Debate do patriarca Timóteo I com o califa al-Mahdi (781)
781 (dois dias de audiência, segundo Rendel Harris; o texto foi escrito depois, em data desconhecida) · Mesopotâmia e Levante
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Em 781, segundo Rendel Harris, o chefe da Igreja do Oriente, o patriarca Timóteo I, debateu durante dois dias com o califa abássida al-Mahdi sobre a natureza de Cristo, a Trindade, as Escrituras e o profeta Muhammad. O relato que sobreviveu foi escrito pelo próprio patriarca, em perguntas e respostas, numa carta a um correspondente, e Alphonse Mingana o traduziu do siríaco em 1928. Para Harris, era então o documento mais antigo conhecido das relações entre cristãos e muçulmanos nesse período.
Um debate de dois dias, escrito depois
Rendel Harris situa o encontro em 781, no reinado de al-Mahdi, terceiro califa abássida, com o patriarca da Igreja do Oriente, reconhecido como chefe de todos os cristãos orientais, e diz que o filho do califa, Harun, estava então numa expedição militar. O texto de Timóteo abre dizendo que registra o debate "em perguntas e respostas" e se dirige a um correspondente que Mingana supõe ser um certo Sergius, sem certeza. Quando o patriarca o pôs por escrito é desconhecido: Harris observa que o intervalo entre as audiências e a redação não pode ser medido. O segundo dia começa com o califa pedindo que Timóteo trouxesse um Evangelho, e o patriarca diz que essas audiências ocorriam com frequência, ora por assuntos de Estado, ora pelo gosto do califa pelo saber. (Timóteo I. "Timothy's Apology for Christianity" (debate com o califa al-Mahdi; Harris)
Cristo, o Filho e a Escritura
No primeiro dia, al-Mahdi estranha que quem fala com tanta elevação de Deus diga que Ele se casou e teve um filho. Timóteo responde que Cristo é a Palavra-Deus, Filho não pela carne, mas como a luz nasce do sol e a palavra da alma, e que nasceu de Maria sem relação conjugal. O califa pergunta ainda como seria possível um parto sem romper o selo da virgindade, e o patriarca recorre a exemplos das Escrituras e da natureza, como o fruto que nasce da árvore sem rasgá-la. Em seguida Mahdi lança a pergunta central da discussão: por que os cristãos aceitam Cristo pelo testemunho da Torá e dos Profetas e não aceitam Muhammad pelo do Evangelho? (Timóteo I. "Timothy's Apology for Christianity" (debate com o califa al-Mahdi)
O Paráclito, o profeta como Moisés e a adulteração
Para Timóteo, o Paráclito é o Espírito de Deus, que não tem corpo nem nasceu da terra, e por isso não pode ser Muhammad, nascido mais de seiscentos anos depois da ascensão de Jesus. Ao califa, que afirma que os livros foram adulterados e que as passagens sobre Muhammad foram removidas, ele responde que, se o Evangelho o mencionasse, os cristãos não apagariam o nome, mas diriam que ele ainda viria, como os judeus fazem com Jesus. Sobre o "profeta como Moisés" do Deuteronômio, argumenta que os irmãos de Israel incluem os edomitas e outros, e que um profeta igual a Moisés teria ensinado a Torá e praticado a circuncisão. Mahdi também liga a passagem do cavaleiro de asno e do de camelo a Jesus e a Muhammad, e Timóteo a refere a medos e elamitas. (Timóteo I. "Timothy's Apology for Christianity" (debate com o califa al-Mahdi)
Trindade, o plural do Alcorão e o louvor a Muhammad
O califa responde que o "Nós" divino é plural de majestade, como o dos reis. Timóteo concorda que seja majestade, mas argumenta que as palavras "Nós enviamos nosso Espírito" e "Nós sopramos nele do nosso Espírito" apontam para Deus, sua Palavra e seu Espírito, e conduz uma discussão sobre se Deus percebe e conhece a si mesmo desde toda a eternidade, concluindo que o faz por sua Palavra e seu Espírito. Perguntado sobre Muhammad, afirma que ele andou no caminho dos profetas, ensinou a unidade de Deus e afastou o povo da idolatria, e acrescenta que Deus lhe submeteu os reinos persa e romano. Ao fim, o califa diz que, se Timóteo o aceitasse como profeta, suas palavras seriam belas e seu sentido fino. (Timóteo I. "Timothy's Apology for Christianity" (debate com o califa al-Mahdi; Harris)
Fontes
- Timóteo I. "Timothy's Apology for Christianity" (debate com o califa al-Mahdi, em perguntas e respostas). Tradução do siríaco por Alphonse Mingana, em Woodbrooke Studies, vol. 2, reimpresso do Bulletin of the John Rylands Library 12 (Cambridge: W. Heffer & Sons, 1928), pp. 16–90. https://tertullian.org/fathers/timothy_i_apology_01_text.htm. Texto bruto lido em 29/10/2026. Acessar
- Harris, J. Rendel. Introdução a Mingana, Alphonse (trad.), The Apology of Timothy the Patriarch before the Caliph Mahdi, Woodbrooke Studies, vol. 2 (Cambridge: W. Heffer & Sons, 1928), pp. v–vii e 1–15. https://tertullian.org/fathers/timothy_i_apology_00_intro.htm. Texto bruto lido em 29/10/2026. Acessar
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