Cidade Redonda de Bagdá (Madinat al-Salam), construída entre 762 e 766
762 a 766 (obras de al-Mansur, segundo Oleschuk; Wikidata: 762) · Mesopotâmia e Levante
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Capital circular que o califa abássida al-Mansur mandou construir na margem oeste do Tigre, com obras entre 762 e 766, chamada Madinat al-Salam, a "Cidade da Paz". Segundo Oleschuk, não restam vestígios físicos e as medidas variam entre as fontes (cerca de 2.300 metros de diâmetro), mas a lembrança de sua forma durou séculos. A cidade logo cresceu para fora das muralhas e, com a expansão em Rusafa, tornou-se centro de comércio e de saberes.
Do mercado de Bagdá à Cidade da Paz
Segundo Oleschuk, al-Mansur (califa de 754 a 775) levou a capital para um ponto em que o Tigre e o Eufrates mais se aproximam. Na margem leste do Tigre já havia o povoado de mercado Suq Bagdá; na margem oeste ele fundou a cidade circular e a chamou oficialmente de Madinat al-Salam. Em vida do fundador, a cidade passou das muralhas e formou o bairro de al-Karkh, e os abássidas depois atravessaram o rio e fizeram de Suq Bagdá um segundo núcleo, Rusafa. Oleschuk afirma que esse crescimento fez de Bagdá um entreposto de mercadorias do mundo e um centro de matemática, astronomia, medicina, direito e astrologia. As obras da cidade redonda foram de 762 a 766. (Oleschuk 2023)
Muralhas duplas, quatro portas e o palácio no centro
A planta, resumida por Oleschuk a partir de estudos de reconstrução, tinha muralhas duplas e quatro portas duplas, com um salão de recepção coberto por cúpula dourada sobre cada entrada. Entre as muralhas, o espaço devia ficar livre: al-Mansur teria dito que ninguém devia morar ao lado do muro interno alto. Mercados ficavam sob as arcadas perto das portas, bairros residenciais entre elas, e no centro, cercados por uma terceira muralha, o palácio e a grande mesquita. O palácio tinha a Cúpula Verde, com a estátua de um cavaleiro de lança. A mesquita, acredita-se segundo a autora, tem o muro da qibla orientado de modo ligeiramente incorreto. As medidas variam entre as fontes, e as reconstruções, diz ela, mostram o quanto se ignora. (Oleschuk 2023)
Milhares de artesãos e modelos iranianos
Oleschuk reproduz o relato de al-Khatib al-Baghdadi, segundo o qual o califa convocou mestres de engenharia, arquitetura, agrimensura, carpintaria e ferraria e só começou quando havia milhares de artesãos. Lassner vê nessa mobilização um vínculo entre a cidade e a legitimação do poder de al-Mansur. A autora lembra elementos de tradição sassânida: a planta do palácio, as portas trazidas de Wasit e da Síria, o parentesco com Raqqa e Ukhaydir. Para Beckwith, a cidade era sinal visível da herança abássida da realeza persa; Lassner pergunta quem, entre os súditos que o califa queria conquistar, se impressionaria com símbolos de cosmologia iraniana. (Oleschuk 2023)
Uma cidade que virou memória
Oleschuk argumenta que, mesmo depois de sua ruína, a forma circular ficou na memória como em nenhuma outra cidade islâmica, e que a fundação deve ser estudada como lugar e como paisagem imaginada. A cidade teve vários nomes: Madinat al-Mansur, Madinat al-Salam (e Dar al-Salam, que lembra o paraíso do Alcorão), al-Zawra' ("a torta") e al-Madina al-Mudawwara ("a redonda"). A autora cita um sonho atribuído ao linguista Abu Amr ibn al-Ala, em que quem vive em Bagdá e morre sunita passa de um paraíso a outro, e a admiração de al-Jahiz. O período de maior brilho, de 785 a 847 segundo as fontes que ela usa, é glorificado na literatura posterior. (Oleschuk 2023)
Fontes
- Oleschuk, Samantha. "Architectural Site and Imagined Landscape: The Foundation Lore and Perpetuated Mythology of the Round City of Baghdad". Aisthesis, vol. 14 (2023), a partir da p. 23. https://pubs.lib.umn.edu/index.php/aisthesis/article/download/5304/3388/29398. PDF e texto bruto lidos em 29/10/2026. Acessar
- Ghewond. Ghewond's History. Tradução do armênio clássico por Robert Bedrosian. Long Branch, N.J., 2006 (domínio público). Parágrafo [35], em https://www.attalus.org/armenian/ghew7.htm. Texto bruto lido em 29/10/2026. Acessar
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