Complexo do Vaso Campaniforme (a partir de c. 2750 a.C.): expansão da Ibéria atlântica à Europa central e à Grã-Bretanha, e a substituição quase completa da população britânica
a partir de c. 2750 a.C. (datações de cerâmica campaniforme na Ibéria atlântica, segundo Olalde et al. 2018) até c. 2200–1800 a.C. (quando a cerâmica deixa de ser usada); chegada à Grã-Bretanha com ancestralidade da estepe depois de 2450 a.C. · Europa Mediterrânea, Europa Ocidental e do Norte
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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O Complexo do Vaso Campaniforme (Bell Beaker) é um conjunto de objetos de sepultura, com cerâmica em forma de sino, punhais de cobre e braçais de arqueiro, cujas datações mais antigas ficam na Ibéria atlântica, c. 2750 a.C. Em 2018, Olalde e colegas, com 400 genomas, mostraram que ele se espalhou por migração em parte da Europa e por difusão cultural em outras. Na Grã-Bretanha, onde chegou depois de c. 2450 a.C., os dados indicam pelo menos 90% de substituição da população até o Bronze Médio, segundo os autores.
Os dados de 2018
Olalde et al. (2018) geraram dados genômicos de 400 europeus antigos datados de c. 4700 a 800 a.C., de 136 sítios, dos quais 226 associados ao Campaniforme. Eles definem o complexo por conjuntos de sepultura com vasos em forma de sino estilizados, punhais de cobre, pontas de flecha, braçais de pedra e botões com perfuração em V. Dizem também que por volta de 2500 a.C. o complexo já se espalhara por toda a Europa ocidental e pelo noroeste da África, alcançando França atlântica e meridional, Itália e Europa central, onde se sobrepunha à Cerâmica Cordada, e que depois de cerca de cem anos chegou às ilhas Britânicas e à Irlanda. (Olalde)
Ibéria e Europa central
Fora da Ibéria, 84 de 90 homens do Campaniforme analisados tinham a linhagem Y R1b-M269, ligada, segundo os autores, à chegada de migrantes da estepe na Europa central depois de 3000 a.C., e quase todos os de subtipo conhecido (60) tinham o derivado R1b-S116/P312, o dominante hoje no oeste europeu. Os da Ibéria tinham mais linhagens comuns no Neolítico anterior (I, G2), e R1b-M269 só em quatro, com ancestralidade da estepe. A parte neolítica da ancestralidade dos campaniformes de fora da Ibéria está mais próxima de populações neolíticas da Europa central e do norte (Polônia, Suécia), e fontes ibéricas são excluídas; os de Oostwoud (Holanda) são os mais próximos da maioria dos do sul da Inglaterra. (Olalde)
Grã-Bretanha: uma transformação quase completa
Olalde et al. (2018) analisaram 37 britânicos associados ao Campaniforme e 51 do Neolítico, estes sem afinidade com a estepe. Eles modelaram a ancestralidade britânica com os de Oostwoud como substituto e estimam, ‘a minimum of 90±2%’ de renovação da população local até o Bronze Médio (c. 1500–1000 a.C.). Nos primeiros séculos depois do contato (c. 2450–2000 a.C.) as proporções variam, compatível com migrantes que começavam a se misturar; depois de c. 2000 a.C. ficam mais homogêneas. A linhagem Y R1b, ausente em 33 homens neolíticos, aparece em mais de 90% dos 52 do Cobre e do Bronze, e mtDNAs novos indicam que homens e mulheres vieram. Os autores veem também aumento de alelos associados a menor pigmentação. (Olalde)
O rito funerário campaniforme
Segundo Bourgeois et al. (2025), o pico de uso do rito campaniforme vem em c. 2400–2200 a.C. e cai de forma abrupta em c. 2200–2000 a.C. em todo o continente, o que coincide com a reorganização das redes comerciais e a chegada do bronze de estanho. O rito não desaparece de uma vez: seus elementos ainda são citados em sepulturas ricas do Bronze Antigo. Na Boêmia, Papac et al. (2021) veem o Campaniforme com sepulturas individuais (cerca de 600) a partir de c. 2500 a.C., e uma substituição das linhagens Y por volta de 2400 a.C., acompanhada de ancestralidade mais próxima da neolítica. (Bourgeois; Papac)
