Queda da monarquia romana e primeiros cônsules (tradicionalmente 509 a.C.): o que contam Lívio e Políbio
tradicionalmente 509 a.C. (Wikidata: início 510 a.C., fim 509 a.C.); Políbio 3.22 põe o ano dos primeiros cônsules 28 anos antes da invasão da Grécia por Xerxes · Europa Mediterrânea
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Segundo Lívio, a violação de Lucrécia por Sexto Tarquínio, filho do rei Tarquínio, o Soberbo, levou Lúcio Júnio Bruto e outros a jurar expulsar a família real; reunido no Fórum, o povo votou o banimento e dois cônsules, Bruto e Colatino, foram eleitos. O próprio Lívio avisa que quase todos os registros da cidade se perderam no incêndio e que os primeiros séculos são obscuros, e Políbio, grego, só situa o ano dos primeiros cônsules 28 anos antes da invasão de Xerxes. A data de 509 a.C. e os detalhes são, portanto, tradição transmitida por autores muito posteriores.
O caso de Lucrécia e o juramento de Bruto
Em Lívio (1.57–1.59), durante o cerco de Árdea, Sexto Tarquínio vai à casa de Lucrécia, mulher de Colatino, e a violenta, ameaçando-a com a desonra. Lucrécia chama o pai, Espúrio Lucrécio, e o marido, cada um acompanhado de um amigo, conta o ocorrido, faz-os jurar que o culpado não ficará impune e se mata com uma faca. Bruto retira a faca do ferimento e jura expulsar Lúcio Tarquínio, o Soberbo, com a mulher e toda a descendência “a ferro e fogo”, e jamais permitir que alguém reine em Roma. Os presentes juram o mesmo, carregam o corpo ao Fórum e uma multidão se reúne. (Lívio (Titus Livius). História de Roma (History of Rome))
O banimento dos reis e os primeiros cônsules
Segundo Lívio (1.59–1.60), Bruto, que era tribuno dos Celeres, discursou no Fórum e levou o povo a retirar a soberania do rei e decretar o banimento de Tarquínio, da mulher e dos filhos. Com um grupo de jovens, ele foi ao acampamento de Árdea e o exército o recebeu; o rei, que corria a Roma, encontrou as portas fechadas e o banimento decretado, e dois de seus filhos o seguiram para Caere, entre os etruscos. Lívio calcula 244 anos de governo régio e 25 anos para Tarquínio, o Soberbo, e diz que os cônsules Lúcio Júnio Bruto e Lúcio Tarquínio Colatino foram eleitos pela assembleia dos centúrias, conduzida pelo prefeito da cidade, segundo as regras de Sérvio Túlio. (Lívio (Titus Livius). História de Roma (History of Rome))
O primeiro ano da República em Lívio
No começo do livro 2, Lívio diz que a liberdade se mede sobretudo pelo caráter anual do poder consular: os primeiros cônsules mantiveram a jurisdição e as insígnias dos reis, mas apenas um tinha os fasces, para diminuir o temor. Bruto fez o povo jurar que não toleraria nenhum rei em Roma, e completou o senado, reduzido pela crueldade do último rei, escolhendo homens de nível equestre até voltar aos trezentos; os novos membros eram os conscripti e os antigos mantinham o título de patres. Depois ele criou o rex sacrorum, subordinado ao pontífice máximo, para que a função religiosa do rei não ameaçasse a liberdade. (Lívio (Titus Livius). História de Roma (History of Rome))
A expulsão de Colatino e a primeira conspiração
Segundo Lívio (2.2–2.3), o nome dos Tarquínios provocou desconfiança, e o outro cônsul, Colatino, mesmo sem culpa, foi pressionado por Bruto numa assembleia a deixar a cidade; ele renunciou ao consulado, mandou seus bens a Lanúvio e saiu de Roma. Por decreto do senado, Bruto propôs ao povo o exílio de todos os membros da casa dos Tarquínios, e foi eleito Públio Valério, que o ajudara. Logo depois, diz Lívio, jovens nobres habituados à licença do reinado reclamaram que a lei era “surda e inexorável” e se aproximaram de enviados da família real, que oficialmente pediam só os bens, mas na verdade tramavam o retorno ao trono. (Lívio (Titus Livius). História de Roma (History of Rome))
Fontes
- Lívio (Titus Livius). História de Roma (History of Rome), livros 1 (cap. 57 a 60), 2 (cap. 1 a 3) e 6 (cap. 1). Tradução inglesa do Rev. Canon Roberts. Londres: J. M. Dent and Sons; Nova York: E. P. Dutton and Co., 1912, pela edição digital do Perseus Project (Universidade Tufts), repositório PerseusDL no GitHub. Lidos em texto bruto os trechos 1.57–1.60, 2.1–2.3 e 6.1.1–6.1.3. https://raw.githubusercontent.com/PerseusDL/canonical-latinLit/master/data/phi0914/phi001/phi0914.phi001.perseus-eng3.xml (baixado e lido em 29/10/2026). Acessar
- Políbio. As Histórias (The Histories), livro 3, caps. 21 a 24. Tradução inglesa de Evelyn S. Shuckburgh. Londres e Nova York: Macmillan, 1889, pela edição digital do Perseus Project (Universidade Tufts), repositório PerseusDL no GitHub. Lidos em texto bruto 3.21–3.24. https://raw.githubusercontent.com/PerseusDL/canonical-greekLit/master/data/tlg0543/tlg001/tlg0543.tlg001.perseus-eng2.xml (baixado e lido em 29/10/2026). Acessar
Na mesma região
- Primeiro tratado entre Roma e Cartago (tradicionalmente fim do séc. VI a.C.), segundo Políbio no ano dos primeiros cônsules, 28 anos antes da invasão de Xerxes (Políbio 3.22); c. 509 a.C. na tradição
- Reformas de Clístenes em Atenas (508/507 a.C.): dez phylai, demos e Conselho dos Quinhentos, segundo a Constituição de Atenas e Heródoto 508/507 a.C. (a Constituição de Atenas fala do “quarto ano depois da queda dos tiranos, sendo arconte Iságoras”; o ano em número vem da tradição e não está nos textos lidos)
- Sofistas e o debate entre nomos e physis (séc. V a.C.): de Hípias e Cálicles aos atenienses diante de Melos séc. V a.C. (Wikidata P580: 500 a.C., precisão de século)
- Veios de Maroneia (483/2 a.C.) e a prata do Láurion: da fundição à frota de trirremes 483/2 a.C. (arcontado de Nicodemo, segundo Aristóteles); a exploração do Láurion é mais antiga, desde o IV milênio a.C.
- Batalha de Hímera (480 a.C.): a derrota cartaginesa na Sicília, contada por gregos, por cartagineses e pelos mortos da cidade 480 a.C. (ano; o dia não consta dos textos lidos, e Heródoto e Diodoro o ligam a batalhas gregas diferentes)
- Batalha do mar Sardo ou de Alália (c. 540 a.C.): foceus contra etruscos e cartagineses c. 540 a.C. (segundo Alfonsi, 2024); Heródoto não dá o ano