Atlas da História

Sofistas e o debate entre nomos e physis (séc. V a.C.): de Hípias e Cálicles aos atenienses diante de Melos

séc. V a.C. (Wikidata P580: 500 a.C., precisão de século) · Europa Mediterrânea

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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No séc. V a.C. mestres itinerantes chamados sofistas ensinavam em Atenas e em outras cidades, e um dos temas em torno deles era se as regras e a justiça vêm da convenção (nomos) ou da natureza (physis). Nos diálogos de Platão, Hípias diz que a lei obriga contra a natureza e Cálicles sustenta que por natureza é justo o mais forte ter vantagem; Sócrates responde a Cálicles. Tucídides faz os atenienses dizerem aos melianos, em Melos, que deuses e homens mandam onde podem por uma lei necessária da natureza.

Hípias: a lei contra a natureza

No Protágoras, Hípias de Élis dirige-se aos presentes dizendo que os considera parentes, íntimos e concidadãos por natureza, não por lei, porque o semelhante é parente do semelhante por natureza, enquanto a lei, que ele chama de déspota dos homens, muitas vezes os obriga contra a natureza. Em seguida pede que os sábios reunidos não briguem entre si. (Platão; Platão)

Cálicles: por natureza, o mais forte

No Górgias, Cálicles acusa Sócrates de alternar entre convenção e natureza nas perguntas. Para ele, sofrer injustiça é mais feio por natureza, e fazer injustiça só o é por convenção. As leis, diz, são feitas pelos mais fracos e numerosos, em seu interesse, para conter os mais fortes. A natureza mostra, segundo ele, que o melhor deve ter vantagem sobre o pior, e cita o exemplo de Xerxes. Sócrates responde que os muitos são mais fortes do que o um e que, se for assim, as regras dos muitos também valem por natureza. Uma nota da edição do Perseus (Loeb) a esse trecho diz que a distinção entre direito natural e convencional foi tema constante entre os sofistas do tempo de Platão. (Platão)

Melos: a lei da natureza e o cerco

Em Tucídides, os atenienses dizem aos melianos que o direito só se discute entre iguais em poder e que o forte faz o que pode e o fraco sofre o que deve. Dizem ainda que, dos deuses e dos homens, se crê e se sabe que mandam onde podem por uma lei necessária da natureza, e que apenas se servem de uma regra que já existia. Os melianos recusam, resistem ao cerco e acabam entregando-se. Os atenienses mataram os homens adultos que capturaram, venderam como escravizados as mulheres e as crianças e enviaram 500 colonos. (Tucídides)

Fontes

  1. Platão, Protágoras, tradução inglesa de W. R. M. Lamb, Cambridge, MA: Harvard University Press (Loeb Classical Library), edição digital do Perseus, PerseusDL tlg0059.tlg022.perseus-eng2.xml. Lidos a abertura (o interlocutor de Abdera), a fala de Protágoras sobre a antiguidade da sofística e a fala de Hípias de Élis (texto bruto, sem numeração de Stephanus).
  2. Platão, Górgias, tradução inglesa de W. R. M. Lamb, Cambridge, MA: Harvard University Press (Loeb Classical Library), edição digital do Perseus, PerseusDL tlg0059.tlg023.perseus-eng2.xml. Lidas as falas de Cálicles sobre lei e natureza e a resposta de Sócrates (texto bruto, sem numeração de Stephanus).
  3. Tucídides, História da Guerra do Peloponeso, tradução inglesa de Richard Crawley, edição digital do Perseus, PerseusDL tlg0003.tlg001.perseus-eng6.xml. Lidos o prefácio metodológico sobre os discursos, o episódio de Melos com o diálogo entre atenienses e melianos e o desfecho do cerco (texto bruto).

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