Atlas da História

Batalha de Hímera (480 a.C.): a derrota cartaginesa na Sicília, contada por gregos, por cartagineses e pelos mortos da cidade

480 a.C. (ano; o dia não consta dos textos lidos, e Heródoto e Diodoro o ligam a batalhas gregas diferentes) · Europa Mediterrânea

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Em 480 a.C. um exército cartaginês chefiado por Amílcar foi derrotado perto de Hímera, na costa norte da Sicília, por forças de Gélon de Siracusa e de Terão de Agrigento. Heródoto e Diodoro, que escrevem em grego, divergem sobre o motivo da campanha, o dia e a morte de Amílcar, e Heródoto transmite também o que os próprios cartagineses contavam. Os mortos dos túmulos coletivos da cidade, estudados por Reitsema e colegas (2022), mostram que parte dos soldados do lado grego tinha origem longe da Sicília.

Duas versões gregas da campanha

Heródoto traz um relato siciliano, no qual Terilo, tirano de Hímera expulso por Terão de Agrigento, chama Amílcar com apoio de Anaxilau de Régio, e diz que a vitória de Gélon e Terão foi no mesmo dia da de Salamina. Diodoro, que no trecho lido não cita Terilo, afirma que os cartagineses combinaram a ofensiva com os persas e dá o dia das Termópilas. Ele atribui ao exército cartaginês mais de 300.000 soldados e mais de 150.000 mortos; são números dos antigos, que a arqueologia lida não confirma. (Heródoto; Diodoro Sículo)

Os cativos e as obras de Agrigento

Segundo Diodoro, Gélon repartiu os prisioneiros entre os aliados em proporção ao contingente de cada um. Agrigento recebeu a maioria, a ponto de muitos particulares terem 500 acorrentados cada um. Os cativos públicos cortaram pedra para os maiores templos e abriram esgotos subterrâneos tão grandes que se tornaram motivo de visita, os phaiakes, nome tirado do supervisor Faiax. Diodoro acrescenta um tanque de peixes e vinhas plantadas na região. Ele não diz se os cativos eram cartagineses, líbios, iberos ou outros povos do exército. (Diodoro Sículo)

O que os mortos de Hímera acrescentam

Reitsema e colegas analisaram o genoma de 16 homens de túmulos coletivos associados à batalha de 480 a.C., no cemitério oeste da cidade, e de cinco da batalha de 409 a.C. Sete dos 16 se agrupam com ancestralidade egeia, mas nove têm origens na Europa central, no nordeste europeu, na estepe e no Cáucaso, e isótopos de estrôncio dos dentes indicam que nasceram longe de Hímera. Os autores leem isso como presença de mercenários no lado grego, algo que Heródoto e Diodoro não mencionam. O artigo diz que se acredita que os túmulos contêm soldados das duas batalhas, segundo escavações anteriores. (Laurie J. Reitsema et al. 2022; Heródoto; Diodoro Sículo)

Fontes

  1. Laurie J. Reitsema, Alissa Mittnik, Britney Kyle et al., 'The diverse genetic origins of a Classical period Greek army', Proceedings of the National Academy of Sciences 119(41), e2205272119 (2022). DOI 10.1073/pnas.2205272119. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9564095/ (texto completo lido em XML do Europe PMC) Acessar
  2. Heródoto, Histórias, livro 7, caps. 165 a 167 (relato siciliano e relato cartaginês), tradução inglesa de A. D. Godley (Harvard University Press, Loeb), edição digital do Perseus, PerseusDL tlg0016.tlg001.perseus-eng2.xml, versão modernizada com notas editoriais intercaladas (lida em texto bruto).
  3. Diodoro Sículo, Biblioteca Histórica, livro 11, passagem sobre Hímera, Gélon e Amílcar (capítulos 20 a 26 segundo a citação de Reitsema et al.), texto grego da edição de C. H. Oldfather, Perseus, PerseusDL tlg0060.tlg001.perseus-grc4.xml (lido em grego, texto bruto).

Na mesma região