Erupção minoica de Thera (Santorini): a data, entre c. 1600 e 1500 a.C., em disputa
Entre o fim do séc. XVII e o início do séc. XV a.C., segundo a fonte e o método: a radiocarbono, c. 1600 a.C. (Pearson et al. propõem metade do séc. XVI a.C. em 2023); pela cronologia arqueológica, depois de 1540 a.C. ou c. 1524 a.C.; segundo Bruins e van der Plicht (2025), antes do reinado do faraó Ahmose · Europa Mediterrânea
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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A erupção de Thera (Santorini), de índice de explosividade vulcânica 7, enterrou sob metros de cinza o povoado minoico de Akrotiri e outros sítios de Thera e Therasia, e deixou uma camada que serve de marco para sincronizar as cronologias do Egeu, da Anatólia, do Levante e do Egito. Sua data é uma das discussões mais longas da arqueologia do Egeu: a radiocarbono coloca-a por volta de 1600 a.C., e a cronologia arqueológica, ligada ao Egito, a coloca de meados do séc. XVI ao início do XV a.C. Segundo Pearson et al. (2018, 2023), dados novos de anéis de árvores e de uma oliveira carbonizada em Therasia deslocam a estimativa para o séc. XVI a.C.; segundo Bruins e van der Plicht (2025), o evento é anterior ao reinado do faraó Ahmose.
O que está em disputa
Segundo Pearson et al. (2018), a discordância é entre datas de radiocarbono, que colocam a erupção no fim do séc. XVII ou início do XVI a.C., e a evidência arqueológica, que a coloca de meados do séc. XVI ao início do XV a.C. Pearson et al. (2023) resumem a posição arqueológica: o evento teria ocorrido depois do início do Reino Novo no Egito, estimado em c. 1560 a.C. ou uma década antes; a cronologia convencional diz "depois de 1540 a.C.", e alguns defendem 1524 a.C. como ano exato. O evento cai na transição entre o Minoico Recente IA e o IB, pela cerâmica do sul do Egeu. (Pearson et al. 2018; Pearson et al. 2023)
Anéis de árvores de 1700 a 1500 a.C.
Pearson et al. (2018) criaram uma série de radiocarbono de resolução anual a partir de anéis de árvores de idade conhecida e viram que ela se afasta da curva internacional de calibração (IntCal13) entre cerca de 1650 e 1600 a.C. Com os dados novos, os intervalos calibrados dos segmentos de oliveira enterrados em Thera se deslocam para o séc. XVI a.C.; os autores dizem que a data proposta de c. 1570/1560 a.C. passa a ser aceitável e que os intervalos estendidos além de 1550 a.C. oferecem sobreposição com a cronologia arqueológica convencional, mas que uma data mais recente que c. 1510 a.C. é altamente improvável. As datas de marcadores em anéis de pinheiro-bristlecone em 1626–1628 a.C., antes ligadas a Thera, ficam fora do intervalo de 95%, e um anel de largura mínima em 1597 a.C. e outro danificado por geada em 1560 a.C. indicam, segundo eles, grandes eventos vulcânicos nesses anos. (Pearson et al. 2018)
A oliveira de Therasia
Pearson et al. (2023) datam uma oliveira que cresceu sobre o solo de um povoado do Bronze Antigo e Médio abandonado, no sítio de Koimisis, em Therasia, e que foi carbonizada no lugar pelas cinzas quentes da erupção; a camada queimada tem 5 a 7 cm e fica logo abaixo da pedra-pomes minoica. As faixas calibradas para as amostras mais externas cobrem do fim do séc. XVII a todo o séc. XVI a.C., e a probabilidade cresce em meados e no fim do XVI. Os autores cruzam esse resultado com marcadores de sulfato nos gelos da Groenlândia, em 1611 a.C., 1562–1555 a.C. e c. 1538 a.C., e afirmam que o de 1611 a.C. fica marginalizado. (Pearson et al. 2023)
O teste com objetos egípcios
Bruins e van der Plicht (2025) lembram que, na tradição, a erupção foi ligada a Tutmés III como opção mais recente e a Nebpehtire Ahmose como a mais antiga. Eles datam por radiocarbono, sem poder usar análise bayesiana, porque os objetos não formam sequência estratigráfica, um tijolo de adobe do templo de Ahmose em Abidos (Museu Britânico), um linho funerário ligado a Satdjehuty (Museu Britânico) e shabtis de madeira de Tebas (Museu Petrie). Segundo eles, as datas não calibradas desses objetos têm "assinatura temporal" diferente da série da erupção minoica, que é mais antiga, e isso sustenta uma cronologia baixa para o reinado de Ahmose e para o início do Reino Novo. (Bruins e van der Plicht 2025)
Efeitos sobre Akrotiri
Pearson et al. (2023) dizem que a erupção, tida como a maior do Holoceno em volume, selou o povoado minoico de Akrotiri e outros sítios de Thera e Therasia sob metros de detritos, depositou uma camada-marco em toda a região e, segundo uma especulação inicial, teria levado ao fim da civilização minoica em Creta. O próprio texto diz que Akrotiri sofreu dois abalos sísmicos destrutivos no Cicládico Médio final e no início do Cicládico Recente I, e que o povoado de Koimisis foi abandonado quase ao mesmo tempo que o primeiro, com um intervalo de não mais que cerca de 100 anos até a erupção. Nenhuma das fontes lidas traz número de mortos. (Pearson et al. 2023)
Fontes
- Pearson, C. L.; Brewer, P. W.; Brown, D.; Heaton, T. J.; Hodgins, G. W. L.; Jull, A. J. T.; Lange, T.; Salzer, M. W. (2018). Annual radiocarbon record indicates 16th century BCE date for the Thera eruption. Science Advances 4(8): eaar8241, publicado em 15/08/2018. https://doi.org/10.1126/sciadv.aar8241 (texto completo no Europe PMC, PMC6093623) (baixado e lido em texto bruto em 30/10/2026). Acessar
- Pearson, C.; Sbonias, K.; Tzachili, I.; Heaton, T. J. (2023). Olive shrub buried on Therasia supports a mid-16th century BCE date for the Thera eruption. Scientific Reports 13, art. 6994, publicado em 28/04/2023. https://doi.org/10.1038/s41598-023-33696-w (baixado e lido em texto bruto em 30/10/2026). Acessar
- Bruins, H. J.; van der Plicht, J. (2025). The Minoan Thera eruption predates Pharaoh Ahmose: Radiocarbon dating of Egyptian 17th to early 18th Dynasty museum objects. PLoS ONE 20(9): e0330702, publicado em 10/09/2025. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0330702 (texto completo no Europe PMC, PMC12422448) (baixado e lido em texto bruto em 30/10/2026). Acessar
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