Túnel de Eupalino em Samos: o aqueduto aberto na rocha por duas equipes, um dos três grandes trabalhos dos samianos segundo Heródoto
séc. VI a.C., no tempo do tirano Polícrates (570–522 a.C., segundo Apostol); o ano da obra não é dado pelas fontes lidas · Europa Mediterrânea
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Heródoto conta que os samianos fizeram três das maiores obras dos gregos, e a primeira é um túnel aberto por uma colina alta, com uma boca em cada ponta, por onde corre um canal que leva água de uma nascente até a cidade; o projetista, diz ele, foi Eupalino de Mégara, filho de Naustrofo. Para Apostol, matemático que visitou o local, o túnel tem 1.036 metros, foi escavado em calcário por duas equipes que avançaram das duas pontas só com picaretas, martelos e cinzéis, e Eupalino é o primeiro engenheiro hidráulico de nome conhecido. Como as duas equipes acertaram a direção, sem bússola nem instrumentos de agrimensura, é questão ainda discutida.
A obra segundo Heródoto
Ao fechar a longa digressão sobre Samos, Heródoto (III.60) diz que escreveu tanto sobre os samianos porque eles fizeram as três maiores obras de todos os gregos. A primeira é um túnel com uma boca em cada ponta, aberto na base de uma colina de 900 pés de altura. O túnel tem 4.200 pés de comprimento, 8 de altura e 8 de largura, e por todo o seu comprimento corre um canal de 30 pés de profundidade e 3 de largura, por onde a água de uma fonte abundante é levada por tubos até a cidade de Samos. O projetista foi Eupalino, filho de Naustrofo, megarense. As outras duas obras são um quebra-mar no porto e o templo, o maior de que se tem notícia, iniciado por Reco, filho de Fileu, samiano. (Heródoto. The Histories (Histórias))
O túnel visto por um matemático
Segundo Apostol, o túnel tem 1.036 metros, foi escavado em calcário maciço por duas equipes que avançaram em linha reta das duas pontas, com picaretas, martelos e cinzéis, e fica sob o monte Kastro. A água vinha de uma nascente em Agiades por um conduto subterrâneo de 850 metros e, dentro do túnel, corria num canal retangular junto à borda leste do piso, que é plano. O canal tem cerca de 3 metros de profundidade no norte e mais de 9 no sul, e a água saía do túnel por outro conduto até a cidade. Apostol afirma que a inclinação do teto segue as camadas da rocha e que, no ponto de encontro, o piso difere em 60 centímetros entre o norte e o sul. (Apostol)
Como as duas equipes se encontraram
Apostol diz que não há registro escrito sobre o método e que a explicação mais antiga é a de Herão de Alexandria, que supõe um percurso de ângulos retos em volta da montanha, a altitude constante. Dois historiadores britânicos da ciência, que visitaram o túnel em 1958 e 1961, acharam o método inviável no terreno e sugeriram outro, passando por cima do monte. Apostol examina cada etapa (ângulos retos e nivelamento) e, com Mamikon Mnatsakanian, propõe uma torre de 7 metros de onde se enxergam a nascente e o mar, com hastes de visada. A escavação, diz ele, desvia-se: a equipe do norte começou alinhada, depois fez zigue-zagues e uma curva fechada até o encontro, que o autor lê como prova de que a obra foi escavada das duas pontas. (Apostol)
Pitágoras, Polícrates e o engenheiro de nome conhecido
Apostol coloca o túnel na Samos do tirano Polícrates, de 570 a 522 a.C., cuja capital tinha muralhas de 3,9 milhas, um quebra-mar e o templo de Hera, e conta que Pitágoras nasceu na ilha por volta de 572 a.C. mas passou pouca vida adulta nela, sem razão para crer que tenha projetado o túnel. Eupalino, escreve, foi o primeiro engenheiro hidráulico de nome conservado; o túnel de Ezequias, em Jerusalém, de cerca de 700 a.C., ficou sem engenheiro nomeado. Apostol estima que a obra pode ter levado de 8 a 15 anos. (Apostol)
Fontes
- Heródoto. The Histories (Histórias), livro III (cap. 60). Trad. A. D. Godley. Cambridge, MA: Harvard University Press; Londres: William Heinemann, 1920-1925 (Loeb Classical Library). Perseus Digital Library (Tufts University), arquivo tlg0016.tlg001.perseus-eng2, consultado em 29/10/2026. https://raw.githubusercontent.com/PerseusDL/canonical-greekLit/master/data/tlg0016/tlg001/tlg0016.tlg001.perseus-eng2.xml Acessar
- Apostol, Tom M. The Tunnel of Samos. Engineering & Science (Caltech), n. 1, p. 30-39 do periódico (ano de publicação não aparece no PDF; o texto cita um relatório de 1995 e uma visita do autor em 1993). PDF em https://webs.um.es/pherrero/apostol_eupalinos.pdf, consultado em 29/10/2026. Acessar
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- Reformas de Sólon em Atenas (início do séc. VI a.C.): a seisachtheia e o fim do empréstimo sobre o corpo da pessoa, nas palavras do próprio Sólon c. 590 a.C. (início do séc. VI a.C.). A tradição situa o arcontado de Sólon por volta de 594 a.C., mas os textos lidos não dão o ano em número e o item do Wikidata não tem data
- Diolkos de Corinto: a passagem pelo istmo onde se arrastavam navios de um golfo ao outro, e o debate sobre a via pavimentada tradicionalmente c. 600 a.C. (Wikidata, séc. VI a.C.); data em debate. A fonte mais antiga lida é Tucídides, sobre a Guerra do Peloponeso (séc. V a.C.)
- Teano de Crotona: a pitagórica que Diógenes Laércio dá como esposa ou discípula de Pitágoras e autora de "algumas coisas" séc. VI a.C. (descrição do item no Wikidata, c. 600 – c. 500 a.C.); Diógenes Laércio não data a vida dela
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- Safo de Lesbos: a poeta de Mitilene, o irmão Cárax e a ode a Afrodite que Dionísio de Halicarnasso copiou como modelo de estilo c. 630 – c. 570 a.C. (descrição do item no Wikidata); as fontes lidas não datam a vida dela