Atlas da História

Mshatta (Jordânia): palácio omíada de 743–744 ou obra abássida? A datação em debate segundo Grabar

c. 743–744 (datação tradicional, califa al-Walid ibn Yazid) ou depois de 750, até o fim do séc. VIII (hipótese abássida de Grabar, 1987) · Mesopotâmia e Levante

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Mshatta é um palácio inacabado na estepe da Jordânia, a cerca de 30 milhas ao sudeste de Amã, conhecido sobretudo pela faixa de escultura em pedra da fachada, levada no início do séc. XX para o Museu de Berlim. A datação aceita o liga ao califa omíada al-Walid ibn Yazid, em 743–744. Oleg Grabar propôs em 1987 que é mais provável uma construção abássida inicial, e a mudança altera o sentido do edifício: de castelo de lazer a sede formal de uma nova autoridade.

O consenso e seus quatro argumentos

Grabar resume assim o que se aceitava: Mshatta seria um palácio do fim da época omíada, provavelmente de al-Walid ibn Yazid, califa por poucos meses em 743–744, o que explicaria o estado inacabado. O primeiro argumento é uma crônica cristã egípcia do fim do séc. X, de Severo ibn al-Muqaffa', que fala de uma cidade que al-Walid construía numa região sem água e exigiu muitos operários do Egito e ficou incompleta; Lammens a aplicou a Mshatta, Sauvaget duvidou, e Creswell e quase todos aceitaram. O segundo é a mistura de temas mediterrâneos e orientais; o terceiro, a planta com salão formal e aposentos laterais; o quarto, a ideia de que toda grande obra islâmica na badia seria omíada. (Grabar 1987)

A crítica de Grabar à datação omíada

Grabar sustenta que a crônica, que trata da história da Igreja no Egito, serve no máximo como complemento e não identifica um lugar em outra província. Mostra que Mshatta difere de Khirbat al-Mafjar, Khirbat al-Minyah, Qusayr Amra e Qasr al-Hayr West pelo rigor geométrico da planta, pela ordem rígida do ornamento (triângulos na fachada, folhas de acanto e gavinhas) e pela falta da exuberância dos outros palácios. A divisão em zona formal axial e zona de moradia aparece também em Ukhaydir, no Iraque, datado em geral do fim do séc. VIII, e antes no palácio do governador em Kufa. Para ele, a fachada prefigura os primeiros estilos de Samarra. Quanto a uma data pré-islâmica, ele a exclui pelo mihrab embutido na muralha externa. (Grabar 1987)

A presença abássida e o sentido do edifício

Contra o argumento de que só os omíadas construíram na badia, Grabar lembra que as escavações de Qasr al-Hayr East mostram continuidade entre a fundação omíada e o declínio no fim do séc. IX; que um povoado omíada da Transjordânia foi tomado por um filho do califa al-Mahdi; que Ramla foi mantida pelos abássidas; e que cidades como Humayma pertenceram a membros da família abássida mesmo em época omíada. Perto de Mshatta há oito fundações omíadas, algumas com sistema de irrigação, como Muwaqqar. Nesse ambiente, ele propõe ver Mshatta como centro da nova autoridade, e a faixa ornamental da fachada como sinal da presença do novo poder, comparável às faixas de tiraz das vestes oficiais abássidas. (Grabar 1987)

Fontes

  1. Grabar, Oleg. "The Date and Meaning of Mshatta". Dumbarton Oaks Papers 41 (1987). Texto integral lido na digitalização do Internet Archive, consultada em 29/10/2026. https://archive.org/details/DOP41_23_Grabar Acessar

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