Mutazilismo: a origem da teologia racional em Basra
primeira metade do séc. II da hégira / séc. VIII d.C. (Ayub 2021); sem ano preciso · Mesopotâmia e Levante
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Escola de teologia racional (kalam) que, segundo a tradição e a síntese de Ayub (2021), surgiu em Basra na primeira metade do séc. VIII a partir de Wasil ibn Ata e do círculo de al-Hasan al-Basri, e depois se dividiu em ramos de Basra e de Bagdá. Quem a fundou e por que os dissidentes se "afastaram" (i'tazala) é discutido: outras versões põem Amr ibn Ubaid, e estudiosos modernos ligam a origem à política das guerras civis ou à teologia. Grande parte do que se sabe do grupo vem de textos de adversários.
Wasil, al-Hasan al-Basri e o "afastamento"
Segundo Ayub, que segue al-Shahrastani (Al-Milal wa al-Nihal), alguém perguntou a al-Hasan al-Basri se o autor de pecado grave era crente ou descrente. Enquanto o mestre refletia, Wasil ibn Ata interveio e disse que ele não era nem uma coisa nem outra, e sim ocupava uma posição intermediária (al-manzila bayn al-manzilatayn). Wasil deixou o círculo, seguido de outros alunos, e al-Hasan teria dito que Wasil se afastou (i'tazala) dos presentes. Dessa frase vem o nome da escola. Ayub informa que a escola é tida como fundada em Basra na primeira metade do século II da hégira (VIII d.C.) e que atingiu o auge entre os séculos IV/X e V/XI. (Ayub. "Mu'tazila in Western Scholarship: Their Origin)
Versões concorrentes e a crítica de Watt
Ayub resume as objeções de Montgomery Watt. Em outra versão, relatada por Ibn Qutayba, quem se retira do círculo de al-Hasan é Amr ibn Ubaid, e Ibn al-Nadim conta uma história diferente, em que Amr, defendendo a doutrina do al-qadar, deixa o círculo de Qatada. Nas fontes antigas de Ibn Sa'd, Ibn Qutayba e Ibn Batta só Amr é chamado de mutazilita. Para Watt, falta ainda prova de que Wasil ou Amr conhecessem o método grego de argumentação, traço distintivo da teologia mutazilita. Campanini cita Van Ess para sugerir que a divergência pode ter sido mais sobre terminologia do que sobre o estatuto do pecador. (Ayub. "Mu'tazila in Western Scholarship: Their Origin)
Política ou teologia: as teorias da origem
Segundo Ayub, Nyberg propôs em 1938, na Encyclopédie de l'Islam, que os mutazilitas apoiaram a revolução abássida; Gimaret rejeita a tese lembrando que o grupo participou da insurreição de Ibrahim ibn Abdullah contra al-Mansur. Nallino liga a origem à guerra civil entre Ali e Mu'awiya, com a "posição entre duas posições" como neutralidade, e Watt os vê como uma espécie de kharijitas moderados, sem diferença nítida até Abu al-Hudhayl al-Allaf. Stroumsa criticou o enfoque político: os primeiros mutazilitas não tinham plataforma única e eram uma "réplica em miniatura" do desacordo político no islã. (Ayub. "Mu'tazila in Western Scholarship: Their Origin)
Ideias gregas, atomismo e o declínio
Na geração seguinte a escola se dividiu em Basra, com Abu al-Hudhayl al-Allaf, que sistematizou cinco doutrinas centrais, e Bagdá, com Bishr ibn al-Mu'tamir. Ayub examina quanto os mutazilitas devem à filosofia grega: Tritton e Fakhry veem origens cristãs e gregas em várias ideias; Van Ess e Hourani lembram que os primeiros pensadores trabalharam quando poucos textos gregos estavam traduzidos e que a recepção foi seletiva. O exemplo é o atomismo, que em Abu al-Hudhayl serve para justificar a onipotência divina. Ayub diz que, com o fracasso da mihna de al-Ma'mun, o grupo perdeu o apoio do califado e foi desacreditado, mas deixou marcas no zaidismo, no asharismo e na teoria do direito. (Ayub. "Mu'tazila in Western Scholarship: Their Origin)
Fontes
- Ayub. "Mu'tazila in Western Scholarship: Their Origin, Originality, and Legacy". Taqaddumi: Journal of Quran and Hadith Studies 1(2): 80–91, 31 dez. 2021. DOI 10.12928/taqaddumi.v1i2.4676. https://journal2.uad.ac.id/index.php/taqaddumi/article/download/4676/2582. PDF e texto bruto lidos em 29/10/2026. Acessar
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