Fontes
- Olalde, Iñigo; Brace, Selina; Allentoft, Morten E.; et al. The Beaker Phenomenon and the Genomic Transformation of Northwest Europe. Nature, 555(7695), p. 190–196, 21/02/2018, doi:10.1038/nature25738, manuscrito de autor em pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC5973796. Lido em 02/11/2026 o texto bruto da página; a Informação Suplementar não foi lida. Acessar
- Bourgeois, Quentin P. J.; Helmecke, Florian; Olerud, Louise; et al. Spatiotemporal reconstruction of Corded Ware and Bell Beaker burial rituals reveals complex dynamics divergent from steppe ancestry. Science Advances, 11(34), eadx2262, 20/08/2025, doi:10.1126/sciadv.adx2262, texto completo em pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC13155569. Lido em 02/11/2026 o texto bruto da página; os dados S1 a S4 e o texto suplementar não foram lidos. Acessar
- Papac, Luka; Ernée, Michal; Dobeš, Miroslav; et al. Dynamic changes in genomic and social structures in third millennium BCE central Europe. Science Advances, 7(35), eabi6941, 25/08/2021, doi:10.1126/sciadv.abi6941, texto completo em pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8386934. Lido em 02/11/2026 o texto bruto da página; os materiais suplementares não foram lidos. Acessar
Na mesma região
- Fundição de cobre em vasos campaniformes reutilizados como cadinhos, na gruta de Bauma del Serrat del Pont (Girona), a partir de c. 2917 a.C. datas de carvão dos níveis, recalibradas com IntCal20 (95,4%): 2917-2576 cal. a.C. no nível II.5 (contexto de produção metalúrgica) e 2878-2479 cal. a.C. dadas no texto como as mais antigas para metalurgia extrativa na região; nível do Bronze Antigo com 2566-2034 cal. a.C. (Montes-Landa e colegas, 2021). Ano astronômico −2916 a −2033
- Valencina de la Concepción (Sevilha, Espanha): os primeiros tholoi de abóbada de barro no maior sítio do Calcolítico ibérico (fim do séc. XXX e séc. XXIX a.C.) do fim do séc. XXX ao séc. XXIX a.C. (início dos primeiros tholoi); o ‘early tholos horizon’ se concentra, segundo os autores, nos séc. XXIX e XXVIII a.C. (cal a.C.)
- Cnossos e os centros palacianos minoicos c. 1900–1100 a.C., fase dos palácios (UNESCO)
- Erupção minoica de Thera (Santorini): a data, entre c. 1600 e 1500 a.C., em disputa Entre o fim do séc. XVII e o início do séc. XV a.C., segundo a fonte e o método: a radiocarbono, c. 1600 a.C. (Pearson et al. propõem metade do séc. XVI a.C. em 2023); pela cronologia arqueológica, depois de 1540 a.C. ou c. 1524 a.C.; segundo Bruins e van der Plicht (2025), antes do reinado do faraó Ahmose
- Oficina de tintura de púrpura em Egina-Kolonna (séc. XVI a.C.): conchas esmagadas de Hexaplex trunculus, resíduos analisados por HPLC e ossadas queimadas de filhotes Séc. XVI a.C. (fase Heládico Recente IIA, Micênico Inicial), época da camada de destruição de dois edifícios, segundo Berger e colegas (2024). A tintura de púrpura já era conhecida em Creta desde o início do 2º milênio a.C. e chegou a Kolonna no Bronze Médio, segundo os mesmos autores
- Fim de El Argar, no sudeste da Península Ibérica (c. 1550 a.C.): colapso, "rebelião social" e outras leituras c. 1550 a.C. (data de calendário calibrada, que Bonora Soriano e outros usam como corte para contar sítios; eles falam também em transformações "por volta de 1600–1550 a.C.")