Batalha de Qādisiyya (636): o exército sassânida diante dos árabes e o fim lento do Império Persa
636 (Rezakhani e Wikidata, que dá 16 a 19 de novembro); Balādhurī a situa no fim do ano 16 da Hégira, que começa em 637 · Mesopotâmia e Levante, Irã e planalto iraniano
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Em Qādisiyya, no sudoeste da Mesopotâmia, um exército árabe comandado por Saʿd ibn Abī Waqqāṣ derrotou as forças sassânidas de Rustam. Segundo Balādhurī, Rustam morreu e os persas fugiram para Ctesifonte. Para Rezakhani, a batalha foi pequena e não encerrou o domínio sassânida: o Estado persa seguiu existindo por anos e as conquistas a leste levaram mais de setenta anos.
A batalha em Balādhurī
Segundo Balādhurī, o califa ʿUmar mandou Saʿd ibn Abī Waqqāṣ comandar as tropas, e Saʿd acampou entre al-Qādisiyya e al-ʿUdhayb, com 9.000 a 10.000 homens. Rustam, vindo de Rayy ou, para outros, de Hamadã, teria reunido cerca de 120.000 homens, com 30 elefantes e o grande estandarte Dirafsh Kāviyān. O combate durou quinta, sexta e a noite de sábado, chamada 'Laylat al-Harir'. Rustam morreu, sem consenso sobre quem o matou. O autor menciona que os persas fugiram para al-Madāʾin com Yazdajird. As cifras são as da crônica e não foram conferidas. (al-Balādhurī. The Origins of the Islamic State)
O que diverge nas tradições
Balādhurī registra variantes. Para uns, Qays ibn Hubayra chegou com 700 homens depois de a vitória estar decidida e pediu parte do saque; para outros, participou. A data também varia: a batalha seria no fim do ano 16, e há quem diga que entre a batalha de Mihrān e a de Qādisiyya passaram 18 meses. Ele afirma ainda que Basra foi fundada entre a batalha de an-Nukhayla e a de Qādisiyya, e que al-Mughīra ibn Shuʿba foi enviado com 800 homens (ou 400, segundo outros). (al-Balādhurī. The Origins of the Islamic State)
Sebeos e a queda do reino iraniano
Em Sebeos, o reino de Yazdgerd, filho de Kavād e neto de Cosroes, é descrito como instável: o exército iraniano estava dividido em três partes, a do leste, a de Xorheam na Assíria e a do Atropatene, e o centro do reino ficava em Ctesifonte. O autor registra uma batalha de três dias no distrito de Mark', em 641/642, após a qual os iranianos fugiram ao saber da chegada de reforços árabes. Em 652, segundo ele, os árabes alcançaram Yazdgerd perto da fronteira dos kushan, e os téteis o mataram. (Sebeos (história armênia a ele atribuída))
Rezakhani: queda lenta, não instantânea
Rezakhani lembra que a dinastia já estava enfraquecida pelos regicídios: Kavād II e seu filho Ardashīr III reinaram juntos menos de dois anos, e para ele a dinastia já caíra com a execução de Cosroes II. A população local da Mesopotâmia, cansada da guerra, talvez não se importasse com os árabes, que ofereciam pagamento antes de atacar; cidades como al-Ḥīra capitularam em troca de pagamento. Yazdgerd III, refugiado em Fārs, reuniu um exército para Nahāvand, que ele data de 642. A morte de Yazdgerd, em 651, não encerrou a conquista, que se prolongou por mais de setenta anos. (Rezakhani)
Fontes
- al-Balādhurī. The Origins of the Islamic State, trad. Philip Khuri Hitti (Columbia University Studies in History, Economics and Public Law, v. 68, n. 165). Nova York, 1916. Capítulo 'The Battle of al-Kadisiyah'. Texto lido em archive.org/details/originsofislamic00balarich em 31/10/2026.
- Sebeos (história armênia a ele atribuída), em Sebeos' History, trad. Robert Bedrosian, texto em archive.org/details/SebeosHistoryOfArmenia, lido em 31/10/2026. Os anos entre colchetes são do tradutor.
- Rezakhani, Khodadad. The Arab Conquests and Sasanian Iran, parte I ('Some General Observations on the Late Sasanian Period'). Mizan Project, mizanproject.org/the-arab-conquests-and-sasanian-iran-part-1/. Lido em PDF em 31/10/2026; o ano de publicação não consta no texto lido.
Na mesma região
- Tomada de Jerusalém pelos sassânidas (614): Antíoco Estratego, Sebeos e os sepultamentos coletivos de Mamilla 614 (ano do tratado de Antíoco Estratego e de Avni); Sebeos, na tradução de Bedrosian, dá junho do 25º ano de Cosroes II, que o tradutor anota como 615
- Cúpula da Rocha, em Jerusalém: o edifício de ʿAbd al-Malik e a inscrição de 72 H que al-Maʾmūn alterou Obras iniciadas em 65 H (684/5) segundo Eutíquio e outros autores citados por Creswell (66 ou 69 H para outros); concluídas em 72 H (691/2), data da inscrição em mosaico
- Apocalipse de Pseudo-Metódio (c. 692): a conquista árabe lida como profecia em siríaco c. 692, no reinado de ʿAbd al-Malik (685-705), segundo o verbete de Brock; antes se datava mais cedo no século VII
- Rabia de Basra: escravizada na juventude segundo a tradição, mestra sufi do amor desinteressado c. 717 – 801 (Smith 1928: nascida provavelmente por volta de 717; morta em 185 da Hégira = 801); o Wikidata dá o nascimento na década de 710
- Jabir ibn Hayyan e o corpus de alquimia a ele atribuído: o que o Fihrist e Berthelot permitem dizer séc. VIII ou IX; o Wikidata dá c. 721 – c. 815 e a Britannica de 1911 diz apenas "século VIII ou IX"
- Ibn al-Muqaffa': o secretário persa que verteu o Kalila wa Dimna do pálavi para o árabe c. 725 – c. 760 (Keith-Falconer 1885); o Wikidata dá nascimento em 721 ou 724 e morte em 840