Atlas da História

Reformas de Sólon em Atenas (início do séc. VI a.C.): a seisachtheia e o fim do empréstimo sobre o corpo da pessoa, nas palavras do próprio Sólon

c. 590 a.C. (início do séc. VI a.C.). A tradição situa o arcontado de Sólon por volta de 594 a.C., mas os textos lidos não dão o ano em número e o item do Wikidata não tem data · Europa Mediterrânea

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Segundo a Constituição de Atenas, atribuída a Aristóteles, e a Vida de Sólon, de Plutarco, Sólon foi escolhido árbitro e legislador diante da luta entre ricos e pobres em Atenas e proibiu o empréstimo com garantia sobre o corpo da pessoa. Também fez o cancelamento de dívidas chamado seisachtheia, “sacudir o peso”. Em versos citados nas duas obras, ele diz ter arrancado os marcos de hipoteca da terra e trazido de volta pessoas vendidas, mas Plutarco registra que havia quem entendesse a medida como simples redução de juros.

Atenas antes da seisachtheia

A Constituição de Atenas (cap. 2) diz que, depois de um longo conflito entre os notáveis e a multidão, a ordem era oligárquica e “toda a terra estava em poucas mãos”. Os pobres que a cultivavam, os pelatai e hektemoroi, eram levados com os filhos se não pagassem o aluguel, e os empréstimos eram feitos sobre o corpo até Sólon. Plutarco (cap. 13) acrescenta que pagavam um sexto da colheita, que muitos eram vendidos para fora do país ou obrigados a vender os próprios filhos, pois não havia lei contra isso, e que os mais fortes entre eles chegaram a falar em eleger um chefe, libertar os devedores condenados, repartir a terra de novo e mudar o governo. (Aristóteles (atribuído). Constituição de Atenas (Ἀθηναίων πολιτεία); Plutarco. Vida de Sólon (Solon))

A escolha de um árbitro

Segundo a Constituição de Atenas (cap. 5), com o conflito violento e prolongado as partes escolheram em comum Sólon como árbitro e arconte e lhe confiaram a constituição; o autor cita uma elegia em que ele aconselha os ricos a conter a ambição. Plutarco (cap. 14) diz que Sólon era o homem menos envolvido nas faltas da época, que foi eleito arconte, sucedendo a Filombroto, e que ricos e pobres o aceitaram, os primeiros por ele ser abastado e os segundos por ser honesto. Plutarco acrescenta que amigos de ambos os lados o incitaram a tomar o poder como tirano, e que o próprio Sólon dizia ter entrado na vida pública com relutância. (Aristóteles (atribuído). Constituição de Atenas (Ἀθηναίων πολιτεία); Plutarco. Vida de Sólon (Solon))

O que a seisachtheia fez

Para a Constituição de Atenas (6.1), Sólon libertou o povo para o presente e para o futuro ao proibir emprestar sobre o corpo, fez leis e cancelou as dívidas, particulares e públicas, o que chamam de seisachtheia, “como quem sacode o peso”. Plutarco (cap. 15) diz que a primeira medida pública foi a remissão das dívidas existentes e a proibição de empréstimos futuros sobre a pessoa, e que a palavra era um eufemismo: os atenienses davam nomes suaves a coisas duras. Segundo Plutarco, em seguida o povo fez um sacrifício público chamado Seisactheia e deu a Sólon poderes para reformar a constituição e as leis (cap. 16). (Aristóteles (atribuído). Constituição de Atenas (Ἀθηναίων πολιτεία); Plutarco. Vida de Sólon (Solon))

A ordem política depois do cancelamento

Segundo a Constituição de Atenas (caps. 7 e 9), Sólon suspendeu as leis de Drácon, exceto as de homicídio, fez inscrever as novas leis em kyrbeis (placas), postas no pórtico real, e dividiu os cidadãos em quatro classes pela renda da terra: pentakosiomedimnoi, hippeis, zeugitai e thetes. Os thetes só participavam da assembleia e dos tribunais, e o autor vê no recurso ao tribunal popular uma das fontes da força do povo. Plutarco (cap. 18) conta a mesma divisão e diz que a participação nos júris, de início parecendo pequena, tornou-se muito importante, e que havia quem pensasse que Sólon redigiu as leis de forma obscura de propósito, para dar mais peso aos tribunais. (Aristóteles (atribuído). Constituição de Atenas (Ἀθηναίων πολιτεία); Plutarco. Vida de Sólon (Solon))

Fontes

  1. Aristóteles (atribuído). Constituição de Atenas (Ἀθηναίων πολιτεία), caps. 2, 5, 6, 9 e 12 (numeração do Perseus). Texto grego: Aristotelis Atheniensium Respublica, ed. Frederic G. Kenyon. Oxford: Clarendon Press, 1920 (Oxford Classical Texts), pela edição digital do Perseus Project (Universidade Tufts), repositório PerseusDL no GitHub. Lidos em grego, em texto bruto, os caps. 2.1–2.3, 5.1–5.3, 6.1–6.4, 7.1–7.4, 9.1–9.2 e 12.1–12.5. https://raw.githubusercontent.com/PerseusDL/canonical-greekLit/master/data/tlg0086/tlg003/tlg0086.tlg003.perseus-grc2.xml (baixado e lido em 29/10/2026). Acessar
  2. Plutarco. Vida de Sólon (Solon), caps. 13 a 18. Tradução inglesa de Bernadotte Perrin. Cambridge, MA: Harvard University Press (Loeb Classical Library), 1914, pela edição digital do Perseus Project (Universidade Tufts), repositório PerseusDL no GitHub. Lidos em texto bruto os caps. 13 a 18. https://raw.githubusercontent.com/PerseusDL/canonical-greekLit/master/data/tlg0007/tlg007/tlg0007.tlg007.perseus-eng2.xml (baixado e lido em 29/10/2026). Acessar

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