Plotino em Roma: a escola, a casa cheia de mulheres e crianças e o projeto de Platonópolis
c. 205 – 270 (Wikidata e Porfírio na tradução de MacKenna; a Britannica de 1911 dá 204–270); em Roma desde c. 244 até c. 269/270 · Europa Mediterrânea
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Plotino, nascido no Egito e formado em Alexandria, instalou-se em Roma por volta de 244 e ali ensinou filosofia platônica até perto de 270. Segundo seu discípulo Porfírio, sua casa abrigava mulheres que estudavam com ele e filhos de amigos que o tinham como tutor. Os tratados que escreveu foram reunidos nas Enéadas, e o imperador Galieno e sua mulher Salonina o apoiaram no plano, nunca realizado, de fundar uma cidade platônica na Campânia.
De Alexandria a Roma
Segundo Porfírio, na tradução de MacKenna, aos vinte anos Plotino foi tomado pela paixão pela filosofia e frequentou os professores mais reputados de Alexandria, mas saía das aulas triste e desanimado, até que um amigo lhe sugeriu Amônio: depois de ouvir uma lição, disse ao companheiro que era o homem que procurava. Ficou onze anos com Amônio e, aos trinta e nove, juntou-se ao exército do imperador Gordiano, que preparava a campanha contra a Pérsia, para conhecer os métodos persas e indianos. Quando Gordiano foi morto na Mesopotâmia, Plotino só com muita dificuldade chegou a salvo a Antioquia; aos quarenta, no reinado de Filipe, instalou-se em Roma. (Porfírio. On the Life of Plotinus and the Arrangement of His Work (Life of Plotinus). Trad. Stephen MacKenna)
Uma casa com mulheres e crianças
Porfírio escreve que várias mulheres tinham grande apego a Plotino: Gemina, em cuja casa ele morava, a filha dela, também chamada Gemina, e Amphiclea, mulher de Ariston, filho de Jâmblico, e as três se dedicavam com assiduidade à filosofia. Muitos homens e mulheres de posição, ao se aproximar da morte, deixavam-lhe os filhos e todos os bens sob tutela, de modo que sua casa vivia cheia de rapazes e moças, entre eles Polemon. Porfírio conta também que um colar valioso foi roubado de Chione, que vivia em honrada viuvez com os filhos na mesma casa, e que Plotino, interrogando os criados, apontou o ladrão. Na leitura de Porfírio, ele foi árbitro de muitas desavenças em Roma e nunca fez um inimigo. (Porfírio. On the Life of Plotinus and the Arrangement of His Work (Life of Plotinus). Trad. Stephen MacKenna)
Escrever e reunir as Enéadas
Porfírio descreve um autor que não suportava reler o que escrevia, cuja vista mal o permitia: a letra era descuidada, ele juntava mal as palavras e não se importava com a ortografia, pois só lhe interessava a ideia, e assim ficou até o fim. A Britannica de 1911 diz que seus escritos foram reunidos em cinquenta e quatro tratados (originalmente quarenta e oito), arranjados em seis Enéadas, e que o arranjo se deve provavelmente a Porfírio, ao cuidado de quem foram entregues; houve ainda uma edição antiga de Eustóquio, mas todos os manuscritos existentes derivam da de Porfírio. (Porfírio. On the Life of Plotinus and the Arrangement of His Work (Life of Plotinus). Trad. Stephen MacKenna; "Plotinus". Em Encyclopædia Britannica)
Platonópolis e os últimos anos
Segundo Porfírio, o imperador Galieno e sua mulher Salonina honravam e veneravam Plotino, que pensou em aproveitar a amizade: havia na Campânia, diz a tradição, uma cidade de filósofos em ruínas, e ele pediu ao imperador que a reconstruísse e lhe desse o território em volta, com população vivendo sob as leis de Platão, sob o nome de Platonópolis, onde ele se estabeleceria com os companheiros. A oposição da corte, movida por inveja ou algum motivo mesquinho, pôs fim ao plano. Doente, Plotino deixou Roma pela Campânia, onde se retirou para uma propriedade que fora de Zethos, amigo já morto; o sustento vinha em parte da herança de Zethos e em parte de Minturnas, onde ficava a propriedade de Castrício. A Britannica de 1911 situa a morte nas terras de um amigo perto de Minturnas. (Porfírio. On the Life of Plotinus and the Arrangement of His Work (Life of Plotinus). Trad. Stephen MacKenna; "Plotinus". Em Encyclopædia Britannica)
Fontes
- Porfírio. On the Life of Plotinus and the Arrangement of His Work (Life of Plotinus). Trad. Stephen MacKenna, 1917. Wikisource, consultado em 29/10/2026. https://en.wikisource.org/wiki/Life_of_Plotinus Acessar
- "Plotinus". Em Encyclopædia Britannica, 11ª ed., vol. 21. Cambridge: Cambridge University Press, 1911, pelo texto da Wikisource consultado em 29/10/2026. https://en.wikisource.org/wiki/1911_Encyclop%C3%A6dia_Britannica/Plotinus Acessar
Na mesma região
- Ulpiano: o jurista de ascendência tíria que forneceu um terço do Digesto atividade literária entre 211 e 222; assassinado em 228 (Britannica 1911); o Wikidata dá nascimento c. 170 e morte em 228
- Constitutio Antoniniana (212): a cidadania romana para os habitantes livres do Império e a leitura do papiro de Giessen 11 de julho de 212 em Roma (5 dias antes dos idos de julho, cônsules, os dois Aspros), afixado em Alexandria em 10 de fevereiro de 213, segundo Jördens a partir de P. Giss. I 40, col. II, 12 a 15
- Júlia Domna, imperatriz em Roma: correspondência, círculo de filósofos e a morte de Geta, segundo Dio Cássio c. 160 – 217 (Wikidata guarda nascimentos de 158 a 170; morte em 217); a atuação lida neste registro vai de c. 208 a 217
- Perseguição de Décio aos cristãos (250–251): a ordem de sacrifício universal e a carta do clero de Roma a Cipriano a partir de janeiro de 250, com a morte de Fabiano, segundo Ferguson (2022); Décio foi morto em 251, o que encerra a ordem no tempo, ainda que a fonte lida não diga em que mês ela deixou de ser aplicada. O Wikidata registra 249 a 250 para o item
- Muralhas Aurelianas de Roma: concreto revestido de tijolo, torres a cada cem pés e edifícios reaproveitados iniciada c. 271 (Wikidata), depois da guerra contra os marcomanos e antes da campanha contra Zenóbia (272), segundo Platner e Ashby; concluída por Probo, segundo Zósimo citado por eles
- Faltônia Betícia Proba e o cento virgiliano c. 306 (The New Historia) ou 322 (Wikidata) – c. 370