Atlas da História

Batalha do mar Sardo ou de Alália (c. 540 a.C.): foceus contra etruscos e cartagineses

c. 540 a.C. (segundo Alfonsi, 2024); Heródoto não dá o ano · Europa Mediterrânea

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Segundo Heródoto, os foceus que se instalaram em Alália (Córsega) depois de fugirem dos persas passaram a saquear os vizinhos, e etruscos e cartagineses uniram-se contra eles com sessenta navios cada. No mar Sardônio os foceus venceram com perdas tão pesadas que Heródoto fala de “vitória cadmeia”, perdendo quarenta de seus sessenta navios e abandonando a ilha rumo a Régio. Para Alfonsi (2024), a arqueologia de Aleria quase não deu vestígios do séc. VI a.C. que correspondam ao estabelecimento foceu, e ele chama a atenção para as leituras identitárias que a historiografia corsa fez do episódio.

De Foceia a Alália, segundo Heródoto

Heródoto (1.163–1.165) conta que os foceus construíram a muralha da cidade com dinheiro dado pelo rei Argantônio de Tartesso, amigo deles, e que, cercados por Hárpago, general persa, pediram um dia para deliberar; nesse dia embarcaram mulheres, crianças, bens móveis e as estátuas dos templos e partiram para Quios. Os quianos não lhes venderam as ilhas Oenussae, por medo de que virassem mercado. Os foceus decidiram seguir para Cirno (Córsega), onde por ordem de um oráculo haviam fundado Alália vinte anos antes. Antes de partir, mataram a guarnição persa em Foceia e afundaram uma massa de ferro jurando só voltar quando ela reaparecesse; mais da metade, tomada de saudade, quebrou o juramento e voltou. (Heródoto. Histórias (Historiae))

A batalha e o que veio depois

Segundo Heródoto (1.166–1.167), os foceus viveram cinco anos em Cirno com os que haviam chegado antes e ali fundaram templos, mas saqueavam os vizinhos, e etruscos e cartagineses atacaram com sessenta navios cada. Os foceus tripularam sessenta navios, enfrentaram-nos no mar chamado Sardônio e venceram, mas perderam quarenta, e os vinte restantes ficaram inutilizados, de modo que a vitória foi “cadmeia”. Depois pegaram mulheres, crianças e o que cabia nos navios e partiram para Régio. Os etruscos e os cartagineses sortearam os homens dos navios perdidos, e os de Agila (Caere) receberam de longe a maior parte, apedrejando-os; o relato não dá número de mortos. Os que foram a Régio fundaram depois Hyele (Eleia). (Heródoto. Histórias (Historiae))

O que a arqueologia de Aleria mostra, segundo Alfonsi

Em sua resenha historiográfica (2024), Olivier Alfonsi resume a tradição: os foceus teriam fundado Alália e saqueado vizinhos, e por volta de 540 a.C. enfrentaram a coalizão etrusco-púnica no mar Sardônio; segundo Diodoro, depois do combate teriam deixado o sítio aos etruscos. Mas, escreve ele, o sítio de Aleria quase não deu vestígios com datação que coincida com o estabelecimento foceu, faltam testemunhos arqueológicos anteriores ao fim do séc. VI a.C. e permanece incerto onde ficava o assentamento grego. Os Jehasse haviam defendido um habitat grego arcaico sob a cidade romana, mas Éric Gailledrat, no volume resenhado, mostra que os fragmentos de cerâmica ática de figuras negras citados são poucos e não permitem essa conclusão; a história arqueológica da cidade começa, para Alfonsi, entre o fim do séc. VI e o início do V a.C., com a necrópole etrusca de Casabianda. (Alfonsi)

Fontes

  1. Heródoto. Histórias (Historiae), livro 1, caps. 163 a 169. Tradução inglesa de A. D. Godley. Cambridge (Mass.): Harvard University Press; Londres: William Heinemann, 1920, pela edição digital do Perseus Project (Universidade Tufts), repositório PerseusDL no GitHub. Lidos em texto bruto 1.163–1.169. https://raw.githubusercontent.com/PerseusDL/canonical-greekLit/master/data/tlg0016/tlg001/tlg0016.tlg001.perseus-eng2.xml (baixado e lido em 29/10/2026). Acessar
  2. Tucídides. História da Guerra do Peloponeso (History of the Peloponnesian War), livro 1, cap. 13. Tradução inglesa de Richard Crawley, pela edição digital do Perseus Project (Universidade Tufts), repositório PerseusDL no GitHub. Lido em texto bruto 1.13.6. Arquivo baixado do PerseusDL/canonical-greekLit (tlg0003/tlg001, perseus-eng) e lido em 29/10/2026.
  3. Alfonsi, Olivier. “Alalia/Aleria, une colonie etrusco-italique outre-mer ? État de l'art, bilan historiographique et nouvelles données”. Revue des études anciennes, 126 (1), 2024, p. 227–249. Depósito aberto no HAL, hal-04653147, https://hal.science/hal-04653147v1 (licença CC BY-NC-ND 4.0). Lido em texto bruto (PDF) em 29/10/2026. Sem DOI conferido. Acessar

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