Atlas da História

Notas tironianas (notae): a taquigrafia latina atribuída a Tirão, liberto de Cícero, e o discurso de Catão anotado no Senado (63 a.C.)

5 de dezembro de 63 a.C., primeiro uso datado nas fontes lidas (o discurso de Catão contra Catilina foi taquigrafado); a invenção do sistema por Tirão não tem data no verbete · Europa Mediterrânea

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Segundo a Enciclopédia Italiana (1936), coube a Tirão, liberto e colaborador literário de Cícero, o mérito de ter concebido o sistema taquigráfico complexo, mas não arbitrário, que leva o nome de tironiano. O verbete informa que o discurso de Catão contra Catilina no Senado, em 5 de dezembro de 63 a.C., por vontade de Cícero, foi anotado em taquigrafia. As notae continuaram a ser ensinadas e usadas na Antiguidade tardia e ainda na época de Carlos Magno.

Abreviar para escrever depressa

O verbete situa as notae numa necessidade antiga: depois de desenvolvida a escrita alfabética, quis-se abreviá-la para ganhar tempo e material de escrita. Os romanos já usavam abreviações por truncamento em inscrições, e Valério Probo (séc. I d.C.) lista as notae, depois chamadas siglae, distinguindo as públicas das familiares. Para escrever com rapidez e ler os sinais com exatidão, porém, eram precisos recursos gráficos diferentes da simples representação de letras, e o verbete diz que foi Tirão, liberto de Cícero, precioso colaborador literário e amigo devotado, que concebeu o sistema tironiano. (Aliprandi e Pigò 1936)

Uso no mundo latino

Segundo o verbete, as notae tiveram uso vivo e apreciado no mundo latino. O discurso de Catão contra Catilina no Senado, em 5 de dezembro de 63 a.C., que Cícero quis registrado, foi taquigrafado; também as orações de Quintiliano e as meditações de Plínio o Velho e de Plínio o Jovem foram anotadas por taquígrafos, e o imperador Tito disputava velocidade com taquígrafos profissionais. Nas escolas, depois da gramática, estudava-se a Ars notaria. Com Diocleciano os notarii tornaram-se funcionários imperiais, e a Igreja serviu-se muito das notae, nas atas de mártires e nos concílios. (Aliprandi e Pigò 1936)

Acréscimos e sobrevivência

O verbete diz que é difícil seguir o desenvolvimento técnico das notas. Às que Tirão ideou ou ordenou juntaram-se outras, de Vipsânio Filargo e de Áquila, liberto de Mecenas; uma coletânea foi atribuída na Idade Média a Sêneca, falsamente, e São Cipriano (morto em 257) acrescentou sinais necessários aos cristãos. O exemplo mais antigo de notas tironianas é uma inscrição do ano 362, e o documento mais antigo com notas é um diploma de Clotário II, de 625. Salmos do tempo de Carlos Magno mostram que as notas eram ensinadas nas escolas e usadas em diplomas e na redação de discursos, como no sínodo de 745. (Aliprandi e Pigò 1936)

Fontes

  1. Aliprandi, Giuseppe; Pigò, Artiode (1936). "Stenografia". Enciclopedia Italiana. Roma: Istituto della Enciclopedia Italiana. https://www.treccani.it/enciclopedia/stenografia_(Enciclopedia-Italiana)/ (baixado em 30/10/2026). Acessar

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