Oficina de tintura de púrpura em Egina-Kolonna (séc. XVI a.C.): conchas esmagadas de Hexaplex trunculus, resíduos analisados por HPLC e ossadas queimadas de filhotes
Séc. XVI a.C. (fase Heládico Recente IIA, Micênico Inicial), época da camada de destruição de dois edifícios, segundo Berger e colegas (2024). A tintura de púrpura já era conhecida em Creta desde o início do 2º milênio a.C. e chegou a Kolonna no Bronze Médio, segundo os mesmos autores · Europa Mediterrânea
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Segundo Berger e colegas (2024), uma escavação na área K10 de Egina-Kolonna, no golfo Sarônico, achou no depósito de destruição de dois edifícios do Micênico Inicial (Heládico Recente IIA, séc. XVI a.C.) uma oficina de púrpura: cacos de cerâmica com pigmento, uma cova com conchas esmagadas e pilões. A análise química dos resíduos e a identificação das conchas mostram que quase só se usou o búzio Hexaplex trunculus. Os autores acham também ossadas queimadas de leitões e cordeiros ou cabritos e discutem se foram oferendas ligadas ao processo.
Kolonna e o saber vindo de Creta
Segundo Berger e colegas (2024), o assentamento do cabo Kolonna, num promontório protegido da costa noroeste de Egina, foi ocupado do Neolítico ao período bizantino e viveu no 2º milênio a.C. um auge de prosperidade, forte e inserido em redes de troca regionais. A influência minoica é evidente no Bronze Médio, e os autores sugerem que a produção de púrpura foi adotada de Creta, onde a técnica é conhecida pelo menos desde o início do 2º milênio a.C. (Minoico Médio I–II, 1900–1700 a.C.). Em Kolonna ela aparece pela primeira vez na primeira metade do 2º milênio a.C. (Berger et al. 2024)
A escavação da área K10
Desde 2015 as escavações se concentram na área K10, no subúrbio leste. Sob um nível de aterro, uma camada de destruição de cerca de 0,75 m de espessura cobria dois edifícios do Micênico Inicial (Heládico Recente IIA, séc. XVI a.C.), um caído sobre o outro. No edifício mais antigo havia contexto doméstico, com indícios de fabricação de têxteis, de ferramentas de pedra e de beneficiamento de grãos em pequena escala. Ali estavam dois cacos com resíduo de pigmento roxo e, num canto, uma cova de 0,5 m de largura e 0,2 m de fundura, cheia de conchas esmagadas e coberta pela destruição, com três pedras do tamanho de um punho, talvez pilões. (Berger et al. 2024)
O que a química e as conchas dizem
A análise por HPLC de duas amostras de pigmento achou índigo (23,9% e 21,8%), monobromoíndigo em proporção alta (44,5% e 39,1%) e dibromoíndigo baixo (6,3% e 11,8%). Segundo Berger e colegas (2024), esses valores só são conhecidos até hoje em pigmentos de Hexaplex trunculus. Nas conchas, essa espécie responde por 84,3% dos fragmentos de gastrópodes marinhos (n = 2.339) e, na cova, por 4.058 de 4.119 restos (98,5%) na parte peneirada, um quarto do depósito. Para eles, o quebra-quebra das conchas indica o processamento do corpo inteiro do caracol e exclui o uso como alimento. (Berger et al. 2024)
Mamíferos, cinza e filhotes queimados
Dos 2.592 restos de mamíferos, 1.455 foram identificados até o gênero: 54% de ovinos e caprinos, 37% de porcos e 9% de bovinos, proporção de porcos alta em relação a outras amostras do Bronze Final. Cerca de 4,8% dos fragmentos estavam queimados, mas entre os filhotes (de recém-nascidos a 4 meses) a proporção calcinada era muito alta, em aglomerados ligados a cinzas e carvão nas camadas de destruição dos dois edifícios. Berger e colegas notam que a tábua X 976 de Cnossos, em Linear B, associa o termo 'real' a um grupo de tintureiros de púrpura ou a objetos roxos, o que sugere produção palaciana e não palaciana. (Berger et al. 2024)
Fontes
- Berger, Lydia; Forstenpointner, Gerhard; Frühauf, Peter; Kanz, Fabian (2024). "More than just a color: Archaeological, analytical, and procedural aspects of Late Bronze Age purple-dye production at Cape Kolonna, Aegina". PLOS ONE 19(6): e0304340, publicado em 12 jun. 2024. DOI 10.1371/journal.pone.0304340. Texto integral via Europe PMC (PMC11168678), lido em 30/10/2026. Acessar
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