Perseguição de Décio aos cristãos (250–251): a ordem de sacrifício universal e a carta do clero de Roma a Cipriano
a partir de janeiro de 250, com a morte de Fabiano, segundo Ferguson (2022); Décio foi morto em 251, o que encerra a ordem no tempo, ainda que a fonte lida não diga em que mês ela deixou de ser aplicada. O Wikidata registra 249 a 250 para o item · Europa Mediterrânea
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Segundo Ferguson, a perseguição de Décio foi o primeiro ataque sistemático ao cristianismo em todo o Império: começou com a prisão do alto clero, com Fabiano, bispo de Roma, morto em janeiro de 250, e depois veio uma ordem para que todos os habitantes sacrificassem aos deuses. Quem cumpria recebia um certificado (libellus), e mais de quarenta sobreviveram, a maioria do Egito. A carta 30 do corpus de Cipriano, escrita pelo clero de Roma, mostra a comunidade cristã da cidade, sem bispo, discutindo o que fazer com os que cederam.
As duas fases da ordem, segundo Ferguson
Os decretos não sobreviveram; seu conteúdo é reconstruído por outras fontes. Segundo Ferguson, a primeira ação foi a prisão do alto clero, e o primeiro mártir foi Fabiano, bispo de Roma, em janeiro de 250. Muitos, como Cipriano, fugiram e dirigiram suas igrejas do esconderijo. Numa segunda ordem, todos os habitantes do Império deviam sacrificar aos deuses, derramando libação, queimando incenso ou provando a carne sacrificial. Comissões supervisionavam os sacrifícios e davam certificados aos que cumpriam; mais de quarenta desses libelli, a maioria do Egito, chegaram até hoje, em forma de petições em que o declarante afirma a lealdade aos deuses. (Ferguson 2022)
A carta 30: Roma sem bispo e os que cederam
Na carta 30, o clero de Roma agradece a Cipriano por suas cartas aos confessores presos na cidade e reafirma o rigor já expresso em cartas anteriores, contra os que apresentaram certificados de sacrifício. Eles pedem orações pelos que caíram e pelos que ficam de pé. Dizem que muitos deles, com alguns bispos vizinhos e outros expulsos de suas províncias pela perseguição, decidiram por muito tempo que nada de novo se faria antes da nomeação de um bispo, e que os que corriam risco de morrer, se arrependidos, deviam ser atendidos. O texto não fixa data; a edição lida o descreve como resposta a outra carta de Cipriano. (Cipriano de Cartago. Carta 30 ("The Roman Clergy to Cyprian"). Tradução de Robert Ernest Wallis em Ante-Nicene Fathers)
Depois de Décio: cisma, Valeriano e Galieno
Segundo Ferguson, o governo não explorou a vantagem inicial e Décio foi morto na fronteira em 251; uma peste se espalhou e os que haviam cedido voltaram à Igreja. A experiência impulsionou o sistema penitencial e a controvérsia entre rigoristas e os que queriam readmitir os "apóstatas"; ele cita o cisma ligado a Novaciano. Valeriano retomou a perseguição em 257, com exílio de bispos e depois execução de bispos e outros clérigos em 258. Em 260, Galieno emitiu um rescrito que, para Ferguson, é a primeira declaração oficial de tolerância ao cristianismo. (Ferguson 2022)
Fontes
- Ferguson, Everett (2022). "Outbreak of the Decian Persecution". EBSCO Research Starters, Religion and Philosophy. https://www.ebsco.com/research-starters/religion-and-philosophy/outbreak-decian-persecution. Lido em texto bruto em 29/10/2026. Fonte terciária, resumo para estudantes. Acessar
- Cipriano de Cartago. Carta 30 ("The Roman Clergy to Cyprian"). Tradução de Robert Ernest Wallis em Ante-Nicene Fathers, vol. 5, ed. A. Roberts, J. Donaldson e A. C. Coxe (Buffalo, 1886), revista para o New Advent. https://www.newadvent.org/fathers/050630.htm. Lida em texto bruto em 29/10/2026. Tradução inglesa antiga; o latim não foi lido. Acessar
Na mesma região
- Muralhas Aurelianas de Roma: concreto revestido de tijolo, torres a cada cem pés e edifícios reaproveitados iniciada c. 271 (Wikidata), depois da guerra contra os marcomanos e antes da campanha contra Zenóbia (272), segundo Platner e Ashby; concluída por Probo, segundo Zósimo citado por eles
- Constitutio Antoniniana (212): a cidadania romana para os habitantes livres do Império e a leitura do papiro de Giessen 11 de julho de 212 em Roma (5 dias antes dos idos de julho, cônsules, os dois Aspros), afixado em Alexandria em 10 de fevereiro de 213, segundo Jördens a partir de P. Giss. I 40, col. II, 12 a 15
- Ulpiano: o jurista de ascendência tíria que forneceu um terço do Digesto atividade literária entre 211 e 222; assassinado em 228 (Britannica 1911); o Wikidata dá nascimento c. 170 e morte em 228
- Plotino em Roma: a escola, a casa cheia de mulheres e crianças e o projeto de Platonópolis c. 205 – 270 (Wikidata e Porfírio na tradução de MacKenna; a Britannica de 1911 dá 204–270); em Roma desde c. 244 até c. 269/270
- Faltônia Betícia Proba e o cento virgiliano c. 306 (The New Historia) ou 322 (Wikidata) – c. 370
- Édito de Milão (313): a liberdade de culto de Constantino e Licínio e o debate sobre o que o texto foi 313 (encontro de Constantino e Licínio perto de Milão; a tradução lida não traz o dia nem o mês da publicação; Wikidata não dá data a este item)