Fundição de cobre em vasos campaniformes reutilizados como cadinhos, na gruta de Bauma del Serrat del Pont (Girona), a partir de c. 2917 a.C.
datas de carvão dos níveis, recalibradas com IntCal20 (95,4%): 2917-2576 cal. a.C. no nível II.5 (contexto de produção metalúrgica) e 2878-2479 cal. a.C. dadas no texto como as mais antigas para metalurgia extrativa na região; nível do Bronze Antigo com 2566-2034 cal. a.C. (Montes-Landa e colegas, 2021). Ano astronômico −2916 a −2033 · Europa Mediterrânea
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Na gruta de Bauma del Serrat del Pont, em Tortellà, no nordeste da Península Ibérica, fragmentos de 19 vasos, entre eles cinco decorados do tipo campaniforme, serviram para fundir cobre; é o conjunto metalúrgico mais antigo da região. Montes-Landa e colegas (2021) analisaram sete fragmentos e leram neles minérios de várias minas, a cerca de 18 e 200 km, e uma fabricação com a mesma argila. Para os autores, o cobre campaniforme dessa área teve papel sobretudo utilitário.
Uma gruta do nordeste da Ibéria
Segundo Montes-Landa e colegas (2021), Bauma del Serrat del Pont, em Tortellà, Girona, tem estratos do Mesolítico ao período romano, e os níveis II.3 (Bronze Antigo), II.4, II.5 e III.1 (Calcolítico) concentram a maior parte da evidência metalúrgica. O nível II.5, sem traços de habitação, é descrito como contexto de produção: três lareiras grandes, com pedras alteradas pelo calor, ao ar livre, onde ficou o maior número de fragmentos de cadinho (37, sete deles decorados). Nos níveis III.1 e II.4 havia cabanas, com a metalurgia numa lareira dentro ou fora delas. (Montes-Landa et al. 2021)
Vasos campaniformes como cadinhos
Os 65 fragmentos de cadinho achados na gruta pertencem a pelo menos 14 vasos lisos e cinco vasos campaniformes decorados. O artigo lembra que o uso de vasos decorados para fundir cobre não é único de Bauma: há casos em El Ventorro (Madri), Sont Matge (Maiorca), El Acebuchal (Sevilha) e Travers de Fourches (Hérault). Os autores analisaram sete fragmentos guardados no Museu de la Garrotxa (Olot), todos com resíduos de cobre na face interna; as pastas indicam uma argila semelhante, aquecida a partir de dentro. (Montes-Landa et al. 2021)
De onde vinha o cobre
Por isótopos de chumbo nas escórias, os autores propõem pelo menos quatro fontes: o minério de Les Ferreres, nos Pirineus orientais, a cerca de 18 km em linha reta; o da região de Montsant (minas de Solana del Bepo e Turquesa), a cerca de 200 km; e uma quarta, ainda não identificada. Uma quinta, polimetálica (cobre e estanho), seria sugerida por análises anteriores. Duas amostras (H12 e G10) combinam com Montsant, com G10 talvez de Turquesa e H12 de Solana del Bepo; F11 pode vir de Les Ferreres, e E13 e E11 não batem com fontes conhecidas. (Montes-Landa et al. 2021)
Entre a tradição francesa e a ibérica
O artigo situa a gruta entre duas tradições. No sul da Ibéria, fundia-se minério em vasos de fundo arredondado, os "vasijas-horno", com pouca ou nenhuma escória; no sul da França, fundia-se em covas abertas e refundia-se em lingoteiras. Cadinhos de fundição só aparecem na França por volta de meados do terceiro milênio a.C., inovação ligada ao Campaniforme e, segundo a literatura citada, transmitida da Ibéria. Na Bauma, os autores veem os dois fios juntos: saber vindo da França, adaptado a cadinhos de origem ibérica meridional. (Montes-Landa et al. 2021)
Fontes
- Montes-Landa, Julia; Murillo-Barroso, Mercedes; Montero-Ruiz, Ignacio; Rovira-Llorens, Salvador; Martinón-Torres, Marcos (2021). "Interwoven traditions in Bell Beaker metallurgy: Approaching the social value of copper at Bauma del Serrat del Pont (Northeast Iberia)". PLOS ONE 16(8): e0255818. DOI 10.1371/journal.pone.0255818 (resolve em doi.org). Texto integral via Europe PMC (PMC8352022), lido em texto bruto em 02/11/2026. Autoria ligada às universidades de Cambridge e de Granada, ao CSIC e ao Museu Arqueológico Nacional (Madri). Acessar
- Wikidata, item Q20108900 (Bauma del Serrat del Pont, "cave in Spain"): coordenadas (P625: 42,249133; 2,605743), localização em Tortellà (Q12698). https://www.wikidata.org/wiki/Special:EntityData/Q20108900.json . Lido em 02/11/2026; usado só para a coordenada. O item é a gruta, não a técnica. Acessar
Na mesma região
- Valencina de la Concepción (Sevilha, Espanha): os primeiros tholoi de abóbada de barro no maior sítio do Calcolítico ibérico (fim do séc. XXX e séc. XXIX a.C.) do fim do séc. XXX ao séc. XXIX a.C. (início dos primeiros tholoi); o ‘early tholos horizon’ se concentra, segundo os autores, nos séc. XXIX e XXVIII a.C. (cal a.C.)
- Complexo do Vaso Campaniforme (a partir de c. 2750 a.C.): expansão da Ibéria atlântica à Europa central e à Grã-Bretanha, e a substituição quase completa da população britânica a partir de c. 2750 a.C. (datações de cerâmica campaniforme na Ibéria atlântica, segundo Olalde et al. 2018) até c. 2200–1800 a.C. (quando a cerâmica deixa de ser usada); chegada à Grã-Bretanha com ancestralidade da estepe depois de 2450 a.C.
- Cnossos e os centros palacianos minoicos c. 1900–1100 a.C., fase dos palácios (UNESCO)
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