Atlas da História

Júlia Domna, imperatriz em Roma: correspondência, círculo de filósofos e a morte de Geta, segundo Dio Cássio

c. 160 – 217 (Wikidata guarda nascimentos de 158 a 170; morte em 217); a atuação lida neste registro vai de c. 208 a 217 · Europa Mediterrânea, Europa Ocidental e do Norte

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Júlia Domna, esposa de Septímio Severo e mãe de Caracala e Geta, é chamada por Dio Cássio de Júlia Augusta e a mostra na corte e na conversa com uma mulher caledônia. Dio conta que Caracala lhe confiou o recebimento de petições e a correspondência nas duas línguas, que ela recebia homens ilustres como o imperador e que se dedicava à filosofia com eles. O mesmo autor, um senador hostil à dinastia, narra a morte de Geta nos braços da mãe e atribui à imperatriz e aos sírios, seu povo, a astúcia de Caracala.

A conversa com a mulher caledônia

No epítome do livro 77, Dio Cássio conta que, depois do tratado de Severo com os caledônios, a imperatriz, a quem chama de Júlia Augusta, gracejava com a mulher de Argentocoxo, um caledônio, sobre a liberdade com que as britânicas se relacionavam com os homens. A resposta citada por Dio foi que as mulheres da Britânia faziam "melhor" as exigências da natureza do que as romanas, pois se juntavam abertamente aos melhores homens, enquanto as romanas se deixavam corromper em segredo pelos piores. Dio encerra o episódio atribuindo a resposta à britânica e a apresenta como uma observação espirituosa que lhe foi relatada. (Dio Cássio. Roman History)

A morte de Geta e o luto proibido

No epítome do livro 78, Dio diz que Caracala queria matar o irmão nas Saturnais, mas não conseguiu, porque o plano já era óbvio, e que ele então levou a mãe a chamar os dois, sem acompanhantes, a seus aposentos, a pretexto de reconciliá-los. Quando Geta entrou, centuriões instruídos por Caracala o atacaram; ele correu para a mãe e se agarrou ao seu pescoço, gritando por ajuda. Dio escreve que ela, enganada, viu o filho morrer em seus braços, ficou coberta do sangue dele e não percebeu o ferimento que teve na mão; e que não lhe foi permitido chorar, sendo obrigada a se mostrar alegre, como se fosse uma grande felicidade, tão vigiadas eram suas palavras, gestos e mudanças de cor. (Dio Cássio. Roman History)

Petições, correspondência e filosofia

Mais adiante no mesmo livro, durante a estadia de Caracala no Oriente, Dio escreve que o imperador, apesar de não ouvir a mãe, que lhe dava excelente conselho, a havia encarregado de receber petições e de cuidar da correspondência "nas duas línguas", exceto nos casos mais importantes, e que incluía o nome dela, em termos de elogio, nas cartas ao senado, dizendo que ela estava bem. Dio acrescenta que ela dava recepções públicas aos homens mais proeminentes, como o imperador, e que se dedicava cada vez mais à filosofia com eles. O relato não nomeia os filósofos nem diz quais eram as duas línguas. (Dio Cássio. Roman History)

Fontes

  1. Dio Cássio. Roman History, Epítome do livro 77. Loeb Classical Library, vol. IX, 1927. LacusCurtius (Bill Thayer), consultado em 29/10/2026. https://penelope.uchicago.edu/Thayer/E/Roman/Texts/Cassius_Dio/77*.html Acessar
  2. Dio Cássio. Roman History, Epítome do livro 78. Loeb Classical Library, vol. IX, 1927. LacusCurtius (Bill Thayer), consultado em 29/10/2026. https://penelope.uchicago.edu/Thayer/E/Roman/Texts/Cassius_Dio/78*.html Acessar

Na mesma região