Atlas da História

Calendário juliano: a reforma de Júlio César, com ano de 365 dias e um dia intercalar a cada quatro anos (46 a.C.)

promulgado em 46 a.C. (708 de Roma), no terceiro consulado de César, segundo a Enciclopédia Italiana (1930) · Europa Mediterrânea

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Segundo a Enciclopédia Italiana (1930), Júlio César, como pontífice máximo, promulgou em 46 a.C. uma reforma do calendário romano, sugerida pelo astrônomo e matemático alexandrino Sosígenes, para acabar com o arbítrio dos pontífices na colocação dos meses intercalares. A duração média do ano foi fixada em 365 dias e um quarto, com ciclos de três anos de 365 dias e um de 366, o dia a mais inserido em fevereiro. O próprio ano de 46 a.C. recebeu dias e meses extras e ficou conhecido como ano da confusão.

Um calendário sem regra fixa

O verbete explica que, no calendário romano anterior à reforma, a confusão cresceu com o arbítrio dos pontífices, que variavam a distribuição dos meses intercalares por razões religiosas e políticas, e que todo o equilíbrio do calendário dependia desses meses. Ao tempo da reforma, por omissão de intercalações, o ano oficial estava adiantado cerca de noventa dias em relação ao ano compensado. O único calendário que se conhece anterior à reforma é o dos Fastos de Âncio, pintados em reboco, que ainda registram o décimo terceiro mês intercalar (mercedônio). (Dangel et al. 1930)

Como o ano foi refeito

Segundo o verbete, César inseriu em fevereiro de 46 a.C. o mês mercedônio, de 23 dias, e repartiu em dois meses os dias restantes, colocados entre novembro e dezembro. O ano teve assim quinze meses e 445 dias segundo Censorino, 444 segundo Solino e 443 segundo Macróbio, e foi chamado ano da confusão. Restabelecida a coincidência, César redistribuiu os dias dos meses (o verbete lista os meses que receberam um ou dois dias a mais, mas repete dezembro nas duas listas) e ordenou que a cada quatro anos se inserisse um dia entre 23 e 24 de fevereiro, chamado "bis sexto kalendas Martias", de onde vêm "bissexto" e o ano "bissextil". (Dangel et al. 1930)

O ano de 365 dias e um quarto

A reforma, diz o verbete, buscou tirar o arbítrio e a inconstância do calendário e fazer o ano civil coincidir o mais possível com o ano tropical, que se julgava pouco diferente de 365 dias e um quarto. Tomando esse valor como duração média, César instituiu ciclos de quatro anos, com três de 365 dias e um de 366. O verbete atribui a sugestão do projeto ao astrônomo e matemático alexandrino Sosígenes, e lembra que Ovídio (Fastos, III, 161-162) conserva a tradição da colaboração científica de César. (Dangel et al. 1930)

Erros nos primeiros anos

A Enciclopédia relata que Solino e Macróbio contam uma intercalação a cada três anos em vez de a cada quatro, por 36 anos, com doze bissextos em lugar de nove, e que Augusto teria corrigido o excesso deixando doze anos sem intercalar antes de retomar a regra de César. Plínio fala também de doze anos sem intercalação, mas atribui o erro a Sosígenes. Para o autor, os dados de Ginzel e de Dião Cássio indicam que 709 e 713 de Roma foram bissextos; ele aceita que a regra de um bissexto a cada quatro anos vale com certeza apenas do ano 761 de Roma em diante. (Dangel et al. 1930)

Fontes

  1. Dangel, Iliehard; Dangel, Richard; Ballini, Ambrogio; Pagliaro, Antonino; et al. (1930). "Calendario". Enciclopedia Italiana. Roma: Istituto della Enciclopedia Italiana. https://www.treccani.it/enciclopedia/calendario_(Enciclopedia-Italiana)/ (baixado em 30/10/2026). Acessar

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