Fim de El Argar, no sudeste da Península Ibérica (c. 1550 a.C.): colapso, "rebelião social" e outras leituras
c. 1550 a.C. (data de calendário calibrada, que Bonora Soriano e outros usam como corte para contar sítios; eles falam também em transformações "por volta de 1600–1550 a.C.") · Europa Mediterrânea
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Por volta de 1550 a.C., a sociedade argárica do sudeste da Península Ibérica, de grandes assentamentos e de sepultamentos dentro dos povoados, desaparece de forma abrupta: some a cerâmica e as armas características, acabam as sepulturas sob os pisos, e o número de sítios datados cai de 133 para 51. Segundo Bonora Soriano, Moreno Gil, Peres e Risch (2026), as causas ambientais e econômicas não bastam para explicar o fim, que seria melhor entendido como resultado de tensões internas, uma "rebelião social" proposta por eles como modelo heurístico, e não demonstrada.
Os números do colapso
Segundo Bonora Soriano e outros, a análise reúne mais de 1.100 datas de radiocarbono de 149 sítios do quadrante sudeste ibérico com ocupação logo antes ou depois de 1550 a.C. O número de sítios datados cai de 133 para 51, uma redução de 61,7%, e a taxa de abandono é parecida dentro e fora do território argárico, o que, segundo eles, indica um colapso que atingiu todo o sudeste e não só o centro de El Argar. Os assentamentos que continuam são reorganizados e menores, o que eles leem como atomização e dispersão da população. (Bonora Soriano et al. 2026)
Fogo e destruição
O artigo lista camadas de fogo e destruição na transição do Bronze Antigo para o Recente. Em La Almoloya há fogos em várias áreas, inclusive no complexo palaciano onde estava o sepultamento principesco AY38; o bastião de Cerro de la Encina foi destruído por volta de 1550 a.C.; a acrópole de Peñalosa foi abandonada com fogo e destruição, e há casos em Gatas, Cabezo Negro e Ifre. Fora de El Argar, na Mancha, a ocupação de Motilla de los Palacios termina com camada de fogo sobre uma trincheira com restos fragmentados de ao menos quatro indivíduos. Os autores tratam esses sinais como indício possível de fim conflituoso, não como prova, e o texto não dá número de mortos. (Bonora Soriano et al. 2026)
Sepulturas e objetos que somem
Segundo o artigo, depois de 1550 a.C. há abandono completo e repentino de todas as expressões materiais argáricas: desaparecem os cálices cerâmicos e as armas e objetos emblemáticos, e se espalha pelo sudeste a cerâmica Cogotas, de decoração excisa (boquique). O costume de enterrar dentro dos assentamentos, de rituais muito formalizados e associações de gênero (diademas associados sobretudo a sepulturas femininas e espadas a masculinas), acaba por inteiro no território argárico, o que os autores descrevem como ruptura radical, não deriva gradual. (Bonora Soriano et al. 2026)
Os limites do modelo
Bonora Soriano e outros dizem que a rebelião é o conceito mais problemático da arqueologia, porque exige agência coletiva e intenção, que não deixam traço material direto. Por isso propõem submeter a hipótese a um "julgamento", com tese, antítese e síntese para cada evidência, e concluem que a rebelião é plausível no plano analítico quando vários domínios convergem, mas não demonstrada. Segundo eles, a violência pode não ter tomado a forma de batalhas campais, mas de abandono de assentamentos, destruição ou reuso de objetos simbólicos ou eliminação de lideranças. (Bonora Soriano et al. 2026)
Fontes
- Bonora Soriano, B.; Moreno Gil, A.; Peres, M.; Risch, R. (2026). Collapse from within? Social rebellion and the end of the El Argar in south-east Iberia (c. 1550 BC). Tagungen des Landesmuseums für Vorgeschichte Halle 34, p. 471–495 (acesso aberto, CC BY-NC-ND 4.0; DOI impresso no rodapé: 10.11588/propylaeum.1851.c28258). PDF do repositório da Universitat Autònoma de Barcelona, https://ddd.uab.cat/record/337929 (baixado e lido em texto bruto em 30/10/2026). Acessar
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