Valencina de la Concepción (Sevilha, Espanha): os primeiros tholoi de abóbada de barro no maior sítio do Calcolítico ibérico (fim do séc. XXX e séc. XXIX a.C.)
do fim do séc. XXX ao séc. XXIX a.C. (início dos primeiros tholoi); o ‘early tholos horizon’ se concentra, segundo os autores, nos séc. XXIX e XXVIII a.C. (cal a.C.) · Europa Mediterrânea
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Em Valencina de la Concepción, perto de Sevilha, um sítio de c. 450 ha começou como lugar de sepultamentos coletivos no fim do séc. XXXII a.C. Por 178 datações bayesianas, García Sanjuán e colegas (2018) situam os primeiros tholoi, de abóbada de barro, entre o fim do séc. XXX e o séc. XXIX a.C., com a abóbada de pedra vindo depois. Segundo eles, não há sinal claro de residência permanente em grande escala nem de edifícios públicos, e o sítio parece um lugar de reunião com relações sociais competitivas e instáveis.
O sítio e a datação
Valencina de la Concepción fica perto de Sevilha, no baixo Guadalquivir, e ocupa cerca de 450 ha, com mais de 120 escavações de salvamento desde os anos 1980. García Sanjuán et al. (2018) discutem 178 datações de 17 setores, 138 delas novas, obtidas por várias equipes, entre elas o projeto europeu The Times of Their Lives. As datas foram modeladas num quadro estatístico bayesiano, o que, segundo os autores, as torna mais robustas do que a leitura visual de datações isoladas. Antes disso, só 40 datações eram publicadas para sete setores. (García Sanjuán)
Do enterro coletivo ao tholos
Os dois setores mais antigos, La Huera e Calle Dinamarca 3–5, são depósitos funerários, e os primeiros sepultamentos do sítio parecem ter ocorrido ‘towards the end of the 32nd century cal BC’, em covas ou cavernas artificiais, de forma coletiva. O uso das cavernas artificiais acabou até meados do séc. XXIX a.C., quando aparecem as primeiras inumações individuais em covas (baseadas em apenas duas datações, e os autores pedem cautela). Os primeiros tholoi vêm do fim do séc. XXX ou do séc. XXIX a.C., com abóbada de barro seco; a abóbada de pedra em falsa cúpula pode tê-la substituído no séc. XXVI a.C. (García Sanjuán)
O que o tholos exigiu
Segundo os autores, o tholos exigia mais trabalho e planejamento do que uma cova ou uma caverna artificial: grandes lajes de ardósia e pedras de arenito tinham de ser trazidas de alguma distância, e as paredes da câmara eram mais precisas. O setor PP4-Montelirio teve 134 estruturas calcolíticas, megalíticas e não megalíticas, 61 delas com restos humanos; o tholos de Montelirio começa um pouco depois das estruturas 10.042–10.049 e 10.071, com 99% e 98% de probabilidade de que estas sejam mais antigas, o que, dizem os autores, indica um uso fluido do espaço. (García Sanjuán)
Auge, hiato e fim
As gerações em torno de 2900 a.C. parecem a época de maior atividade funerária do sítio, e os autores não achavam conclusivo que houvesse residência permanente. Depois dos tholoi de barro, a atividade funerária parece ter diminuído durante boa parte dos séc. XXVII e XXVI a.C., e voltou a crescer por volta de 2500 a.C.; La Pastora e outros sepultamentos coletivos continuaram até o fim da atividade funerária no sítio, no séc. XXIV ou no início do XXIII a.C. Eles concluem por um quadro de ‘establishment, consolidation, surge and decline’, em vez de atividade contínua por um milênio. (García Sanjuán)
Fontes
- García Sanjuán, Leonardo; Vargas Jiménez, Juan Manuel; Cáceres Puro, Luis Miguel; et al. Assembling the Dead, Gathering the Living: Radiocarbon Dating and Bayesian Modelling for Copper Age Valencina de la Concepción (Seville, Spain). Journal of World Prehistory, 31(2), p. 179–313, 19/05/2018, doi:10.1007/s10963-018-9114-2, texto completo em pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC5984651. Lido em 02/11/2026 o texto bruto da página; o material suplementar não foi lido. Acessar
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