Constitutio Antoniniana (212): a cidadania romana para os habitantes livres do Império e a leitura do papiro de Giessen
11 de julho de 212 em Roma (5 dias antes dos idos de julho, cônsules, os dois Aspros), afixado em Alexandria em 10 de fevereiro de 213, segundo Jördens a partir de P. Giss. I 40, col. II, 12 a 15 · Europa Mediterrânea
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
A Constitutio Antoniniana é o ato pelo qual o imperador Caracala (M. Aurélio Severo Antonino) concedeu a cidadania romana a todos os habitantes livres do Império. Seu único testemunho é o papiro P. Giss. I 40, adquirido em 1902 e vindo do Egito, hoje em Giessen. Segundo Jördens, que adota a tese de Peter van Minnen, o edito foi proclamado em Roma em 11 de julho de 212 e a concessão era só a introdução de um pacote de medidas, com anistias, para apaziguar a desordem política, social e religiosa que se seguiu à morte de Geta, irmão do imperador.
O papiro de Giessen: achado, estado e textos
O P. Giss. I 40, publicado em 1910, é o único testemunho conhecido da concessão, segundo a opinião dominante, e dele se conserva uma folha de duas colunas, com 27 cm de altura e 46 de largura, muito danificada. Chegou a Giessen em 1902, comprado por Ernst Kornemann no comércio de antiguidades, junto com cerca de 150 outros papiros; segundo Jördens, o mais provável é que tenha sido achado e escrito em Hermópolis Magna (Eschmunên), mas não se conhecem as circunstâncias exatas do achado. Durante a guerra o papiro foi guardado no cofre da Dresdner Bank, onde a água do subsolo causou perdas e fungos. Mitteis e Wilcken tinham distribuído o conteúdo em três textos; van Minnen defende que são dois, e Jördens concorda. (Jördens 2024)
A data: 11 de julho de 212 em Roma
A coluna II, linhas 12 a 15, tem uma fórmula de publicação incomum, com dois registros. Segundo Jördens, o texto diz que foi publicado "no quinto dia antes dos idos de julho", sob o consulado dos dois Aspros, o que corresponde a 11 de julho de 212 em Roma, e que em Alexandria o procurador usiacus o expôs no 16.º dia do mês egípcio Mecheir do 21.º ano, depois de registrado nos comentários do governador Baébio Juncino, em 4 de Mecheir; isso dá 10 de fevereiro de 213, quase sete meses depois. Jördens nota um erro de conversão do copista: 11 de julho era 17 de Epeiph, não 16. A data de Roma é o que, para ela, fica finalmente assegurado pela leitura de van Minnen. (Jördens 2024)
Um edito amplo e frágil
Para Jördens, a concessão da cidadania aos habitantes livres seria uma medida entre várias, e não um ato isolado, pois o edito começa agradecendo aos deuses por ter escapado de uma ameaça, que ela presume ser a existência de Geta, eliminado na virada de 211 para 212. Ela vê no conjunto um esforço de reconciliação com "todos" e com os deuses, e as anistias finais citam cavaleiros e outros ocupantes de cargos. Adverte também que se trata de um retrato de um momento: dada a notória instabilidade de Caracala, o espírito de conciliação podia virar do avesso na manhã seguinte. (Jördens 2024)
Fontes
- Jördens, Andrea (2024). "P. Giss. I 40: der status quaestionis". Quaderni Lupiensi di Storia e Diritto 12 (2022): 305 a 334 (publicado em 06/09/2024). DOI 10.1285/i22402772a12p305. https://ese-journals.unisalento.it/index.php/quadernilupiensi/article/view/29255. Licença CC BY-NC-ND 3.0 Itália. PDF e texto bruto lidos em 29/10/2026. Acessar
Na mesma região
- Ulpiano: o jurista de ascendência tíria que forneceu um terço do Digesto atividade literária entre 211 e 222; assassinado em 228 (Britannica 1911); o Wikidata dá nascimento c. 170 e morte em 228
- Plotino em Roma: a escola, a casa cheia de mulheres e crianças e o projeto de Platonópolis c. 205 – 270 (Wikidata e Porfírio na tradução de MacKenna; a Britannica de 1911 dá 204–270); em Roma desde c. 244 até c. 269/270
- Perseguição de Décio aos cristãos (250–251): a ordem de sacrifício universal e a carta do clero de Roma a Cipriano a partir de janeiro de 250, com a morte de Fabiano, segundo Ferguson (2022); Décio foi morto em 251, o que encerra a ordem no tempo, ainda que a fonte lida não diga em que mês ela deixou de ser aplicada. O Wikidata registra 249 a 250 para o item
- Júlia Domna, imperatriz em Roma: correspondência, círculo de filósofos e a morte de Geta, segundo Dio Cássio c. 160 – 217 (Wikidata guarda nascimentos de 158 a 170; morte em 217); a atuação lida neste registro vai de c. 208 a 217
- Muralhas Aurelianas de Roma: concreto revestido de tijolo, torres a cada cem pés e edifícios reaproveitados iniciada c. 271 (Wikidata), depois da guerra contra os marcomanos e antes da campanha contra Zenóbia (272), segundo Platner e Ashby; concluída por Probo, segundo Zósimo citado por eles
- Faltônia Betícia Proba e o cento virgiliano c. 306 (The New Historia) ou 322 (Wikidata) – c. 370