Revolta de Espártaco (73–71 a.C.): escravizados e gladiadores contra Roma e os 6.000 crucificados
73 a 71 a.C. (datas do Wikidata; Apiano diz que a guerra durava três anos quando Crasso assumiu) · Europa Mediterrânea
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Cerca de 70 gladiadores, entre eles Espártaco, um trácio, fugiram da escola de Cápua e juntaram escravizados fugidos e trabalhadores do campo até formar um exército que Apiano estima em 70 mil e, depois, 120 mil soldados de infantaria. Derrotaram vários comandantes romanos, até que Crasso, com seis legiões, os cercou e venceu; segundo Apiano, na luta final os romanos perderam cerca de 1.000 homens e as perdas dos revoltosos "não eram fáceis de estimar", e 6.000 sobreviventes foram capturados e crucificados ao longo da estrada de Roma a Cápua. Antes disso, Crasso matou cerca de 6.000 deles de manhã e quase outros tantos à tarde, e Apiano conta que Espártaco crucificou um prisioneiro romano e sacrificou 300 romanos a Crixo.
Leia sobre isto
A fuga de Cápua
Plutarco escreve que Lêntulo Batiato mantinha em Cápua uma escola de gladiadores, em sua maioria gauleses e trácios, que não haviam cometido falta alguma e estavam presos por injustiça do dono. Duzentos planejaram fugir; o plano foi denunciado, e os que escaparam, 78, pegaram cutelos e espetos de uma cozinha, tomaram carroças com armas de gladiadores e elegeram três chefes, o primeiro Espártaco. Apiano dá número próximo, cerca de 70 companheiros, diz que se refugiaram no Vesúvio e que ali se juntaram escravizados domésticos fugidos e alguns trabalhadores livres do campo; com Enómao e Crixo como subordinados, Espártaco dividia o espólio em partes iguais e o grupo crescia depressa. (Plutarch; Appian of Alexandria)
Vitórias e números dos revoltosos
Os primeiros comandantes enviados, segundo Apiano, levavam quem se conseguia recrutar pelo caminho, e Espártaco chegou a tomar o cavalo do general Varínio. Depois, segundo ele, o exército chegou a 70 mil e passou a fabricar armas. Crixo, com 3 mil homens, foi derrotado e morto no monte Gargano, com perda de dois terços de sua força. Espártaco, depois de vencer os cônsules, sacrificou 300 prisioneiros romanos a Crixo e partiu para Roma com 120 mil soldados de infantaria; queimou o equipamento inútil, matou todos os prisioneiros e os animais de carga, e recusou os desertores que apareceram. Em Plutarco, o exército repele soldados de Cápua, troca armas de gladiador por armas de guerra, e vence Varínio, Cossínio e, nos Alpes, Cássio, governador da Gália Cisalpina, que tinha 10 mil homens. (Appian of Alexandria; Plutarch)
Crasso, a decimação e o muro
Pressionado, o Senado confiou a guerra a Crasso, que, segundo Apiano, comandou seis legiões e acrescentou as duas dos cônsules; castigou as legiões derrotadas sorteando um em cada dez para morrer, ou, segundo outros, matou até 4.000 homens depois de uma derrota sua. Plutarco conta que Crasso construiu um muro no istmo de Régio para encerrar Espártaco e seus homens, que esperaram uma noite de neve e tempestade, encheram parte do fosso com terra e galhos e passaram um terço da força. Apiano diz que, ao tentar romper o cerco, Crasso matou quase 6.000 no começo do dia e quase outros tantos à noite, com três mortos e sete feridos no lado romano. Espártaco mandou crucificar um prisioneiro romano entre as linhas para mostrar aos seus o destino da derrota. (Appian of Alexandria; Plutarch)
O fim e a estrada dos crucificados
Apiano conta que Espártaco, diante da chegada de Pompeu e de Lúculo, tentou negociar com Crasso, foi recusado e rompeu as linhas até Brundísio; derrotado, lutou ferido, de joelhos, até cair, e seu corpo nunca foi achado. As perdas dos revoltosos "não eram fáceis de estimar" e as dos romanos foram de cerca de 1.000. Os fugitivos nas montanhas se dividiram em quatro grupos e resistiram até restarem 6.000 prisioneiros, crucificados em toda a estrada de Roma a Cápua. Plutarco dá fim semelhante a Espártaco, que cai lutando sozinho cercado, e diz que Pompeu, ao interceptar fugitivos, pôde escrever ao Senado que Crasso vencera a batalha, mas ele extirpara a guerra; uma nota do tradutor lembra que na Vida de Pompeu o número desses fugitivos é de 5.000. Crasso não ousou pedir o triunfo maior pela guerra de escravizados. (Appian of Alexandria; Plutarch)
Fontes
- Appian of Alexandria, Roman History, Civil Wars 1.116-120 (Espártaco). Tradução inglesa de John Carter, em Livius.org, "Appian on Spartacus". https://www.livius.org/sources/content/appian/appian-spartacus/ (acesso em 30/10/2026). Acessar
- Plutarch, Life of Crassus, caps. 8-11. Tradução inglesa de Bernadotte Perrin, Plutarch's Lives vol. 3 (Cambridge, MA: Harvard University Press; Londres: Heinemann, 1916), Perseus Digital Library. https://www.perseus.tufts.edu/hopper/text?doc=Plut.+Crass.+8 (acesso em 30/10/2026). Acessar
Na mesma região
- Notas tironianas (notae): a taquigrafia latina atribuída a Tirão, liberto de Cícero, e o discurso de Catão anotado no Senado (63 a.C.) 5 de dezembro de 63 a.C., primeiro uso datado nas fontes lidas (o discurso de Catão contra Catilina foi taquigrafado); a invenção do sistema por Tirão não tem data no verbete
- Lívia Drusila, esposa de Augusto e mãe de Tibério, depois chamada Júlia Augusta, 58 a.C.–29 d.C. nasceu em 30 de janeiro de 58 a.C. (a Enciclopedia on line dá 58/57); morreu em 29 d.C., muito idosa
- Lucrécio (Tito Lucrécio Caro), poeta latino do De rerum natura, sobre a física atomista de Epicuro, c. 95–55 a.C. nasceu em meados dos anos 90 a.C. e morreu em meados dos anos 50 a.C. (as fontes antigas divergem: nascimento entre 99 e 95 ou em 94 a.C.; morte entre 55 e 51 a.C.)
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- Batalha de Vercelas (101 a.C.): o fim dos cimbros e o suicídio de mulheres em torno das carroças 101 a.C., depois do solstício de verão (Plutarco: três dias antes da lua nova de Sextilis, o atual agosto)
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