Atlas da História

Cnossos e os centros palacianos minoicos

c. 1900–1100 a.C., fase dos palácios (UNESCO) · Europa Mediterrânea

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Cnossos, um dos maiores assentamentos de Creta do Neolítico à época romana, é um dos seis centros palacianos minoicos que a UNESCO inscreveu juntos, com Festo, Malia, Zakros, Zominthos e Kydonia, datados de 1900 a 1100 a.C. Os palácios eram centros administrativos, econômicos e religiosos, com sistemas de escrita antigos e redes marítimas que ligavam Europa, África e Ásia. A imagem moderna do sítio vem em boa parte das escavações de Arthur Evans e das amplas reconstruções do início do século XX, cujas premissas hoje são revistas.

Selo amigdaloide de hematita
Pequeno selo de pedra entalhado, usado para marcar argila e identificar donos ou mercadorias. Selos como este fazem parte do cotidiano administrativo dos centros palacianos minoicos. Selo amigdaloide de hematita, artesãos minoicos (autoria não registrada), c. 1600–1400 a.C.. CC0 1.0 (domínio público). Ver no acervo
Prisma triangular de esteatita (selo)
Selo prismático de pedra macia, de um período antigo da cultura minoica. Mostra o trabalho de entalhe em miniatura e o uso de marcas pessoais nas trocas e no controle de bens. Prisma triangular de esteatita (selo), artesãos minoicos (autoria não registrada), c. 1900–1750 a.C.. CC0 1.0 (domínio público). Ver no acervo

Kalokairinos, o primeiro a escavar a colina de Kephala

Antes de Arthur Evans, Minos Kalokairinos (1843–1907), comerciante, intérprete e advogado, abriu escavações na colina de Kephala, em Cnossos, em 1878, provavelmente estimulado pelos achados recentes de Heinrich Schliemann em Micenas. Segundo Karadimas (2018), ele trouxe à luz partes de um palácio e foi pioneiro da arqueologia cretense, mas os trabalhos pararam em abril de 1879; Evans os retomou, sobretudo entre 1900 e 1905. Kotsonas (2016) chama a atenção para outra faceta de Kalokairinos, quase esquecida: o seu Diário Arqueológico Cretense, que registra a topografia e os monumentos da Cnossos grega e romana na segunda metade do séc. XIX. (Karadimas 2018; Kotsonas 2016)

A Cnossos grega e romana nos papéis de Kalokairinos

Segundo Kotsonas (2016), o diário de Kalokairinos mostra como a paisagem arqueológica de Cnossos mudava no séc. XIX e permite identificar monumentos desconhecidos ou perdidos, entre eles grandes construções, inscrições e esculturas, e situar o ponto onde apareceram em partes específicas da cidade antiga. O documento também revela como antiguidades do sítio foram reunidas e levadas para fora da ilha: peças de Cnossos foram parar em Atenas, no Egito e na Europa ocidental, onde eram tratadas como de procedência desconhecida. Kotsonas as reconhece como cnossianas e as liga aos seus contextos, o que, para ele, muda bastante o que se sabe da topografia, dos monumentos e do registro epigráfico da cidade. (Kotsonas 2016)

Uma cidade de muitos séculos além do palácio

Whitley (2023) lembra que Cnossos tinha lugar especial no imaginário grego e romano, como sede do rei Minos, do Labirinto e do Minotauro, e que o chamado Palácio de Minos de Evans associou o sítio, na imaginação moderna, a uma cultura perdida da Creta da Idade do Bronze. Para o autor, essa imagem cobre só um período relativamente curto da ocupação: durante a maior parte da sua história, Cnossos parece ter sido uma comunidade política com governo próprio. O livro acompanha o sítio desde a mitologia, passando por antiquários, viajantes e arqueólogos, revê a sociedade palaciana da Idade do Bronze e examina de forma crítica as premissas de Evans e de outros, mostrando como se formou a visão herdada do assentamento. (Whitley 2023)

Escritas, comércio e um labirinto de pátios

Para a UNESCO, os seis centros palacianos são a expressão mais representativa de uma cultura que floresceu no Mediterrâneo oriental por dois milênios, de 2800 a 1100 a.C. Os sítios guardam vestígios do hieroglífico cretense e do Linear A, que a ficha considera os dois sistemas de escrita mais recuados da Europa, e também do Linear B, além de sinais do comércio com egípcios e micênicos. A arquitetura combina planta labiríntica, pátios, sistemas de armazenamento e instalações hidráulicas elaboradas, e integra funções régias, administrativas e religiosas; a ficha vê nisso o surgimento de uma organização de tipo estatal no Mediterrâneo oriental. A lenda do Minotauro e do Labirinto está diretamente associada aos palácios. (UNESCO, lista nº 1733)

Reconstruções do séc. XX e a questão da autenticidade

A ficha da UNESCO reconhece que Cnossos enfrenta um problema próprio de autenticidade: as amplas reconstruções do início do séc. XX comprometeram parte da forma e do desenho originais, embora grandes porções do sítio continuem autênticas e todas as reconstruções estejam documentadas. O órgão pede que se desenvolvam métodos para distinguir com clareza os vestígios originais das reconstruções posteriores, de modo que o valor do bem se apoie em material autêntico. Nos outros componentes predominou a intervenção mínima. A ficha observa ainda que a extensão total de Kydonia, sob a cidade atual de Chania, não foi determinada, e que o conjunto é protegido pela lei grega 4858/2021, sob o Ministério da Cultura. (UNESCO, lista nº 1733)

Fontes

  1. UNESCO World Heritage Centre, "Minoan Palatial Centres", lista nº 1733. https://whc.unesco.org/en/list/1733/ (dados abertos data.unesco.org, consultados em 07/10/2026) Acessar
  2. Whitley, J. (2023). Knossos. Bloomsbury. DOI 10.5040/9781350241619. Acessar
  3. Karadimas, N. (2018). "Kalokairinos, Minos (1843–1907)". In: The Encyclopedia of Ancient History. Wiley. ISBN 9781405179355. DOI 10.1002/9781444338386.wbeah30454. Acessar
  4. Kotsonas, A. (2016). "Greek and Roman Knossos: The Pioneering Investigations of Minos Kalokairinos". The Annual of the British School at Athens 111: 299–324. DOI 10.1017/s0068245416000058. Acessar

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