Lucrécio (Tito Lucrécio Caro), poeta latino do De rerum natura, sobre a física atomista de Epicuro, c. 95–55 a.C.
nasceu em meados dos anos 90 a.C. e morreu em meados dos anos 50 a.C. (as fontes antigas divergem: nascimento entre 99 e 95 ou em 94 a.C.; morte entre 55 e 51 a.C.) · Europa Mediterrânea
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Segundo Bignone (Enciclopédia Italiana, 1934) e Trépanier (Stanford Encyclopedia of Philosophy, 2023), Tito Lucrécio Caro nasceu em meados dos anos 90 a.C. e morreu em meados dos anos 50, e quase nada mais se sabe de sua vida. É o autor do De rerum natura, poema didático latino em seis livros que expõe a física atomista de Epicuro. Trépanier o descreve como a fonte mais completa que temos dessa física e a única do desvio atômico (clinamen).
O pouco que se sabe da vida
Trépanier escreve que quase nada se sabe da vida de Lucrécio além do que se infere do poema. A única referência externa é uma carta de Cícero ao irmão Quinto, de fevereiro de 54 a.C., que louva a obra. O destinatário do poema, Mêmio, é provavelmente Caio Mêmio, pretor em 58 a.C. Segundo Bignone, os limites antigos para o nascimento vão de 99 a 95 a.C. e para a morte, de 55 a 51; o local de nascimento não é conhecido. Ele considera errada a ideia, tirada por Marx da onomástica, de que Lucrécio teria nascido em condição humilde: um ramo da gens Lucrécia era aristocrático. (Trépanier 2023; Bignone 1934)
Seis livros, dos átomos ao céu
O poema tem seis livros, que Trépanier descreve numa progressão de escala de dois em dois: os livros I e II tratam dos átomos e do vazio, do movimento e das formas atômicas; os III e IV, da natureza e mortalidade da alma e de sensação, pensamento, sonhos e emoções; o V, do nosso mundo, da cosmologia, da origem da vida e da história da civilização; o VI, de fenômenos meteorológicos e terrestres. Para Bignone, o fim da obra é ético: conquistar serenidade contra o medo dos deuses e da morte por meio do conhecimento da natureza. O poema está completo, mas provavelmente sem a revisão final. (Trépanier 2023; Bignone 1934)
O desvio dos átomos
No livro II, depois de dizer que os átomos caem com velocidade uniforme pelo vazio, Lucrécio introduz o clinamen, um desvio mínimo que ocorre ao acaso, sem lugar nem tempo fixos. Trépanier explica que o desvio serve a um problema restrito: sem ele os átomos, caindo iguais, nunca colidiriam nem formariam compostos. Lucrécio o liga também à ação voluntária, para que a vontade não fique presa numa cadeia causal infinita. Segundo Trépanier, Lucrécio é a única fonte epicurista dessa doutrina e o sentido da seção é muito discutido; para Bignone, o desvio funda a liberdade da vontade humana contra o destino dos atomistas e dos estoicos. (Trépanier 2023; Bignone 1934)
Recepção do poema
Segundo Trépanier, Virgílio, nas Geórgicas (2.490-92), evoca o título de Lucrécio ao louvar quem soube conhecer as causas das coisas. Bignone nota que Horácio e Virgílio, sem o nomear, parecem tratá-lo como mestre; que Ovídio o chama sublime; e que escritores cristãos o combatem, mas admiram e imitam sua arte, e que Lactâncio o chama de louco (diz Trépanier). Na Idade Média foi conhecido apenas por citações de gramáticos; Poggio Bracciolini o revelou ao humanismo a partir de um códice, cuja cópia enviou da Alemanha por volta de 1417. A edição príncipe é a de Bréscia, de 1479. (Trépanier 2023; Bignone 1934)
Fontes
- Bignone, Ettore (1934). "Lucrezio". Enciclopedia Italiana. Roma: Istituto della Enciclopedia Italiana. https://www.treccani.it/enciclopedia/lucrezio_(Enciclopedia-Italiana)/ (baixado em 30/10/2026). Acessar
- Trépanier, Simon (2023). "Lucretius". Stanford Encyclopedia of Philosophy. Primeira publicação em 22 set. 2023. https://plato.stanford.edu/entries/lucretius/ (baixado em 30/10/2026). Acessar
- "Lucrèzio Caro, Tito". Enciclopedia on line. Roma: Istituto della Enciclopedia Italiana Treccani. https://www.treccani.it/enciclopedia/tito-lucrezio-caro/ (baixado em 30/10/2026; verbete sem autor identificado no texto lido). Acessar
Na mesma região
- Batalha de Vercelas (101 a.C.): o fim dos cimbros e o suicídio de mulheres em torno das carroças 101 a.C., depois do solstício de verão (Plutarco: três dias antes da lua nova de Sextilis, o atual agosto)
- Revolta de Espártaco (73–71 a.C.): escravizados e gladiadores contra Roma e os 6.000 crucificados 73 a 71 a.C. (datas do Wikidata; Apiano diz que a guerra durava três anos quando Crasso assumiu)
- Notas tironianas (notae): a taquigrafia latina atribuída a Tirão, liberto de Cícero, e o discurso de Catão anotado no Senado (63 a.C.) 5 de dezembro de 63 a.C., primeiro uso datado nas fontes lidas (o discurso de Catão contra Catilina foi taquigrafado); a invenção do sistema por Tirão não tem data no verbete
- Lívia Drusila, esposa de Augusto e mãe de Tibério, depois chamada Júlia Augusta, 58 a.C.–29 d.C. nasceu em 30 de janeiro de 58 a.C. (a Enciclopedia on line dá 58/57); morreu em 29 d.C., muito idosa
- Cerco de Numância (134–133 a.C.): a cidade celtibera cercada por Cipião Emiliano, segundo Apiano e Blázquez Martínez 134–133 a.C. (Wikidata P580 e P582); na tradução de Apiano por White, Cipião é eleito cônsul em 134 a.C. e o cerco e a rendição se dão em 133 a.C.
- Calendário juliano: a reforma de Júlio César, com ano de 365 dias e um dia intercalar a cada quatro anos (46 a.C.) promulgado em 46 a.C. (708 de Roma), no terceiro consulado de César, segundo a Enciclopédia Italiana (1930)