Veios de Maroneia (483/2 a.C.) e a prata do Láurion: da fundição à frota de trirremes
483/2 a.C. (arcontado de Nicodemo, segundo Aristóteles); a exploração do Láurion é mais antiga, desde o IV milênio a.C. · Europa Mediterrânea
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Segundo a Constituição de Atenas atribuída a Aristóteles, no arcontado de Nicodemo apareceram os veios de Maroneia e a cidade ganhou cem talentos de sobra; Temístocles impediu a partilha entre os cidadãos e fez emprestar o dinheiro aos cem atenienses mais ricos para construir cem trirremes, as de Salamina. Heródoto conta a bonança das minas do Láurion, com dez dracmas por cabeça e duzentos navios. A prata saía de chumbo argentífero, fundido em fornos de cuba a carvão e depois copelado, e a literatura geológica recente liga o episódio à descoberta dos veios espessos e ricos do chamado terceiro contato.
Do minério ao chumbo argentífero
Segundo Papadimitriou, a primeira etapa era a fundição em fornos de cuba que usavam carvão como combustível e agente redutor, com carga de cerussita e até 20% de galena; o forno tinha cerca de 1 m de diâmetro interno e 2 a 2,3 m de altura, e um ou dois trabalhadores sopravam foles de pele. Para cargas com mais de 20% de sulfetos era preciso torrá-los antes, mas só um forno de torrefação foi achado até hoje. O produto era chumbo argentífero, com entre 1.000 e 4.000 g de prata por tonelada de chumbo e média em torno de 2.000 g/t. (Papadimitriou)
A copelação de época clássica
Na copelação, o chumbo argentífero era oxidado sobre uma copela e a prata ficava no fundo. Papadimitriou descreve, para o período clássico, grandes copelas cônicas e a remoção do litargírio (o óxido de chumbo) em duas etapas: primeiro pelo sopro do ar, que o empurrava para fora da borda, ou com uma raspadeira; depois, mergulhando varas de ferro na copela, onde o litargírio se prendia em forma de tubo. A remoção em duas etapas reduzia a perda de prata arrastada pelo litargírio, que no fim ainda era reaproveitada. O autor ressalva que nenhuma oficina de copelação ficou preservada com seu forno. (Papadimitriou)
Fontes
- Aristotle. Athenaion Politeia (Constituição de Atenas), cap. 22, § 7. Aristotelis Atheniensium Respublica, ed. Frederic G. Kenyon. Oxford: Clarendon Press, 1920 (Oxford Classical Texts). Texto do Perseus Digital Library, arquivo tlg0086.tlg003.perseus-grc2.xml do repositório PerseusDL/canonical-greekLit no GitHub (https://github.com/PerseusDL/canonical-greekLit). Lido no grego, em texto bruto, em 30/10/2026; a tradução para o português é do atlas. Acessar
- Herodotus. Histórias, 7.144. Trad. A. D. Godley. Cambridge, MA: Harvard University Press; Londres: William Heinemann, 1920-1925 (Loeb Classical Library). Texto do Perseus Digital Library, arquivo tlg0016.tlg001.perseus-eng2.xml do repositório PerseusDL/canonical-greekLit no GitHub (https://github.com/PerseusDL/canonical-greekLit). Lido em texto bruto em 30/10/2026. Acessar
- Vaxevanopoulos, Markos; Ross, James; Soukis, Konstantinos; Voudouris, Panagiotis; Melfos, Vasilios; Merigot, Kelly. "What did the ancient Greeks mine at Laurion and when did they mine it?". In: Hulek, F.; Lohmann, H.; Nomicos, S.; Hauptmann, A. (orgs.). Laurion. Interdisciplinary Approaches to an Ancient Greek Mining Landscape. Der Anschnitt, Beiheft 50. Bochum: Deutsches Bergbau-Museum, 2023, p. 27-45. DOI 10.46586/dbm.264.389. Lido em PDF, texto bruto, em 30/10/2026; as filiações no fim do texto incluem universidades de Perth, Atenas e Salônica. Acessar
- Papadimitriou, George D. "Cupellation and litharge in their technological context at Laurion, Attika (Greece) – From Prehistoric to Hellenistic and early Roman periods". In: Hulek, F.; Lohmann, H.; Nomicos, S.; Hauptmann, A. (orgs.). Laurion. Interdisciplinary Approaches to an Ancient Greek Mining Landscape. Der Anschnitt, Beiheft 50. Bochum: Deutsches Bergbau-Museum, 2023, p. 87-104. DOI 10.46586/dbm.264.395. Lido em PDF, texto bruto, em 30/10/2026; consta a afiliação à Escola de Minas e Metalurgia da Universidade Técnica Nacional de Atenas. Acessar
Na mesma região
- Batalha de Hímera (480 a.C.): a derrota cartaginesa na Sicília, contada por gregos, por cartagineses e pelos mortos da cidade 480 a.C. (ano; o dia não consta dos textos lidos, e Heródoto e Diodoro o ligam a batalhas gregas diferentes)
- Sofistas e o debate entre nomos e physis (séc. V a.C.): de Hípias e Cálicles aos atenienses diante de Melos séc. V a.C. (Wikidata P580: 500 a.C., precisão de século)
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