De architectura, de Vitrúvio: dez livros sobre cidades, materiais, templos, edifícios, água, relógios de sol e máquinas, escritos por volta de 27 a.C.
por volta de 27 a.C., data de composição situada "com certa aproximação" pela Enciclopédia Italiana (1937); a datação já foi disputada · Europa Mediterrânea
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Segundo a Enciclopédia Italiana (1937), o De architectura, em dez livros, é o único tratado de arquitetura que a Antiguidade nos transmitiu, e Vitrúvio diz ter reunido de forma sistemática preceitos que os predecessores deixaram dispersos. Trata da escolha de lugares e das cidades, dos materiais, dos templos, dos edifícios públicos e privados, dos acabamentos, da água, dos relógios de sol e das máquinas de paz e de guerra. Da vida do autor quase nada se sabe, e a composição é situada hoje por volta de 27 a.C.
O que se sabe do autor
Pellati escreve que da biografia de Vitrúvio se conhece muito pouco: o prenome varia entre Lúcio, Aulo e Marco (a maioria dos códices traz Marco), e o cognome Pólio pode agora ser aceito com mais confiança. Roma, Formia, Verona, Ravena, Fano, Piacenza e a Numídia disputam o local de nascimento, e o nome ocorre sobretudo em inscrições da Campânia e da região de Formia. O próprio Vitrúvio diz ser de baixa estatura e, ao escrever, velho e doente. Teria se especializado em arquitetura militar e hidráulica e recebido de Augusto o encargo de preparar balistas e escorpiões. (Pellati 1937)
Um arquiteto com poucas encomendas
Segundo o verbete, Vitrúvio conta no prefácio do livro VI que, pouco disposto a buscar encargos, teve poucos e lucrou pouco, e no prefácio do livro I que pediu e obteve do imperador, por intercessão da irmã deste, uma pensão vitalícia. Ele esperava ganhar com o tratado, junto aos pósteros, a notoriedade que não conquistou em vida. O verbete diz também que ele deve ter ido a Fano para construir ali sua basílica, descrita no livro V, a menos que se aceite a opinião de que a descrição seja interpolação posterior. Frontino, em De aquis, cita como possível introdutor do módulo da fistula quinaria Vitrúvio ou Agripa. (Pellati 1937)
Os dez livros
Segundo Pellati, Vitrúvio divide a arquitetura em aedificatio, gnomonica e machinatio. O livro I trata da escolha dos lugares, das muralhas e da distribuição das construções; o II, das origens das construções e dos materiais; os III e IV, dos templos e das ordens; o V, de fóruns, basílicas, teatros, banhos, portos; o VI, das casas; o VII, dos acabamentos, estuques, mosaicos, pinturas e preparação de cores. O VIII, de hidráulica, trata da água, de sua natureza, de como achá-la, conduzi-la e conservá-la; o IX é de gnomônica; o X, de máquinas, sobretudo de guerra. As ilustrações originais se perderam, lacuna que, diz o verbete, aumentou a obscuridade do texto. (Pellati 1937)
Uma obra única e o seu destino
O verbete on-line da Treccani diz que o tratado tem grande importância para a arqueologia e a história da arte antiga: pelas ordens arquitetônicas gregas, pelos arquitetos e edifícios citados e por uma série de temas do ambiente romano, como fóruns, basílicas, termas, teatros, portos e casas. São também preciosas as notícias sobre materiais, muros, estuques, pavimentos, mosaicos e cores, e a passagem sobre a sucessão dos estilos de pintura mural. Reconhece-se a Vitrúvio o mérito de ter transmitido à cultura latina muitas descobertas e invenções da mecânica helenística. A obra foi muito considerada em época imperial, ocasionalmente na Idade Média e grandemente no Renascimento, a começar por Leon Battista Alberti; a edição príncipe saiu em 1486. ("Vitrùvio". Enciclopedia on line. Roma: Istituto della Enciclopedia Italiana Treccani. https://www.treccani.it/enciclopedia/vitruvio/ (baixado em 30/10/2026; verbete sem autor identificado no texto lido).)
Fontes
- Pellati, Francesco (1937). "Vitruvio". Enciclopedia Italiana. Roma: Istituto della Enciclopedia Italiana. https://www.treccani.it/enciclopedia/vitruvio_(Enciclopedia-Italiana)/ (baixado em 30/10/2026). Acessar
- "Vitrùvio". Enciclopedia on line. Roma: Istituto della Enciclopedia Italiana Treccani. https://www.treccani.it/enciclopedia/vitruvio/ (baixado em 30/10/2026; verbete sem autor identificado no texto lido). Acessar
Na mesma região
- Augusto "devolve o Estado" ao Senado e ao povo (28–27 a.C.): as Res Gestae e Tácito 28 a 27 a.C. (sexto e sétimo consulados de Augusto, segundo as Res Gestae 34, na glosa do tradutor)
- Calendário juliano: a reforma de Júlio César, com ano de 365 dias e um dia intercalar a cada quatro anos (46 a.C.) promulgado em 46 a.C. (708 de Roma), no terceiro consulado de César, segundo a Enciclopédia Italiana (1930)
- Lívia Drusila, esposa de Augusto e mãe de Tibério, depois chamada Júlia Augusta, 58 a.C.–29 d.C. nasceu em 30 de janeiro de 58 a.C. (a Enciclopedia on line dá 58/57); morreu em 29 d.C., muito idosa
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- Revolta de Espártaco (73–71 a.C.): escravizados e gladiadores contra Roma e os 6.000 crucificados 73 a 71 a.C. (datas do Wikidata; Apiano diz que a guerra durava três anos quando Crasso assumiu)
- Lucrécio (Tito Lucrécio Caro), poeta latino do De rerum natura, sobre a física atomista de Epicuro, c. 95–55 a.C. nasceu em meados dos anos 90 a.C. e morreu em meados dos anos 50 a.C. (as fontes antigas divergem: nascimento entre 99 e 95 ou em 94 a.C.; morte entre 55 e 51 a.C.)