Primeiro tratado entre Roma e Cartago (tradicionalmente fim do séc. VI a.C.), segundo Políbio
no ano dos primeiros cônsules, 28 anos antes da invasão de Xerxes (Políbio 3.22); c. 509 a.C. na tradição · Europa Mediterrânea
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Políbio transcreve em tradução o que diz ser o primeiro tratado entre romanos e cartagineses, firmado no ano dos primeiros cônsules. O texto limita a navegação romana a oeste do Promontório Belo, regula o comércio na Sardenha, na Líbia e na parte cartaginesa da Sicília e proíbe os cartagineses de prejudicar cidades latinas sujeitas a Roma, como Árdea, Ânzio, Laurento, Circeios e Tarracina. Políbio avisa que a língua do original era tão antiga que mesmo os romanos instruídos tinham dificuldade em interpretá-la.
As cláusulas, segundo Políbio
Na tradução de Shuckburgh (3.22), haveria amizade entre romanos e aliados e cartagineses e aliados nestas condições: nem romanos nem aliados navegariam além do Promontório Belo, salvo levados por tempestade ou pelo medo de inimigos; quem aportasse à força só poderia tomar o necessário para consertar o navio e para o culto dos deuses e deveria partir em cinco dias. Quem desembarcasse para comerciar só fecharia negócio diante de um arauto ou escrivão, e o preço ficaria garantido ao vendedor pela fé do Estado, na Líbia e na Sardenha. Romanos na província cartaginesa da Sicília teriam os mesmos direitos dos demais. (Políbio. As Histórias (The Histories))
O Lácio e as cidades latinas
Segundo Políbio (3.22), os cartagineses não deveriam prejudicar os povos de Árdea, Ânzio, Laurento, Circeios e Tarracina, nem nenhum outro povo latino sujeito a Roma. Das cidades que não fossem sujeitas a Roma deviam manter as mãos afastadas; se tomassem alguma, deviam entregá-la intacta aos romanos. Não construiriam fortaleza no Lácio e, se entrassem na região armados, não passariam a noite nela. Políbio observa (3.23) que, ao falar só do Lácio, os romanos não mencionam o restante da Itália, que não estava sob sua autoridade. (Políbio. As Histórias (The Histories))
Tratados seguintes
Em 3.24, Políbio diz que houve depois um segundo tratado, no qual os cartagineses incluíram os tírios e a cidade de Útica além do território anterior, e ao Promontório Belo acrescentaram Mastia e Tarseion como pontos a leste dos quais os romanos não deveriam fazer incursões nem fundar cidade. O trecho lido é só o começo dessa passagem; os termos completos e o terceiro tratado não foram lidos neste registro. Políbio introduz a série dizendo que os tratados interessam a quem faz política e a historiadores, que não devem se deixar enganar pela ignorância ou pelo viés de outros autores. (Políbio. As Histórias (The Histories))
Fontes
- Políbio. As Histórias (The Histories), livro 3, caps. 21 a 24. Tradução inglesa de Evelyn S. Shuckburgh. Londres e Nova York: Macmillan, 1889, pela edição digital do Perseus Project (Universidade Tufts), repositório PerseusDL no GitHub. Lidos em texto bruto 3.21–3.24. https://raw.githubusercontent.com/PerseusDL/canonical-greekLit/master/data/tlg0543/tlg001/tlg0543.tlg001.perseus-eng2.xml (baixado e lido em 29/10/2026). Acessar
Na mesma região
- Queda da monarquia romana e primeiros cônsules (tradicionalmente 509 a.C.): o que contam Lívio e Políbio tradicionalmente 509 a.C. (Wikidata: início 510 a.C., fim 509 a.C.); Políbio 3.22 põe o ano dos primeiros cônsules 28 anos antes da invasão da Grécia por Xerxes
- Reformas de Clístenes em Atenas (508/507 a.C.): dez phylai, demos e Conselho dos Quinhentos, segundo a Constituição de Atenas e Heródoto 508/507 a.C. (a Constituição de Atenas fala do “quarto ano depois da queda dos tiranos, sendo arconte Iságoras”; o ano em número vem da tradição e não está nos textos lidos)
- Sofistas e o debate entre nomos e physis (séc. V a.C.): de Hípias e Cálicles aos atenienses diante de Melos séc. V a.C. (Wikidata P580: 500 a.C., precisão de século)
- Veios de Maroneia (483/2 a.C.) e a prata do Láurion: da fundição à frota de trirremes 483/2 a.C. (arcontado de Nicodemo, segundo Aristóteles); a exploração do Láurion é mais antiga, desde o IV milênio a.C.
- Batalha de Hímera (480 a.C.): a derrota cartaginesa na Sicília, contada por gregos, por cartagineses e pelos mortos da cidade 480 a.C. (ano; o dia não consta dos textos lidos, e Heródoto e Diodoro o ligam a batalhas gregas diferentes)
- Batalha do mar Sardo ou de Alália (c. 540 a.C.): foceus contra etruscos e cartagineses c. 540 a.C. (segundo Alfonsi, 2024); Heródoto não dá o ano