Atlas da História

Reformas de Clístenes em Atenas (508/507 a.C.): dez phylai, demos e Conselho dos Quinhentos, segundo a Constituição de Atenas e Heródoto

508/507 a.C. (a Constituição de Atenas fala do “quarto ano depois da queda dos tiranos, sendo arconte Iságoras”; o ano em número vem da tradição e não está nos textos lidos) · Europa Mediterrânea

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Segundo a Constituição de Atenas, atribuída a Aristóteles, e Heródoto, depois da queda dos Pisistrátidas Clístenes, da família dos Alcmeônidas, perdeu a disputa por poder para Iságoras e se aliou ao povo; no quarto ano após a queda dos tiranos, ele redistribuiu os cidadãos em dez phylai no lugar de quatro, criou um Conselho de quinhentos e organizou o território em demos. Iságoras chamou o rei espartano Cleômenes, que expulsou setecentas famílias, mas o povo cercou os dois na Acrópole e chamou Clístenes de volta. A Constituição de Atenas diz que a ordem resultante era muito mais democrática que a de Sólon, enquanto Heródoto atribui parte do plano ao desprezo de Clístenes pelos jônios.

A disputa entre Iságoras e Clístenes

Segundo a Constituição de Atenas (20.1–20.3), depois da queda da tirania Iságoras, amigo dos tiranos, e Clístenes, dos Alcmeônidas, disputaram o poder; Clístenes, vencido pelas associações do rival, aproximou-se do povo. Iságoras chamou Cleômenes, hóspede seu, que expulsou setecentas casas. Quando tentou dissolver o Conselho e pôr Iságoras e trezentos amigos no comando, o Conselho resistiu e o povo se juntou. Cleômenes e Iságoras se refugiaram na Acrópole; no terceiro dia do cerco, os assediados saíram sob trégua e Clístenes e os outros foram chamados de volta. Heródoto (5.66, 5.69–5.73) conta o mesmo, dizendo que Iságoras “estava do lado perdedor”. (Aristóteles (atribuído). Constituição de Atenas (Ἀθηναίων πολιτεία); Heródoto. Histórias (The Histories))

Dez phylai no lugar de quatro

A Constituição de Atenas (21.2–21.3) diz que, no quarto ano depois da queda dos tiranos, no arcontado de Iságoras, Clístenes distribuiu todos os atenienses em dez phylai no lugar das quatro antigas, querendo misturá-los para que mais pessoas participassem da constituição. O Conselho passou de quatrocentos a quinhentos membros, cinquenta de cada phyle; ele não fez doze phylai para não ter de dividir segundo as trittyes já existentes. Heródoto (5.66.2) conta que Clístenes não pôs nas novas phylai os nomes dos filhos de Íon e usou nomes de outros heróis, todos da terra exceto Ájax, que entrou por ser vizinho e aliado. (Aristóteles (atribuído). Constituição de Atenas (Ἀθηναίων πολιτεία); Heródoto. Histórias (The Histories))

Trittyes, demos e demarcos

Segundo a Constituição de Atenas (21.4–21.6), Clístenes dividiu o território em trinta partes por demos: dez na região do centro urbano, dez do litoral e dez do interior, chamadas trittyes, e sorteou três para cada phyle, de modo que cada uma tivesse parte de todas as regiões. Os moradores de cada demo passaram a ser demotas uns dos outros, para que ninguém fosse chamado pelo nome do pai e se denunciassem os novos cidadãos; por isso os atenienses ainda se identificam pelo demo. Também criou os demarcos, que faziam o papel dos antigos náucraros, deixou os clãs, as fratrias e os sacerdócios como eram e deu às phylai heróis epônimos escolhidos pela Pítia entre cem. Heródoto (5.69) diz que Clístenes atribuiu dez demos a cada phyle. (Aristóteles (atribuído). Constituição de Atenas (Ἀθηναίων πολιτεία); Heródoto. Histórias (The Histories))

Ostracismo, generais e a questão persa

A Constituição de Atenas (22.1–22.6) afirma que, entre as leis novas de Clístenes, estava a do ostracismo, aplicada pela primeira vez, segundo o autor, depois de Maratona, a Hiparco, parente dos tiranos. No quinto ano depois dessa organização, o Conselho dos Quinhentos passou a prestar um juramento e os generais passaram a ser eleitos por phyle. Heródoto (5.73) acrescenta que, ao saber que tinha provocado Esparta, os atenienses mandaram enviados a Sardes buscar aliança com os persas; o sátrapa Artafernes pediu terra e água do rei Dario, os enviados aceitaram e foram muito censurados ao voltar. (Aristóteles (atribuído). Constituição de Atenas (Ἀθηναίων πολιτεία); Heródoto. Histórias (The Histories))

Fontes

  1. Aristóteles (atribuído). Constituição de Atenas (Ἀθηναίων πολιτεία), caps. 20 a 22 (numeração do Perseus). Texto grego: Aristotelis Atheniensium Respublica, ed. Frederic G. Kenyon. Oxford: Clarendon Press, 1920 (Oxford Classical Texts), pela edição digital do Perseus Project (Universidade Tufts), repositório PerseusDL no GitHub. Lidos em grego, em texto bruto, os caps. 20.1–20.5, 21.1–21.6 e 22.1–22.8. https://raw.githubusercontent.com/PerseusDL/canonical-greekLit/master/data/tlg0086/tlg003/tlg0086.tlg003.perseus-grc2.xml (baixado e lido em 29/10/2026). Acessar
  2. Heródoto. Histórias (The Histories), livro 5, caps. 62 a 78. Tradução inglesa de A. D. Godley. Cambridge, MA: Harvard University Press (Loeb Classical Library), 1920, pela edição digital do Perseus Project (Universidade Tufts), repositório PerseusDL no GitHub. Lidos em texto bruto 5.64–5.78. https://raw.githubusercontent.com/PerseusDL/canonical-greekLit/master/data/tlg0016/tlg001/tlg0016.tlg001.perseus-eng2.xml (baixado e lido em 29/10/2026). Acessar

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