; o Wikidata dá c. 721 – c. 815 e a Britannica de 1911 diz apenas "século VIII ou IX" · Mesopotâmia e Levante
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Jabir ibn Hayyan é o nome árabe ligado a cerca de 500 pequenos tratados de alquimia, segundo o Fihrist do séc. X. Esse mesmo catálogo registra quem dissesse que ele nunca existiu, e a Britannica de 1911 reconhece "considerável incerteza" sobre sua vida. Berthelot concluiu que a Summa perfectionis, publicada em latim como de "Geber", é obra de um autor latino do fim do séc. XIII, e que os textos árabes lidos por ele foram escritos entre os séculos IX e XII.
O que o Fihrist registra
Segundo a Britannica de 1911, o Fihrist (séc. X) dá o nome completo como Abu Abdallah Jaber ibn Hayyan ibn Abdallah al-Kufi, e diz que as autoridades discordam: uns o tinham por escritor de filosofia e retórica, outros pelo primeiro adepto da arte de fazer ouro e prata. O autor ouviu que Jaber escrevera só um livro e que nem existira, e rejeita as duas afirmações como ridículas, convencido de que existiu e deixou muitas obras importantes, de que cita os títulos de cerca de 500 tratados. Ele residiu sobretudo em Kufa, onde preparava o "elixir", mas outros diziam que nunca ficava muito tempo em lugar nenhum. Seu mestre seria Jafar ibn Yahya ou Jafar al-Sadiq, a quem se dirige no Livro da Realeza. ("Geber". Em Encyclopædia Britannica)
O "Geber" latino
Segundo o verbete, o nome Geber designou durante séculos o autor de tratados latinos de alquimia, como a Summa perfectionis magisterii, o De investigatione perfectionis, o De inventione veritatis e o Liber fornacum, tidos por traduções de originais árabes de Jaber. Berthelot examinou os seis textos e concluiu que os dois últimos da lista (Testamentum Geberi e Alchemia Geberi) são posteriores, e que o De investigatione, o De inventione e o Liber fornacum são extratos da Summa. Da Summa, concluiu que não há nela indício de origem árabe, nem no método, nem nos fatos, nem nos nomes citados, e a deu como obra original de um autor latino desconhecido da segunda metade do séc. XIII. O manuscrito da Biblioteca Nacional de Paris é de cerca de 1300. ("Geber". Em Encyclopædia Britannica)
Os textos árabes lidos por Berthelot
Berthelot mandou traduzir seis tratados árabes de manuscritos de Paris e de Leiden, entre eles o Livro da Realeza e o Livro das Balanças. Considerou certo que foram escritos entre os séculos IX e XII, antes das relações dos latinos com os árabes, mas não quis afirmar que fossem do próprio Jaber. O estilo é vago e alegórico, cheio de invocações muçulmanas; o autor sempre anuncia que vai falar sem mistério e nunca dá detalhes. Sustenta que toda qualidade aparente tem uma qualidade oculta oposta, não menciona a teoria da geração dos metais por enxofre e mercúrio, que se atribui a Geber, e admite a influência dos astros, que o Geber latino contesta. ("Geber". Em Encyclopædia Britannica)
Consequências para a história da química
O verbete acrescenta que Berthelot achou entre os manuscritos de Paris um tratado mutilado, o Liber de Septuaginta, traduzido por Renaldo de Cremona, que considerou a única obra latina conhecida que se pode ter por tradução do Jaber árabe. Nos textos árabes, Jaber diz ter reunido ali 70 dos seus 500 pequenos tratados, e os títulos do Fihrist coincidem em geral com os da obra latina. O verbete conclui que boa parte do saber químico atribuído aos árabes se apoiava nos escritos latinos de "Geber". Se esses forem originais latinos, o saber químico dos árabes terá sido superestimado e a Idade Média latina teria progredido mais do que se supunha. ("Geber". Em Encyclopædia Britannica)
Fontes
- "Geber". Em Encyclopædia Britannica, 11ª ed., vol. 11. Cambridge: Cambridge University Press, 1911 (verbete sem assinatura no texto lido), pela cópia da Wikisource consultada em 29/10/2026. https://en.wikisource.org/wiki/1911_Encyclop%C3%A6dia_Britannica/Geber Acessar
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